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Almargem pede à Marinha que deixe «a Culatra em paz»

A Almargem quer que a Marinha «deixe (de novo) a Culatra em paz» e que não volte a realizar exercícios militares no núcleo dos Hangares desta ilha da Ria Formosa. A associação ambientalista, que em 1995 conseguiu que a base deixasse de ser usada para este fim, considera que não faz sentido o regresso destas atividades e insta o Governo «a tomar uma posição».

No dia 30 de Agosto, o almirante Silva Ribeiro, chefe de estado-maior da Armada, esteve nos Hangares para participar numa cerimónia de celebração dos cem anos da aviação naval e aproveitou para anunciar a reativação da base da Marinha naquele núcleo da Ilha da Culatra.

Segundo o responsável máximo pela Marinha, a nova base dos Hangares «vai começar a ser construída ainda este ano e servirá para apoiar as operações da Polícia Marítima e as operações da Marinha», o que significará que a presença militar na ilha da Culatra passará a ser «diária e muito mais visível».

«Este espaço já vinha sendo utilizado para treino dos nossos mergulhadores, na inativação dos explosivos, e dos fuzileiros. Essas ações irão continuar e ser reforçadas. Mas também temos a oportunidade de transformar este espaço que aqui temos numa área de treino para os fuzileiros, nomeadamente de operações com embarcações de alta velocidade e do Destacamento de Ações Especiais. Ou seja, operações de grande complexidade, sofisticação e discrição», acrescentou.

O regresso da Marinha aos Hangares e a presença constante na ilha não são um problema para a Almargem, segundo garantiu ao Sul Informação João Santos, dirigente desta associação. A questão prende-se com o regresso dos exercícios militares, «com desembarque de fuzileiros em embarcações de alta velocidade, operações com fogo real e inativação de explosivos».

«Em 1995, fomos à ilha falar com as pessoas e ninguém era favorável. E nem falo das pessoas dos Hangares, também nos núcleos da Culatra e do Farol. As pessoas estavam revoltadas por causa do barulho e de não poderem utilizar o cais de embarque», recordou.

A reativação dos exercícios é, para João Santos, «uma contradição absoluta», já que consideram que estes não são compatíveis com uma área de Parque Natural. «Numa altura em que se está a proceder a demolições, evocando a proteção da natureza, permitir isto não é admissível», questiona.

«A qualidade de vida dos cidadãos e a vocação da ilha da Culatra para as atividades piscatórias e para um ecoturismo sustentável, são absolutamente incompatíveis com estas ações», acrescenta a associação.

No dia em que o almirante Silva Ribeiro anunciou a reativação da base, fê-lo num discurso público, perante a população dos Hangares de de outros núcleos da Ilha da Culatra, e as suas palavras foram bem recebidas. Até porque há uma mudança significativa em relação a 1995: no dia 30, foi assinado um protocolo que permitirá à população dos Hangares utilizar o pontão da Marinha, que será alvo de uma intervenção de reabilitação que contempla a construção de um finger para utilização da população.

Com ou sem a população do seu lado, a Associação Almargem «ficará à espera de uma posição mais clara por parte do Governo, em particular do Ministério do Ambiente e do ICNF, acerca desta situação».

«Caso nada seja feito para impedir mais este potencial atentado às áreas protegidas de âmbito nacional e europeu, a Almargem irá apresentar uma queixa formal perante a Comissão Europeia», garantiu a Almargem.

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