Culatra, Tavira e Lagoa candidatam-se às “7 Maravilhas à Mesa”

Panados de peixe aranha, uma caldeirada de atum fresco, pão caseiro de cabeça da Luz de Tavira, vinho rosé de castas […]

Panados de peixe aranha, uma caldeirada de atum fresco, pão caseiro de cabeça da Luz de Tavira, vinho rosé de castas algarvias e uma visita à Ria Formosa. A ilha da Culatra, em Faro, a unidade hoteleira Vilacampinas, de Tavira, e Lagoa são candidatas ao programa “7 Maravilhas à Mesa” e estes são alguns dos itens dos menus. 

Assim, a União das Freguesias de Faro «tem estado a trabalhar nas últimas semanas na apresentação de uma candidatura às “7 Maravilhas à Mesa”», diz aquela autarquia.

No coração da Ria Formosa, uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, surge a Culatra, «com a sua genuína e hospitaleira comunidade piscatória e com as suas praias paradisíacas».

A principal festividade desta comunidade comemora-se no primeiro fim de semana de Agosto, tendo como ponto alto a procissão em honra à Nossa Senhora dos Navegantes, onde participam centenas de embarcações que são especialmente preparadas e decoradas para o momento.

Esta festividade, considerada património cultural imaterial do Algarve, foi uma das vencedoras do Orçamento Participativo de Portugal.

A comunidade da Culatra «mantém as suas tradições bem como uma forte simbiose com a natureza que propicia o melhor da gastronomia regional e a utilização de produtos endógenos como a salicórnia, substituto natural do sal».

A candidatura é por isso composta na categoria de “Património Histórico, Cultural e Natural” pela Ria Formosa, como destino turístico ambiental e natural de excelência, enquanto que as festividades da Nossa Senhora dos Navegantes são o evento escolhido para a categoria do “Património de Eventos de Afirmação Territorial”.

Na componente gastronómica, a candidatura é composta por um dos petiscos mais desconhecidos e enigmáticos: os panados de peixe-aranha, «uma surpreendente e saborosa iguaria, acompanhada por um vinho rosé de castas algarvias».

Panados de peixe-aranha

Outra aposta na componente gastronómica é um dos pratos mais populares algarvios, a cataplana de peixe e marisco, preparada por uma receita tradicional das gentes da Culatra, «que conhece nestas paragens um dos melhores locais para a sua confeção, seja pela sua proximidade aos viveiros de bivalves, seja pela presença do porto de pesca que abriga dezenas de embarcações e que diariamente trazem à Culatra o melhor peixe da nossa costa».

Bruno Lage, presidente da União das Freguesias de Faro, está confiante sobre a seleção desta candidatura à próxima fase deste concurso porque «conjuga a identidade e a autenticidade de um povo, com o turismo de natureza de que se pode usufruir na Ria Formosa, aliada à gastronomia genuína algarvia proveniente de produtos endógenos e da costa algarvia».

Já em Tavira, a unidade hoteleira Vilacampina Guesthouse candidatou quatro mesas. A primeira propõe uma estadia na Vilacampina Guesthouse, uma pequena unidade de luxo, inserida em zona rural e apenas a alguns minutos de distância do Parque Natural da Ria Formosa.

Na gastronomia, da Marisqueira Capelo há uma entrada de amêijoas de excelência criadas na Ria Formosa, um autêntico viveiro natural, e uma caldeirada de atum fresco oriundo de uma armação de atum ao longo da Fuzeta. Para acompanhar, um vinho rosé Barranco Longo de 2017.

Desta mesa ainda consta um azeite virgem extra suave produzido no Lagar de Santa Catarina e uma visita às salinas artesanais da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim onde poderá provar a flor de sal colhida manualmente pela Salmarim.

Para terminar esta experiência, o convite passa por embarcar com os Passeios Ria Formosa para conhecer uma das riquezas naturais do Algarve.

Já a mesa dois, além da estadia na Vilacampina, tem, na parte gastronómica, como parceiro o restaurante Alcatruz, localizado em Santa Luzia conhecida também como a capital do polvo, com um petisco tradicional algarvio: a salada de ovas de polvo.

Como marisco também do Alcatruz, há um polvo suado. A somar, as estas maravilhas temos as ostras do Moínho dos Ilhéus que são criadas no coração da Ria Formosa. Como combinação o vinho branco Grande Escolha do Barranco Longo. A somar à mesa, a proposta é uma visita ao Centro de Ciência Viva, em Tavira, instalado na antiga Capela do Convento do Carmo, onde poderá tirar partido da grande riqueza natural e patrimonial envolvente.

Para terminar esta experiência, há ainda a proposta de embarcar com os passeios Ria Formosa.

Quanto à mesa três inclui, também, a estadia na Vila Campina Guesthouse. Já na parte da gastronomia, o convite é ir comer ao Noélia & Jerónimo, «restaurante de referência com um ligeiro toque de modernidade, mas sem perder a essência algarvia».

A chef Noélia propõe um arroz de ostras com espumante. «Casamos este prato com um vinho reserva Branco Bruto Natural “QUÊ 01” do Barranco Longo. Temos também o mel de laranjeira produto único característico do Algarve e o genuíno medronho do Algarve com uma qualidade distinta. Como roteiro sugerimos uma visita aos Dias de Aromas para conhecer algumas das espécies de ervas aromáticas como a nêveda ou o tomilho».

Esta mesa inclui ainda a proposta de um passeio às salinas artesanais da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim.

Por fim, a mesa quatro está relacionada com a Dieta Mediterrânica, o que faz todo o sentido, uma vez que Tavira é a comunidade representativa de Portugal na inscrição da Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial da UNESCO.

Além da estadia na Vilacampina, as propostas passam pela marisqueira Capelo, com uma entrada de amêijoas de excelência, criadas na Ria Formosa, um bife do lombo de atum fresco, oriundo de uma armação ao longo da Fuzeta, e o vinho branco Grande Escolha, do Barranco Longo.

A somar a esta experiência, «propomos o azeite virgem extra suave produzido no Lagar de Santa Catarina, não podendo faltar na mesa, o pão caseiro de cabeça da Luz de Tavira». Para completar esta experiência propõe-se também uma visita aos Dias de Aromas para conhecer algumas das espécies de ervas aromáticas únicas desta região.

Lagoa também já apresentou uma candidatura a este programa. O menu do município passa por umas sardinhas “de boa morte”, papas de milho, lulas cheias, feijão com couve e carnes da salgadeira. Tudo acompanhado por um vinho Marquês dos Vales Banco 2016 e o Tinto Grande Escolha 2014.

Quinta dos Vales e Restaurante Charneco serão os convidados de honra de Lagoa por esta candidatura que promete eleger 49 mesas pré-finalistas, sete representativas da identidade patrimonial gastronómica de cada região do país.

Através desta candidatura, Lagoa «apresentará a riqueza da sua gastronomia, resultado da diversidade dos produtos que utiliza, bem como das ancestrais formas de confeção, introduzidas por povos que aqui deixaram a sua história, o seu saber. É com base neste património que é agora apresentado um menu representativo do melhor que a terra e o mar podem oferecer», explica a autarquia.

Farão parte deste leque de iguarias um petisco, uma sopa, um prato de frutos do mar e um prato de carne. Irão à mesa as Sardinhas de “boa morte” (petisco conservado no sal da salina da Mexilhoeira da Carregação, a única em funcionamento no Barlavento Algarvio); as Papas de milho (“sopa” preparada com milho reduzido a farinha no único dos seis moinhos de maré do rio Arade que ousaram sobreviver ao tempo, no Sítio das Fontes); Lulas cheias (prato de pescado) e Feijão com couve e carnes da salgadeira (prato de carne).

Acompanham este património gastronómico dois vinhos: o Marquês dos Vales Banco 2016 (Arinto, Síria e Malvasia Fina), proveniente de um solo argilo-calcário e marcado pela frescura, boa mineralidade e acidez.

Possui uma nota de prova que revela alguma fruta branca madura e vegetal com sabores fumados e a especiarias e um final de boca sedoso, mas longo e persistente, o que combina na perfeição com as lulas recheadas ou mesmo as sardinhas “de boa morte”.

O Marquês dos Vales Tinto Grande Escolha 2014 confere aos restantes pratos a certeza da opção ideal por se tratar de um vinho rico e complexo (Touriga Franca, Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Aragonês), com notas de frutas silvestres e especiarias e uma suavidade que lhe é conferida pelo estágio de 14 meses em barricas de carvalho francês de grande qualidade.

Lagoa alia ainda, ao prazer das iguarias apresentadas, a experiência de palmilhar um dos mais belos percursos de costa na região algarvia – os 7 Vales Suspensos.

«A Natureza excedeu-se e forjou um lugar mágico repleto de arribas, pórticos suspensos sobre o mar e grutas com milhões de anos. Ao longo de 5,5 quilómetros, cada arriba, cada algar, cada escarpa recordará o visitante de que se encontra na presença de “uma obra de arte”, apenas ao alcance da alquimia dos elementos», sublinha.

O programa “7 Maravilhas à Mesa” conta com o alto patrocínio do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural; Secretaria de Estado do Turismo e Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e é desenvolvido em parceria com a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) e a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

Organizada pela EIPWU, entidade detentora dos direitos exclusivos da marca das 7 Maravilhas, o evento terá a sua final no dia 16 de Setembro, onde as 7 Maravilhas à mesa serão escolhidas por votação direta da população portuguesa.

Esta iniciativa pretende promover as regiões, a autenticidade e a gastronomia portuguesa motivos que contribuem para a afirmação de Portugal enquanto destino turístico de referência.

 

 

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