Fortaleza de Sagres já tem nova loja…com instalação artística

O mais visitado monumento a Sul do Tejo volta a ter loja, com produtos portugueses, de grande qualidade

A loja da Fortaleza de Sagres já reabriu e, além de produtos de merchandising sobre Sagres, o Algarve e Portugal, também apresenta, logo à entrada, uma instalação escultórica de Marc Parchow, denominada «Impermanências».

São seis peças em «contraplacado de bétula, acabamento em massa de juntas e tinta branca», como explica o artista, que partem da «geometria finita do cubo», para uma «geografia infinita», de aves a voar, iluminadas pela claraboia do edifício. Ou seja, mais um motivo para visitar o monumento e entrar na loja.

Esta segunda-feira, dia 5 de Novembro, e depois de pouco mais de um mês de funcionamento, a loja concessionada, após concurso, pela Direção Regional de Cultura do Algarve à empresa Mapa das Ideias – Edições de Publicações, foi oficialmente inaugurada, com um beberete que reuniu entidades oficiais, como a diretora regional de Cultura Alexandra Gonçalves e o coordenador da Fortaleza de Sagres, Luciano Rafael, autarcas, como a vice presidente da Câmara de Vila do Bispo Rute Silva, as duas sócias responsáveis pela loja, seus fornecedores, artistas e outros amigos.

A diretora regional Alexandra Gonçalves sublinhou a importância de o monumento mais visitado do Algarve e mesmo a Sul do Tejo voltar a ter uma loja que permita aos visitantes «levar daqui uma lembrança do nosso território, para as suas terras». «É bonito termos a casa cheia, renovada, com produtos apelativos sobre a história do Algarve e do nosso país», acrescentou.

A empresa Mapa das Ideias, que é também responsável pela loja e cafetaria do Museu da Marinha, em Lisboa, e tem outras projetos na área da gestão cultural e de públicos, em museus e não só, não é, portanto, novata nestas andanças.

Inês Câmara, uma das sócias, salientou que «estes dois últimos meses foram uma montanha russa», mas que tudo está a correr bem devido à «equipa fantástica que temos e aos fornecedores que trabalham lado a lado connosco». «Os nossos produtos têm cara e nós sabemos quem os fez», frisou.

A empresária acrescentou que a abertura da loja na Fortaleza de Sagres implicou a criação de três postos de trabalho. Por tudo isso, a inauguração oficial do espaço foi «um momento feliz».

 

Impermanência, Marc Parchow, 2018

Seis peças em contraplacado de bétula, acabamento em massa de juntas e tinta branca

Para lá da falésia, não existe um ponto fixo. Tudo é móvel. Nesse (não-)lugar, o homem não se consegue estabelecer. O domínio do vento e do mar é, para nós, apenas um lugar de passagem.

A peculiar condição de fronteira que Sagres materializa, entre o domínio estável do homem e o aéreo e efémero domínio do vento e do mar, foi o que deu mote às seis peças intituladas Impermanência, que encontram nesta polaridade a sua principal inspiração.

Em sequência, elas contam a história da transformação física de um cubo, que representa a geometria paradigmática do homem, numa ave marinha, símbolo do vento e do mar.

O cubo fica à altura do olhar de quem entra e representa a solidez da terra, grave e lenta, o (nosso) mundo conhecido, um território de estabilidade a flutuar no vazio cósmico. Emana dele uma força quieta, contida, que paradoxalmente alerta para um cárcere em potência, para uma energia densa que atrai para a estagnação e onde reina a finitude.

Toda a inércia é movimento aprisionado. Apela à inquietação, à revoada, à fuga.

Da geometria finita do cubo emerge uma geografia infinita. A energia do movimento progride numa trajectória de fuga, cujo traçado é descrito por uma espiral metamórfica em seis etapas.

Cada forma nova desenha no espaço as linhas do seu próprio devir. O ciclo de transformações guia o olhar para cima – sempre para cima –, acompanhando o corpo em fuga, a força cega que tem por fito o infinito.

A transformação do cubo inicial em ave – o último corpo que completa a metamorfose e que se encontra por baixo da claraboia (luz, imaterialidade, liberdade) – aponta ao visitante o rumo para o interior da loja, mas também para além dela, para o mar aberto, território do incógnito, do bravio, símbolo da liberdade e do instinto, da curiosidade e do sonho.

 

(texto da autoria do artista plástico Marc Parchow)

 

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação (a não ser quando indicado)

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