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Algharb.Come serve iguarias algarvias com acompanhamento de fado e flamenco

O Algharb.Come inspira-se nas raízes culturais do Baixo Guadiana e da Andaluzia e assenta numa reinvenção das tradições. Mas é, também, um projeto «feito por todos nós, que aqui residimos e que queremos ter um turismo diferente», contou Ana Quinteliano, coordenadora deste projeto pensado por jovens, que usará o fado, o flamenco e a Dieta Mediterrânica para promover não só um território, mas também os seus produtos e quem os cria. 

Este evento, que começa já em Novembro e só termina em Maio, período durante o qual passará por várias localidades do Sotavento Algarvio, mas também em Lisboa e em Sevilha, é uma das novidades da segunda edição do 365Algarve, programa cultural dinamizado pelas secretarias de Estado do Turismo e da Cultura.

O Sul Informação foi a Vila Real de Santo António, à sede da Backup, associação juvenil que promove o Algharb.Come, para perceber o que será esta iniciativa, fortemente elogiada por Dália Paulo, comissária do 365Algarve, na apresentação deste programa cultural.

A premissa do projeto é simples: dar a conhecer os produtos locais, os que os trabalham e o território do Baixo Guadiana, em eventos onde o fado ou flamenco também marcarão presença.

«O projeto tem várias fases. Em 2017, vai haver uma fase de teste junto dos Mercados Municipais. Isto porque é importante ir ao encontro dos produtores locais e dinamizar os nossos mercados. Tanto nós, como os turistas, quando visitamos um local, vamos à procura do que é mais típico. E nas praças temos essa vivência», explicou Ana Quinteliano ao Sul Informação.

O primeira experiência acontece no Mercado Municipal de Vila Real de Santo António, no dia 4 de Novembro. «Terá um showcooking, terá fado, que também estará, à noite, no Restaurante Os Arcos», explicou a coordenadora do Algharb.Come.

«Tem sido uma experiência fantástica, porque tivemos a oportunidade de mapear os mercados e foi aí que realmente começámos a sentir o projeto. Falámos com todos os operadores e é com eles que estamos a tentar construir estas dinâmicas. Não chegámos lá a impor alguma coisa, envolvemo-los na execução deste projeto», contou.

«Vamos promover showcookings, sempre com um chef da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, nossa parceira, mas também com chefs dos nossos restaurantes típicos. E é aqui que surgirá a reinvenção da Dieta Mediterrânica. Os nossos restaurantes típicos servem as cataplanas ou outros pratos tradicionais do Algarve, mas nós queremos reinventá-los, com a ajuda de gente nova, que tem vindo a sair da Escola de Hotelaria e Turismo», enquadrou Ana Quinteliano.

 

 

Além do mercado de VRSA, o projeto irá passar nos seus congéneres de Castro Marim, Altura e Vila Nova de Cacela. Cada qual acolherá «mais do que uma ronda». «Até final de 2017, será o fado . Em 2018, na segunda vez que voltarmos, já traremos o flamenco. A ideia é que haja sempre aqui esta fusão», explicou.

Em todas as sessões, é aplicada a mesma lógica: sempre que houver a visita a uma das praças envolvidas no projeto, haverá um concerto à noite num restaurante dessa localidade, do mesmo estilo musical.

Este conceito será potenciado ao máximo num festival que decorrerá a 19 e 20 de Maio, no Revelim de Castro Marim, que destacará «os nossos produtos e produtores, aproximando-os dos consumidores».

Aqui, também serão “servidos” espetáculos musicais «que se preveem inovadores», já que a Backup está «a apostar fortemente naquilo que é uma reinvenção do nosso património».

Antes deste evento final, os promotores do Algharb.Come vão sair do Baixo Guadiana para levar a iniciativa a Lisboa e a Sevilha, bem como a outros locais da Andaluzia.

«Porque é que vamos a Lisboa, ao Museu do Fado? Porque o fado é património da humanidade e este espaço museológico é uma espécie de sede da candidatura que foi aprovada. Estamos a desenvolver contactos para que o Museu assuma um papel preponderante numa parceria connosco, que nos abrirá portas e trará uma série de vantagens»

«E há a Espanha, o lado do flamenco, o que permitirá ao 365Algarve sair uma vez mais do seu território. A Backup já no ano passado tinha promovido esta cooperação transfronteiriça, no Fronteiras, e volta a fazê-lo este ano».

Este projeto, além de unir a Andaluzia e o Baixo Guadiana, também junta três elementos que foram reconhecidos pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade: o fado, o flamenco e a Dieta Mediterrânica.

«Não foi de propósito, confesso (risos). O projeto surgiu como fado, flamenco e gastronomia, com esta última a servir  de ponte, uma vez que é à mesa que se fazem bons amigos e se fazem bons negócios. Numa fase já posterior à candidatura, no trabalho que desenvolvemos no terreno, deparámo-nos com a Dieta Mediterrânica. Não foi pensado, mas acabou por ser uma feliz coincidência», explicou.

 

Para conseguir oferecer tanto, a Backup apostou em várias parcerias, desde logo no setor da música. «Os espetáculos de fado, a nível local, terão sempre a parceria da Associação de Fado do Algarve. A ideia é ter sempre os artistas que são nossos. Em cada mercado, tentaremos ter os fadistas que são da terra», explicou Ana Quinteliano.

«Na área do flamenco, ainda estamos a desenvolver contactos. Estamos a conversar com o “Huelva Gastronomia 2018”, que se apresenta como a capital da gastronomia, que nos abre portas a nomes do flamenco. Entretanto, já conseguimos chegar à fala com um grupo português e esperamos poder ter os Sangre Ibérico a apadrinhar o nosso projeto», acrescentou.

A música e a gastronomia vão servir, igualmente, para dar a conhecer o  Baixo Guadiana, de VRSA até Alcoutim.

«Temos aqui um parceiro fundamental, a Odiana, que conhece o território. Em Fevereiro, vamos ter o passeio das amendoeiras, uma rota pedestre que permitirá a turistas e residentes ter experiências como a de fazer pão ou conhecer toda a fase da amendoeira. As rotas terminam sempre com experiências gastronómicas», contou Ana Quinteliano.

«Em Abril, teremos uma rota que será um pouco diferente, que em cada ponto de paragem terá ou o fado, ou o flamenco, ou a gastronomia», concluiu.

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