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Ameixial já se prepara para receber de braços abertos os caminhantes do Walking Festival

Quem acha que caminhar é ir do ponto A ao ponto B, o mais direta e rapidamente possível, sem distrações, deverá afastar-se o mais possível do Ameixial, entre os dias 28 de Abril e 1 de Maio.

É que, caso lá passe, é quase certo que se sinta tentado a participar nas muitas atividades que o Festival de Caminhadas tem para oferecer, e a entabular conversa com algum habitante da Serra do Caldeirão que o receba com uma palavra afável e um sorriso.

Nos dias que correm, as pessoas que vivem em plena serra, no interior do concelho de Loulé, já não recebem muita gente de fora. Isso não significa que não saibam receber bem. Foi com mesas fartas de iguarias tipicamente serranas, sorrisos abertos e calor humano que jornalistas e representantes de diversas entidades parceiras do Walking Festival do Ameixial foram recebidos no périplo que fizeram pelo território serrano, em busca das pérolas existentes em diferentes freguesias louletanas.

Uma ação da organização do evento e de vários parceiros do festival, que visou não só dar a conhecer o vasto programa do Walking Festival Ameixial (WFA) 2017, mas também proporcionar aos convidados algumas das experiências a que os participantes terão acesso, num ano em que o evento vai crescer a quase todos os níveis.

À boa maneira portuguesa, esta história começa e termina à volta de uma mesa. Pelo meio, houve caminhadas, muito património e locais de interesse para conhecer e encontros com gente local e as histórias que têm para contar.

Guiados por Bruno Rodrigues, da cooperativa Qrer (Projeto Querença), João Ministro, da empresa Proactivetur, e  Pedro Barros, do Projeto Estela e especialista nas estelas com a misteriosa Escrita do Sudoeste, que inspira este festival, os elementos do grupo fizeram-se ao caminho para descobrir a anta funerária do Beringel, com mais de 4 mil anos, paisagens idílicas em locais onde só se chega a pé e traços patrimoniais únicos desta zona do Algarve, como os palheiros com telhado cónico, feito de colmo, que não se encontram noutros locais da região.

Pelo caminho, como sempre acontece a quem se faz à estrada de espírito aberto, houve encontros com quem convive com esta paisagem e com este património desde sempre, há tanto tempo que não escondem um certo espanto por verem o interesse que geram.

Otília Maria é um bom exemplo. A habitante de Corte d’Ouro tem na sua propriedade um dos originais palheiros, raros no Algarve, ainda que comuns noutros locais, e recebe o grupo com amabilidade. Bombardeada por perguntas, vai explicando que o palheiro já lá estava quando nasceu, há 81 anos, e que já o seu pai e o seu avô, tanto quanto sabia, tinham brincado à sombra das suas pedras.

E se a conversa sobre palheiros não teve o dom de demonstrar o lado conversador de Dona Otília, uma pergunta sobre as suas bem constituídas galinhas é a solução – sim, são poedeiras, porque senão «vão logo parar à caçarola», conta, com uma gargalhada. E faz questão de mostrar o seu orgulho, uma pequena galinha branca, de uma raça que não sabe identificar, mas que é a sua preferida.

Mais à frente, é tempo de nos cruzarmos com arte que chegou há menos de um ano a este território, mas que não deixa indiferente quem por ela passa. Em 2016, durante a 4ª edição do WFA, a artista Sara Navarro foi convidada a intervir sobre a paisagem e deixou no Ameixial marcas para a posterioridade.

Em casas da aldeia do Ameixial, mas também em localidades próximas, como Azinhal dos Mouros, foram pintados símbolos da Escrita do Sudoeste, uma forma de tornar este património mais conhecido e de criar pontos de atração num território assolado pela desertificação.

Esta herança cultural, a primeira forma de escrita que existiu na Península Ibérica e que nos foi deixada por um povo que viveu há mais de dois milénios e meio, inspira diversas caminhadas e é também o tema central da exposição de arqueologia «Quem nos escreve desde a Serra», que os participantes do festival poderão visitar, orientados por um guia.

Em 2017, Sara Navarro volta a trazer o seu talento artístico até ao Ameixial e a promover uma experiência participativa em arte pública, mas não será a única artista plástica presente. Os organizadores do evento também lançaram  o desafio a Susana Martins, que irá reabilitar da Fonte dos Barreiros.

Outra riqueza da serra é a sua gastronomia, cujo qualidade e sabor o grupo de jornalistas e parceiros do Festival de Caminhadas do Ameixial pôde comprovar.

A primeira paragem do dia foi para “reabastecer”, provando os pratos carregados de sabores serranos, cozinhados com produtos locais, do chefe de cozinha Nuno, do restaurante Tia Bia, no Barranco do Velho. O jovem chef decidiu mudar-se do litoral do Algarve, acompanhada pelo sua mulher Cátia, para a localidade onde nasceu, de modo a dinamizar este negócio de família.

E há quem faça muitos quilómetros, de propósito, para provar os pratos do jovem cozinheiro, que aliam, com mestria, os saberes das gentes da serra com ideias gastronómicas modernas, e ser servido por um staff jovem e que não poupa nos sorrisos.

A terminar o dia, a comitiva ainda teve a oportunidade de provar um cozido de grão, habilmente confecionado pelas simpáticas e talentosas senhoras do Café Central do Ameixial, o mesmo prato que será servido no Jantar Serrano de Convívio, uma novidade desta 5ª edição do WFA marcada para o dia 28 de Abril (sexta-feira).

Sob a batuta da Dona Maria Antónia, a proprietária do estabelecimento, as “Marias” depressa fazem os comensais sentir-se em casa. E a sensação com que se fica é a de se estar na casa de família, tal é o ambiente familiar que se cria e a boa disposição constante. No final, não faltou o medronho serrano.

As simpáticas “Marias” do Café Central do Ameixial

Ao longo de um dia, a organização do Festival de Caminhadas do Ameixial conseguiu proporcionar um leque variado de experiências aos seus convidados. O que não fará em quatro…

 

Veja alguns dos segredos que o interior do Algarve tem para oferecer:

Fotos: Hugo Rodrigues | Sul Informação

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