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Chaplin veio a Faro no arranque dos cine-concertos do “Video Lucem”

Na tela, bem no centro do altar da Igreja de São Francisco, em Faro, Charles Chaplin esteve a bordo de um barco, enganou um empregado de mesa e até foi polícia. No acompanhamento musical, Maria João cantou (e dançou!), João Farinha tocou piano e Zé Eduardo contrabaixo. A igreja encheu, o público riu e assim começou o novo “Video Lucem”.

A noite desta quinta-feira, 9 de Novembro, foi no mínimo diferente para todos os que decidiram ir à abertura da 2ª edição da iniciativa.

É que assistir a um cine-concerto não é algo muito comum. Tudo começou com as peripécias de Chaplin, na curta-metragem “O Emigrante”. Apesar de o filme ser mudo, o acompanhamento musical, do piano e sintetizadores, e vocal fê-lo esquecer.

Os movimentos, o desenrolar da história… no fundo, tudo o que se ia passando na tela coincidia com o que Maria João cantava e João Farinha tocava. Até mesmo as lutas de Chaplin com um empregado de mesa.

Depois, foi a vez de entrar em cena Zé Eduardo, com “A Opinião Pública”. A surpresa foi ainda maior. O filme é de 1923, mas Charlot, anos depois, tomou uma decisão: «o Chaplin, de uma forma inteligente, nos anos 50, disse: vou musicar os meus filmes mudos e aqueles que forem musicados por mim não o podem ser por mais ninguém», explicou Anabela Moutinho, do Cineclube de Faro.

Então, aquilo a que se assistiu foi a Zé Eduardo a musicar as peripécias amorosas do filme, de Marie, Jean e Pierre, sem que a película fosse exibida.

Para terminar, houve Chaplin na “Rua da Paz”. O polícia Charlot foi, mais uma vez, devidamente acompanhado pela música de João Farinha e a voz de Maria João, com Stevie Wonder à mistura.

No final, a cantora estava visivelmente satisfeita.

«Foi uma grande honra e uma grande felicidade. Esta foi a primeira vez que fiz tal coisa: cantar para um filme. Exigiu uma grande disciplina, mas foi incrível. Não esperava ter gostado tanto», disse ao Sul Informação. 

O facto de a igreja ter estado cheia foi uma «surpresa agradável» para a cantora. «Também foi muito bom ter reencontrado o Zé Eduardo, que esteve no meu começo», acrescentou.

Na plateia estiveram Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, Dália Paulo, comissária do 365Algarve, Alexandra Gonçalves, diretora regional de Cultura do Algarve, mas também o padre Carlos Aquino, responsável pela Pastoral de Cultura da Diocese do Algarve.

Aliás, os padres Carlos Aquino e Miguel Neto, responsável pela Pastoral de Turismo, mereceram referência no discurso inicial de Carlos Rafael Lopes, diretor do Cineclube de Faro, promotor da iniciativa.

«Têm sido os porta-estandartes da iniciativa, no seio da Diocese do Algarve, e têm compreendido, com uma atitude notável, e uma abertura de espírito absolutamente única, a força que este tipo de iniciativas tem e a capacidade evangelizadora que o próprio cinema pode ter», considerou, num discurso emocionado.

Já Dália Paulo disse que… «isto é o 365Algarve. Património vivo, com vida, mas acima de tudo com projetos de hoje que nos façam pensar a sociedade e que nos mostrem hoje o que somos no Algarve».

A próxima sessão do “Video Lucem” está marcada para 7 de Dezembro, às 21h30, na Igreja de São Clemente, em Loulé. Custódio Castelo, na guitarra portuguesa, Carlos Menezes (contrabaixo) e Fad’NU (voz e guitarra) vão musicar “A Mãe”, de Vsevolod Pudovkin (URSS, 1926).

Para ver a restante programação clique aqui.


Fotos:
Pedro Lemos | Sul Informação

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