Alexandra Gonçalves vai deixar de ser diretora regional de Cultura do Algarve

Ministério anunciou que, a partir de meados de Dezembro, o cargo será assumido em regime de substituição por pessoa a designar pelo Governo

Alexandra Rodrigues Gonçalves não vai ser reconduzida no cargo de diretora regional de Cultura do Algarve, revelou, em entrevista ao Sul Informação, a secretária de Estado da Cultura Ângela Carvalho Ferreira.

O Governo decidiu não renovar o mandato de Alexandra Gonçalves, que termina a 15 de Dezembro, porque, justificou Ângela Carvalho Ferreira, pretende «imprimir uma nova orientação e dinâmica à Direção Regional de Cultura do Algarve».

«Foi opção nossa abrir um novo concurso e, portanto, a senhora diretora regional será substituída», afirmou a secretária de Estado da Cultura.

Contactada pelo Sul Informação, Alexandra Gonçalves disse não querer comentar a decisão do Governo.

Assim, dentro de cerca de um mês, o cargo de Diretor Regional de Cultura será deixado vago. «A Comissão de Serviço termina a meio de Dezembro. Depois, será designada uma pessoa em regime de substituição e solicitada a abertura de um novo procedimento concursal», explicou Ângela Ferreira, em declarações ao Sul Informação.

Esse concurso será promovido pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP), que, no final do processo, irá selecionar três dos candidatos e sugeri-los à tutela, a qual, de entre eles, escolherá o próximo responsável máximo da Direção Regional de Cultura do Algarve.

Alexandra Gonçalves ocupava este cargo desde Dezembro de 2013 e foi a responsável pelo lançamento do DiVaM – programa de Dinamização e Valorização dos Monumentos, que, ao longo de cinco anos de programação, tem levado, aos monumentos algarvios sob gestão daquela Direção Regional, espetáculos de música, dança, cinema, teatro, bem como palestras, intervenções artísticas e eventos de ciência. Tudo isso tem contribuído para o aumento do número de visitantes dos monumentos algarvios.

Também sob a sua égide foi criado em 2015, o Prémio Regional Maria Veleda, que pretende galardoar os algarvios – e algarvias – que se distinguem na área da cultura, da cidadania e da igualdade de género. Desde a sua criação, foram já premiados Margarida Tengarrinha, José Louro e José Mendes Bota.

Um dos focos da Direção Regional de Cultura tem sido Sagres, a sua fortaleza (que é o segundo monumento nacional mais visitado no país) e o seu significado histórico. Assim, foi promovida a inscrição do Promontório de Sagres como Marca do Património Europeu, assim como foi lançada a candidatura «Lugares de Globalização», a Património Mundial da UNESCO.

Foi também lançado o novo site da Fortaleza, um novo filme para ser mostrado aos visitantes e um livro sobre o Infante. A própria Direção Regional tem também novo sítio na internet.

A fortaleza foi alvo de uma grande campanha de obras de restauro, ao mesmo tempo que se dinamizou a abertura de uma nova loja, enquanto está já em fase final o caderno para o concurso referente à instalação do futuro Centro Multimédia. Aliás, todas as candidaturas apresentadas pela Direção Regional ao CRESC Algarve 2020 foram aprovadas e estão em execução.

Além das obras na Fortaleza de Sagres, que em parte já vinham do anterior mandato, durante os cinco anos da direção de Alexandra Gonçalves avançou a conservação e restauro da torre albarrã do Castelo de Paderne, bem como dos mosaicos das Ruínas Romanas de Milreu, e ainda intervenções na Sé de Silves ou nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, entre outras intervenções no património arqueológico e arquitetónico.

Neste campo, em 2016, a Direção Regional de Cultura assinou um inédito protocolo com a GNR, que prevê que o SEPNA, divisão daquela autoridade afeta a crimes ambientais, passe também a ser uma parte ativa da missão de proteção do património cultural da região.

Além disso, nesse mesmo ano, foi atualizado o Atlas do Património Classificado e em vias de Classificação no Algarve.

No âmbito do Património Cultural Imaterial, foi dado início aos processos de salvaguarda e valorização, ao mesmo tempo que foi criado um portal para sistematizar toda a informação sobre esse tema.

Para colocar as pessoas a debater o património e a cultura, foi lançada a iniciativa Café com Letras, pela qual já passaram inúmeras personalidades algarvias e não só.

Foram também criadas ou aprofundadas diversas rotas culturais e histórico-patrimoniais, algumas delas transfronteiriças ou com parceiros internacionais.

Nestes anos, a Direção Regional de Cultura estabeleceu também uma nova política editorial, nomeadamente criando uma comissão de edição. O próprio organismo melhorou as suas condições de funcionamento, ao mudar-se das anteriores instalações exíguas, no centro da cidade de Faro, para novas e mais amplas instalações, no antigo edifício da extinta Direção Regional de Economia.

Antes de ser nomeada diretora regional de Cultura, a também professora da Universidade do Algarve tinha exercido o cargo de vereadora da Cultura da Câmara de Faro, no mandato do social-democrata Macário Correia enquanto presidente da autarquia.

A secretária de Estado da Cultura não avançou, na sua entrevista ao Sul Informação, quem será escolhido para assumir o cargo na Direção Regional enquanto não estiver nomeado, após o concurso da CRESAP, o nome definitivo.

De qualquer modo, se avançar o processo de descentralização já encetado pelo Governo, que preconiza o aumento das competências por parte das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, qualquer novo responsável por uma Direção Regional de Cultura poderá estar nesse cargo apenas a prazo. É que este organismo deverá ser integrado na nova geração de CCDR, talvez ao nível de uma vice presidência.

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