Quinta da Aveleda compra Morgado da Torre para produzir vinhos no Algarve

Quinta da Aveleda quer apostar no enoturismo

A Quinta da Aveleda comprou parcialmente e vai explorar a Quinta Morgado da Torre, em Portimão. O maior produtor de verde do país, responsável por marcas como a Aveleda, ou Casal Garcia, vai começar também a produzir vinhos no Algarve, anunciou hoje a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA).

«Após análise do mercado e avaliação da região, já é oficial a presença do maior produtor de vinho verde e um dos maiores exportadores nacionais, na Região Vitivinícola do Algarve, seguindo uma tendência de diversificação de mercados produtores e confirmando a atratividade da região para a produção vitivinícola», realça a CVA.

Depois da vinda em 2014 da Casa Santos Lima para a região, onde iniciou a sua produção de vinho com a classificação IGP Algarve, agora é a Quinta da Aveleda S.A., que «passa a integrar o lote de 41 produtores registados na CVA, o maior número registado após a recuperação do setor no Algarve, ocorrida a partir da década de 2000», congratula-se a comissão vitivinícola algarvia.

Segundo a CVA, a aposta da Quinta da Aveleda «começa a partir da Quinta do Morgado da Torre, num negócio que envolve a sua compra parcial e exploração, dando continuidade ao projeto de João O’Neill Mendes, iniciado em 1998, e que agora terá um novo rumo com vista ao crescimento do grupo na região e ao reconhecimento dos Vinhos do Algarve, que irão começar a ser produzidos nas próximas vindimas, já com o dedo do Grupo Aveleda».

Para Carlos Gracias, presidente da CVA, «os novos produtores são sempre bem-vindos à região, e irão comparticipar para o aumento da notoriedade e reconhecimento dos Vinhos do Algarve. É com o contributo de todas as quintas, adegas e produtores da região, que iremos consolidar a oferta de vinhos diferenciadores “vinhos de autor”, criar um conjunto alargado de unidades no âmbito do enoturismo e desenvolver uma região vitivinícola ímpar e atrativa, a nível nacional e internacional».

Martim Guedes, um dos administradores da Quinta da Aveleda explica, em conversa a CVA, que a aposta no Algarve aconteceu depois de Filipe Vasconcelos, do Morgado do Quintão, ter dado a provar alguns vinhos do Algarve.

Martim Guedes e António Guedes, administradores do Grupo Aveleda

«Os vinhos foram uma agradável surpresa e percebemos que a região já está a fazer vinhos de grande qualidade. Ficámos imediatamente com curiosidade para perceber o porquê, os solos, o clima, as castas… percebemos que tem o potencial para vir a ser uma grande região de vinhos e temos vontade de fazer parte desse caminho. Por isso decidimos investir», conta.

Para Martim Guedes, o Algarve «pode trazer ao nosso portefólio um conjunto de vinhos diferentes e complementares dos que já fazemos nos Vinhos Verdes, no Douro e na Bairrada. Mas sobretudo sentimos que há um enorme potencial no próprio mercado algarvio, sobretudo no canal HORECA, que valoriza os vinhos da região, mas onde a larga maioria do consumo ainda é de outras regiões. Estamos certos que isso vai mudar e cada vez vai ser mais natural para quem visita o Algarve, beber vinhos locais. Por isso o nosso primeiro objetivo é a presença nos canais de venda da região, com um posicionamento muito qualitativo».

A longo prazo, o responsável da Quinta da Aveleda diz que «a nossa ambição é grande. Porque sentimos que a região pode ir longe, que fez nos últimos 15 anos um trajeto qualitativo muito importante, mas que ainda não foi totalmente divulgado. Acreditamos que os vinhos do Algarve têm de ser o vinho de referência na região, mas também fora dela. Ainda não começámos a comercializar e já temos pedidos, dos EUA, do Canadá….o nome Algarve é muito conhecido e gera muito interesse».

O outro «sonho» da empresa é o enoturismo. «A região precisa de diversificar a oferta para além da praia e do golfe, o enoturismo faz todo o sentido. E a nossa leitura é que essa procura não é só no verão, mas sim ao logo de todo o ano. Por isso vamos fazer um investimento importante no enoturismo», adianta.

Sobre a compra da Quinta do Morgado da Torre, Martim Guedes explica que «visitámos várias propriedades no Algarve e a Quinta do Morgado da Torre tinha condições perfeitas: está na zona de influência da Serra de Monchique, significando que tem um clima mediterrânico ameno; excelentes solos argilo-calcários; parte da quinta é plana (excelente para castas brancas) e parte em encosta (excelente para castas tintas)».

Além disso, «a localização, em Alvor, tem ótimos acessos, para potenciar o enoturismo. Assim, comprámos parte dos ativos da Quinta do Morgado da Torre, e alugámos outros, ficando todos esses ativos dentro da Aveleda S.A.. Muito importante foi a continuidade da exploração das marcas (sobretudo Alvor) e do negócio, iniciado em 1998 pelo João O’Neill Mendes, que teve um papel fundamental na elevação da qualidade dos vinhos do Algarve, tendo os seus vinhos já um grande prestígio e reconhecimento».

Para Martim Guedes, o Algarve «precisava de ganhar consistência nos seus vinhos, mas já está a fazer esse caminho. Agora precisa de investimento na vinha e na comunicação, e aí podemos ter um papel a desempenhar. Vai ser preciso algum tempo para perceber melhor o caminho a seguir. À partida, tem todas as condições naturais para se tornar uma referência internacional em rosés de qualidade, mas precisamos de ver se se confirma essa possibilidade», conclui.

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