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Novo 365Algarve tem mais critério na escolha e apoia-se em eventos âncora

Uma escolha de propostas mais criteriosa e uma programação que aposta em eventos âncora, para que todos fiquem a ganhar. Esta é a nova filosofia do programa cultural “365Algarve”, cuja 2ª edição foi lançada oficialmente esta quarta-feira, dia 4 de Outubro, em Loulé, e conta com 525 apresentações de espetáculos nas mais diversas áreas, que serão promovidos até dia 31 de Maio por agentes culturais algarvios.

«Houve um redirecionamento da programação, que resultou da experiência do primeiro ano, mas também da avaliação do estudo que foi feito pela Universidade do Algarve. A ideia, neste segundo ano, é ter eventos âncora, para conseguirmos ser mais complementares do que no ano passado», explicou aos jornalistas Dália Paulo, comissária do “365Algarve”.

A responsável pela gestão do programa esteve presente na cerimónia de lançamento da segunda edição do 365Algarve, que decorreu ontem, em Loulé. Na sessão, também marcaram presença Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, e Miguel Honrado, o seu congénere da Cultura, representantes dos dois ministérios que garantem o financiamento de 1,5 milhões de euros desta iniciativa.

Também estiveram na sessão alguns dos criadores e artistas que darão vida ao programa, nomeadamente Madalena Victorino, Bo Mcclellan, João Frade e Viviane.

Desta vez, a apresentação da programação foi feita num tom bem descontraído, sem recorrer aos habituais discursos oficiais, num formato que remetia para um talk show, dirigido pelo radialista Vasco Palmeirim. O mestre-de-cerimónias não poupou no humor para conduzir a conversa, “encaixada” entre atividades dirigidas ao público.

A Cerca do Convento, em pleno centro histórico de Loulé, foi palco de um beberete, animado pelo DJ Christian F, mas também houve a oportunidade de ter um primeiro gostinho do que será o projeto Cataplay, que mostrará a arte de cozinhar com cataplana com show cookings em vários pontos do Algarve, e assistir a um concerto de António Zambujo.

Ou seja, pode-se dizer que a festa já começou e só acaba em final de Maio. E, como aconteceu na primeira edição, pretende-se que a cultura chegue a todos e que todos os que fazem cultura tenham a oportunidade de se mostrar. É ai que entra a nova filosofia do “365Algarve”, a de apostar em eventos âncora.

«Não queremos secar as coisas à nossa volta. Este é um programa que quer polarizar o que o rodeia e quer ser parte daquilo que já existe. Não quer ser único, pelo contrário, o objetivo é que a partir dele nasçam várias ramificações e outros programas», ilustrou Dália Paulo.

Desta forma, foi feita uma aposta «em eventos que durem mais do que dois ou três dias seguidos, para que as pessoas possam escolher o destino Algarve e possamos ter um aumento no número de dormidas». A partir do momento em que cá estejam , os visitantes podem conhecer a outra oferta que existe.

Madalena Victorino, João Frade e Bo Mcclellan, os responsáveis por três dos eventos âncora do 365Algarve

E sugestões não faltam. A edição deste ano do “365Algarve” contará com 525 apresentações de música, dança, teatro, circo contemporâneo, cinema, artes visuais, literatura, gastronomia e animação de património , espalhadas pelos 16 municípios da região.

O interior do Algarve não foi esquecido e até acolherá um dos tais eventos âncora, o Festival do Contrabando, que Alcoutim vai acolher entre 23 e 25 de Março, um “filho” deste programa cultural algarvio.

Também estruturantes, são o Festival LUZA – Festival Internacional de Luz do Algarve , que juntará artistas plásticos nacionais e internacionais em Loulé entre 24 e 26 de Novembro, o Festival Algarve Jazz Gourmet Moments, que acontecerá entre 25 e 27 de Maio, em Lagos, e uma nova versão do Lavrar o Mar, um dos eventos que se destacou na primeira edição do “365Algarve”, que promoverá sessão regulares nos próximos oito meses e espetáculos especiais no Ano Novo e na Páscoa.

Dália Paulo destacou, ainda, duas das novidades do programa, o Ecofest- Festival de Música e Ambiente, que decorrerá em pleno Parque Natural da Ria Formosa, em Olhão, de  4 a 6 de Maio e a iniciativa AlGharb.Come, que animará a zona de fronteira entre Portugal e Espanha recorrendo ao fado, ao flamenco e à gastronomia.

Também novidade são a Festa dos Sentidos (Outubro e Novembro, Lagos), Um certo Ponto de Vista, um evento ligado à arte contemporânea (Outubro a Maio, Faro, São Brás de Alportel e Portimão), o já mencionado CataPlay (Dezembro a Maio, Faro, Vila Real de Santo António, Loulé e Vila do Bispo), o Festival de Artes Performativas de Tavira (Janeiro e Fevereiro, Tavira), a Festa do Acordeão (Fevereiro, Loulé, Albufeira e Faro) e o Festival de Culturas Mediterrânicas – Entre Mares, sob o olhar do viajante Teixeira Gomes (Maio, Portimão).

Da edição passada transitam eventos que «estão já consolidados», como o Vídeo Lucem, que voltará a levar o cinema a igrejas de Faro, Lagoa, Tavira, Loulé, Vila Real de Santo António, Aljezur e Silves, entre Outubro e Maio, o Festival Verão Azul – VIII edição (17 a 28 de Outubro, Faro e Lagos), 2º Festival Internacional de Piano do Algarve (Janeiro a Abril, Portimão), o Jazz nas Adegas (Janeiro a Abril, Silves); FIMA -Festival Internacional de Música do Algarve (Março a Maio em diversos locais do Algarve) e a 4ª edição dos Encontros do Devir “cidades utópicas” (Abril e Maio, Faro, Loulé e Lagos).

Em paralelo, mas em conjugação com o “365Algarve”, acontecem os eventos Festa dos Anos de Álvaro de Campos 2017 (Outubro e Novembro, Tavira), Faro Desvendado (Outubro a Maio, Faro), Momentos Fantásticos com Património (Outubro a Maio, Lagos), Bordeira Terra de Acordeão – a obra de Hermenegildo Guerreiro (4 de Novembro, Faro), Festival T – Festival Internacional de Teatro de Albufeira (23 a 27 de Março, Albufeira) e Terra de Maio (25 a 27 de Maio, Castro Marim).

Como se percebe, não será por falta de eventos culturais que os turistas e residentes ficarão em casa. De resto, este é o grande objetivo deste programa cultural, que foi criado em 2016 para garantir que o Algarve mexe todo o ano, e não apenas na época alta, e acabar «com o mito da sazonalidade», como lhe chamou a secretária de Estado do Turismo Ana Mendes Godinho.

Na sessão de ontem, além de elogios aos resultados da primeira edição do programa e do afirmar de expetativas elevadas para o período de programação que agora começou, até houve tempo para juras de amor eterno entre o Ministério da Cultura e o da Economia, que juntos financiam o “365Algarve”. «Espero que este seja um casamento para a eternidade», desejou Miguel Honrado.

Dália Paulo não escondeu a satisfação pela promessa de estabilidade matrimonial entre os financiadores do programa, mas não deixou de avisar que, garantido, só está o financiamento por três anos, ou seja, até ao final da atual legislatura. Depois, logo se verá.

«O que Miguel Honrado quis dizer é que três anos é pouco tempo para consolidar um programa deste tipo, que não é de toca e foge: é para lançar sementes e dar condições às pessoas da área da cultura para que possam fazer disto a sua profissão e permitir aos criadores estar no Algarve todo o ano», explicou.

A comissária do “365Algarve” frisou, ainda, a aposta que foi feita ao nível da divulgação do programa online. «O site, este ano, permitirá ter a informação, atualizada ao minuto, do que está a acontecer em determinada área», disse.

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