Parquímetros voltam a funcionar em Faro e salvam empresa municipal

Proposta de passagem da gestão dos parquímetros para a Ambifaro foi aprovada graças a um socialista, que contrariou o sentido de voto da sua bancada

Os parquímetros vão voltar a funcionar, em Faro, «dentro de um mês ou dois» e a receita que gerarem vai permitir pagar a dívida do Mercado Municipal de Faro, «o último grande problema financeiro que faltava resolver no município», garantiu ao Sul Informação Rogério Bacalhau.

A proposta “Concessão de Gestão, Exploração e Fiscalização de Estacionamento de Duração Limitada”, que preconiza a passagem para a Ambifaro dos parquímetros que estão sem funcionar desde o final de 2018,  foi aprovada na Assembleia Municipal de Faro graças ao voto a favor de um elemento da bancada socialista, José Jerónimo, o presidente da União de Freguesias de Conceição e Estoi. Foi este voto em contracorrente – os demais socialistas chumbaram a proposta – que fez a diferença numa aprovação à tangente, com 16 votos a favor  e 15 contra.

Além do presidente de junta socialista, votaram a favor os elementos da coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM, que elegeu o presidente da Câmara Rogério Bacalhau, e o deputado municipal do PAN. Os votos contra surgiram do PS, da CDU e do BE.

Em declarações ao Sul Informação, Rogério Bacalhau disse que ontem «foi aprovada a melhor solução, nem que seja por ser a única» para a cobrança de parquímetros na cidade e saneamento financeiro da Ambifaro, empresa que passou a integrar, há alguns anos, o Mercado Municipal de Faro, estrutura a braços com uma dívida de cerca de 10 milhões de euros.

E a solução encontrada foi passar para a Ambifaro a gestão dos parquímetros da cidade, de modo a que a receita gerada, «estimada em cerca de um milhão de euros por ano», possa ser usada para abater este passivo.

Segundo Rogério Bacalhau, os encargos anuais da Ambifaro com a banca «são na ordem dos 700 mil euros, entre juros e amortizações», pelo que a receita estimada dos parquímetros permitirá fazer face a estes encargos. «O dinheiro dos parquímetros vai servir exclusivamente para pagar a operação – porque temos de contratar pessoal e manutenção das máquinas – e para os encargos financeiros. Foi nisso que consistiu a proposta», assegurou.

 

Rogério Bacalhau

 

O presidente da Câmara de Faro conta recolocar os parquímetros a funcionar «em tempo útil, provavelmente dentro de um mês ou dois». Esta celeridade só é possível por a concessão ter ficado na esfera empresarial, ainda que municipal. «Se ficasse na esfera da Câmara, demoraria muito mais, pois seria necessário alterar mapas de pessoal, fazer concursos e por aí fora», disse.

«Com a verba dos parquímetros, vamos conseguir pagar a dívida do mercado relativa à sua construção. Desde que foi feita a obra, só conseguimos pagar este ano 1,5 milhões de euros, com verba que nós colocámos lá, porque até à data nunca foi possível amortizar absolutamente nada», explicou Rogério Bacalhau.

Assim, a aprovação desta proposta «resolve o problema dos parquímetros e o da dívida que nós temos no mercado. Com isto, acabamos por criar condições para sanear completamente as contas tanto do município, como das empresas municipais».

O edil farense adiantou que a fusão da antiga empresa Mercado Municipal de Faro com a Ambifaro, em 2014, colocou, desde logo, em causa a viabilidade financeira da empresa que daí resultou. «Nós fizemos a fusão das empresas para reduzir custos, mas não é possível fazer face à dívida, a não ser desta forma. Estamos a falar de 9,5 milhões de euros, o mercado nunca geraria receita para pagar esta dívida».

Com a passagem da gestão dos parquímetros para a empresa municipal, Rogério Bacalhau acredita que este problema deixará de se colocar. Outra vantagem é que este serviço passa para a esfera do município, «sem estar a dar lucros exorbitantes a privados».

Com a aprovação desta proposta, o executivo municipal do PSD consegue levar avante uma ideia que já acalentava desde que decidiu não renovar a concessão dos parquímetros a privados, mas que a oposição, em maioria na Assembleia Municipal de Faro, não tinha deixado passar, num primeiro momento.

Em Janeiro, uma primeira proposta do executivo de Rogério Bacalhau foi chumbada na Assembleia Municipal, tendo na altura contado o voto de qualidade do presidente da AM farense, o socialista Luís Graça.

Na altura, o Rogério Bacalhau disse que o chumbo poderia levar ao fecho da Ambifaro, com as implicações que isso poderia ter. O edil acusou a oposição de querer «deixar morrer a empresa».

Já o PS falou em «chantagem» da parte do presidente da Câmara e disse que a Ambifaro era «o saco azul» do município.

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