Conferência homenageia o arquiteto Manuel Laginha no centenário do seu nascimento

A conferência integra-se no centenário do nascimento do arquiteto Manuel Laginha, que nasceu em Loulé, em 1919

Casa da Primeira Infância, em Loulé – Foto: DGPC

«Manuel Laginha, Arquiteto e Urbanista: Obras, Projetos e Arquivos» é o tema da conferência a proferir por Ricardo Costa Agarez, no Arquivo Municipal de Loulé, no dia 13 de Abril, às 16h00, com entrada livre.

A conferência integra-se no centenário do nascimento do arquiteto Manuel Laginha, que nasceu em Loulé, em 1919.

O arquiteto Manuel Laginha (1919-1985) «operou, ao longo do seu percurso de quatro décadas, na charneira entre dois tempos, entre dois mundos. Por um lado, trabalhou entre o Portugal rural e o urbano, em modernização e concentração demográfica; por outro, foi participante destacado na renovação da arquitetura portuguesa no pós-guerra, quando um novo entendimento da tradição intersectou os ensinamentos do Movimento Moderno; num período fecundo de maturidade e transição, Laginha fundou a sua visão da contemporaneidade nas constantes históricas da relação verdadeira entre o interior e o exterior, a forma e o conteúdo, a Arquitetura e o Tempo», explica a Câmara de Loulé sobre a conferência.

Manuel Laginha começou por estudar Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Entre 1940 e 45, estudou na Escola de Belas Artes do Porto, com a Bolsa de Estudo Ventura Terra, tendo-se diplomado em 1947, com 18 valores.

Entre 1948 e 52, foi funcionário da Câmara Municipal de Lisboa, na repartição de Arquitetura, e entre 1952 e 85, da Direção-Geral dos Serviços de Urbanização, onde ingressou por concurso público.

Foi membro da Direção do Sindicato Nacional dos Arquitetos (atualmente Associação dos Arquitetos Portugueses) no biénio 1952-54 e sócio da secção portuguesa da U.I.A.

 

Centro de Assistência Social, em Olhão

Em 1953, enquanto funcionário da DGSU, empreendeu uma viagem de estudo à Grã-Bretanha, Países Baixos, Bélgica e França, da qual foi publicado um relatório quatro anos depois.

Em 1957, frequentou o curso de urbanismo do University College of London, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, e estagiou no Departamento de Arquitetura do London County Council.

Desenvolveu ampla atividade arquitetónica em Lisboa, deixando intervenções marcantes designadamente nos Olivais-Sul e num conjunto habitacional na frente Norte da Av. Estados Unidos da América (entre as avenidas do Rio de Janeiro e Almirante Gago Coutinho), nos anos de 1955-1956, de colaboração com os arquitetos Pedro Cid e João Vasconcelos – Prémio Municipal de Arquitetura em 1957, em Carcavelos, em Setúbal, no Seixal e em Milão (Instituto Luso-Fármaco).

Foi o autor dos planos de Urbanização de Campo Maior, Vila Verde de Ficalho, Praia de Quarteira, Loulé, Lagoa de Santo André, Alvalade, Melides e Termas de Monfortinho.

São também de sua autoria o Plano Sub-Regional do Sector XI do Algarve (Cacela/Vila Real de Santo António), em 1969, e do Plano da Região de Corimba – Ilha do Mussulo (Angola), em 1976.

Participou em congressos e conferências em Portugal, Finlândia, Holanda, França e Luxemburgo.

A partir de 1963, começou a prestar assistência urbanística na Junta Distrital de Setúbal.

Constituiu, com Arnaldo Araújo e Frederico George, uma das três equipas finalistas do concurso para o projeto da sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), em 1959.

Em Loulé, “criou escola”, tendo os seus projetos sido imitados por engenheiros e projetistas. Ainda hoje são obras de referência a Casa da Primeira Infância, o edifício nº 10 da Praça da República, o prédio nº 36 da Av. Marçal Pacheco, a casa Laginha Ramos, na Rua David Teixeira, nº 121, e a Alfaiataria York, além de moradias e edifícios em Quarteira e Olhos de Água.

Projetou ainda no Algarve o Centro de Assistência de Olhão, de colaboração com Rogério Buridant Martins, e a Casa de Paderne, Albufeira (c. 1948).

A sua atividade profissional – cujos primeiros anos coincidiram com a difusão alargada da arquitetura ligada ao Movimento Moderno em Portugal – pautou-se por uma adoção criteriosa dos princípios fundadores deste movimento, fruto de uma sólida formação constantemente informada pela situação internacional. Esses mesmos princípios foram utilizados como instrumentos fundamentais na reação à arquitetura oficial de cariz nacionalista ainda vigente.

Com Vicente de Castro e Manuel Gomes da Costa, formou o trio de arquitetos que trouxeram para o Algarve a linguagem do Movimento Moderno.

Faleceu em 1985. A Câmara Municipal de Loulé deu o seu nome, em 2008, a uma avenida da cidade.

 

Manuel Laginha

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