Eleições em Rede 2019: «O SNS está a transformar-se no serviço dos pobrezinhos» [vídeo]

A publicação deste conteúdo insere-se no projeto “Eleições em Rede 2019”, do qual faz parte o Sul Informação

O número de cirurgias programadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) cresce todos os anos. No ano passado atingiu-se o valor mais elevado, quase 595 mil, segundo o Relatório Anual de Acesso a Cuidados de Saúde de 2018, divulgado a 2 de Setembro, já depois da gravação desta entrevista.

Contudo, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, o aumento global destas operações foi conseguido à custa do crescimento das intervenções feitas nos hospitais privados (convencionados) ou do sector social (protocolados), com os quais o Estado tem acordos. Os hospitais públicos e os cuidados de saúde primários encaminharam para estas unidades mais de 65 mil pessoas para serem operadas, em 2018, 11% dos atos cirúrgicos programados em todo o SNS.

Nunca se operou tanto no privado com dinheiro público. Face a 2017, realizaram-se mais 25,8% (6.354 cirurgias) nos hospitais convencionados e mais 15,5% (4.598 cirurgias) nas unidades de saúde protocoladas.

Em sentido contrário, num ano que terminou com a primeira de duas greves dos enfermeiros nos blocos operatórios, os hospitais públicos (incluindo parcerias público-privadas) perderam terreno, tendo realizado menos cirurgias (-0,9%) que no ano anterior. Foi a primeira vez que tal aconteceu, desde 2006.

Quantidade ou qualidade?

Para Ana Paiva Nunes, médica internista no Hospital de São José, em Lisboa, e porta-voz do Movimento SNS in Black, os dados de 2017, que traçavam uma realidade semelhante, já não eram boas notícias. “Com a contratação com privados há sempre uma degradação da qualidade, porque ninguém afere a qualidade da prestação de serviços”, afirma. Numa entrevista sobre o dia-a-dia no SNS, falamos sobre a dependência do setor privado, a contratação de profissionais, o estatuto dos médicos e gratuitidade da saúde.

 

Este conteúdo foi publicado originalmente no Fumaça que, tal como o Sul Informação, integra o projeto “Eleições em Rede 2019

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