PS e CDS chumbam eliminação das portagens na A22, PSD abstém-se

O atual Governo está «a comportar-se exatamente como o governo de Passos Coelho e do PSD/CDS»

A Comissão de Utentes da Via do Infante veio a público denunciar «a posição que o PS tomou na Assembleia da República, ao votar contra as propostas de alteração na especialidade ao Orçamento de Estado para 2020, que propunham a isenção de taxas de portagem na A22/Via do Infante».

«Pela 5ª vez, consecutivamente, em Orçamentos de Estado, o PS voltou a chumbar a eliminação de portagens no Algarve, sendo acompanhado pelo CDS». O PSD «limitou-se a optar pela abstenção, pois sabia que o PS ao votar contra seria suficiente para reprovar as propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP», revelou a Comissão de Utentes (CUVI), em comunicado.

O BE foi o único partido que apresentou uma proposta individualizada para acabar com as portagens na Via do Infante, enquanto o PCP propunha acabar com as portagens em bloco, em todas as ex-scuts, nomeadamente A22, A23, A24 e A25.

A CUVI considera que, com este novo chumbo do fim das portagens, «o PS voltou a mostrar a sua arrogância e o desprezo para com o Algarve e as suas populações, na mesma linha do primeiro-ministro António Costa e do seu governo».

«António Costa esqueceu-se completamente das promessas que fez aos algarvios em 2015 – estudar o contrato da PPP» e «eliminar as portagens no Algarve», que foi mesmo uma «promessa pessoal» feita «à Comissão de Utentes numa reunião conjunta em Quarteira».

Considerando que, nesta matéria, o atual Governo está «a comportar-se exatamente como o governo de Passos Coelho e do PSD/CDS», a CUVI também não poupa críticas aos social-democratas.

«O PSD também sai muito mal na radiografia», já que, se tivesse votado favoravelmente as propostas, «as portagens seriam mesmo abolidas no Algarve, mesmo contra a vontade do PS».

«Depois vêm os deputados do PSD/Algarve acusar os outros e “chorar lágrimas de crocodilo” dizendo que defendem o Algarve. A pouca vergonha e a hipocrisia não têm limites! No fundo, PS, PSD e CDS continuam a defender uma PPP obscura e criminosa, lesiva dos dinheiros públicos e que só tem servido para encher os bolsos da concessionária privada».

«Além dos elevados prejuízos que têm provocado a nível económico, financeiro e na mobilidade, as portagens fizeram disparar a sinistralidade rodoviária na região, com muitas vítimas, particularmente na EN125, que ainda não se encontra totalmente requalificada entre Olhão e Vila Real de Santo António, sendo considerada uma das vias mais perigosas e mortíferas do país», defende a CUVI.

De acordo com números fornecidos pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária/ ANSR, o ano de 2019 terminou com mais de 10.000 acidentes de viação no Algarve, mais precisamente com 10.612 acidentes e tendo provocado 36 vítimas mortais e 220 feridos graves.

Em 2018 tiveram lugar 10.604 acidentes, com 40 vítimas mortais e 195 feridos graves; em 2017 foram 10.752 acidentes, com 30 vítimas mortais e 192 feridos graves; e no ano de 2016 ocorreram no Algarve 10.241 acidentes, com 32 vítimas mortais e 162 feridos graves.

«Uma tragédia imensa que tem destruído tantas vidas e famílias e que, no mínimo, devia fazer corar de vergonha os governantes e outros responsáveis que persistem em manter umas portagens erradas, injustas e criminosas».

Em Janeiro, aquando da audição parlamentar sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), a a ministra Ana Abrunhosa, responsável pela pasta da Coesão Territorial, anunciou que o modelo de desconto das portagens vai ser aplicado nos territórios do interior, mas também nas autoestradas A22/Via do Infante, no Algarve, e A28, que liga Porto a Caminha.

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