Algarve sem novos doentes mas com «casos suspeitos» de Covid-19

Hospital de Faro é de referência desde ontem e já está a dar o seu contributo

Hospital de Faro – Foto: Hugo Rodrigues|Sul Informação

Há «casos suspeitos» de pessoas infetadas com o novo coronavírus internadas no Hospital de Faro, cujas análises aguardam resultados do Laboratório Regional de Saúde Pública Laura Ayres. A unidade hospitalar da capital algarvia integra desde ontem a rede de resposta à Covid-19 e já está a dar o seu contributo.

«Já temos casos suspeitos internados e o processo das análises está em curso. Não lhe posso estar a avançar um número, pois daqui a pouco pode já ser diferente», revelou ao Sul Informação Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve.

«Mas isto não são casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus. São suspeitos, que têm sintomas compatíveis com a Covid-19 e que estiveram em contacto com alguém doente ou provêm de uma das chamadas zonas vermelhas, onde existem muitos casos», acrescentou.

«Desde ontem, os casos que sejam validados como suspeitos pela linha de apoio ao médico, que é o procedimento instituído, aqui na região do Algarve, passam a ficar internados no Hospital de Faro e a fazer análises no nosso Laboratório Regional de Saúde Pública Laura Ayres», reforçou o responsável máximo pela ARS algarvia.

 

Paulo Morgado, presidente da ARS Algarve

 

Entretanto, «já há um plano de contingência regional, apesar de ainda não ter sido publicado». Por outro lado, «quer o Centro Hospitalar Universitário do Algarve e quer os ACeS – Agrupamentos de Centros de Saúde têm planos já ativados». Ou seja, «todas as unidades públicas de saúde do Algarve têm planos de contingência ativos».

«Temos espaços de isolamento em todos os Centros de Saúde. Temos circuitos específicos para casos suspeitos – porque quando surgem são apenas suspeitos -, que têm depois de ser validados. Também temos um conjunto de contentores instalados nos Serviços de Urgência Básica e nos Hospitais de Faro e Portimão, para que as pessoas possam esperar enquanto os seus casos são validados», disse Paulo Morgado.

«São contentores novos, com casa de banho e todas as condições necessárias para as pessoas esperarem enquanto não há a confirmação da suspeita. No fundo são salas de espera para pessoas que estiveram em contacto com doentes e aguardam em condições de isolamento, para não estarem na mesma sala de espera que os outros utentes», acrescentou.

 

 

Hoje ao início da tarde, o Algarve continuava com os dois mesmos casos confirmados de ontem, ambos em Portimão, o da jovem estudante de 16 anos, diagnosticado no domingo, e o da sua mãe, professora, anunciado ontem. «Não há, para já, casos novos», assegurou ao Sul Informação Paulo Morgado.

E o Hospital de Faro, com as conhecidas carências e dificuldades que enfrenta, está preparado? «Claro que está preparado! Vamos adaptando a nossa resposta à medida que formos tendo casos. Neste momento, está ativado o Serviço de Infecciologia, mas poderemos adaptar outros serviços e em função das necessidades», afirmou.

Quanto a camas, não serão apenas os quatro quartos de isolamento existentes no Hospital de Faro que estarão ao serviço do combate à Covid-19, caso seja necessário. «Os doentes não ficarão todos, necessariamente, numa situação de isolamento. Depende da situação clínica. Poderemos ter doentes em isolamento, mas também noutros quartos».

Paulo Morgado admite mesmo criar «enfermarias de isolamento», caso venha a ser preciso.

«As pessoas podem ficar tranquilas. Caso o Hospital de Faro deixe de ser suficiente, será ativado o de Portimão e outras estruturas. A região terá capacidade para dar uma resposta adequada àquela que for a evolução do número de casos. As pessoas podem estar confiantes que os profissionais e as estruturas de saúde têm capacidade para responder», afiançou.

 

 

No que toca, especificamente, a clínicos, o presidente da ARS diz ter «ouvido com muito agrado o apelo lançado pelo senhor Bastonário dos Médicos. De facto há o empenho e o envolvimento dos profissionais nesta resposta, que é uma resposta de todo o sistema e onde todos devem ser parte da solução e não do problema. Esta é uma emergência de saúde pública internacional, à qual não vamos conseguir escapar».

«Neste momento, temos todos é que fazer um esforço de contenção e de isolar os casos confirmados, para quebrar cadeias de transmissão, para que a doença em Portugal não tome as proporções que tem tomado noutros países», disse Paulo Morgado, que admite «tudo fazer para adaptar ou contratar novos profissionais, mesmo que sejam reformados».

O presidente da ARS aproveitou para transmitir «uma mensagem importante. Neste momento, por existirem dois casos em Portimão, criou-se algum alarme social neste concelho e há um grande número de pedidos de análises e de pessoas que querem por força ser examinadas, por uma questão de ansiedade, só porque acha que contactou ou que esteve perto de alguém que pode a doença».

«No entanto, só se justifica fazer análises – e isto é válido não só para esta, mas para muitas outras situações – para confirmar ou diagnosticar uma doença. Ou seja, não faz sentido fazê-las a quem não tem sintomas ou a doença», disse.

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