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Se Manuel Teixeira Gomes vivesse em 2018, não iria perder o festival “Entre Mares”

Halka

Se Manuel Teixeira Gomes vivesse no século XXI, a que espetáculos gostaria ele de assistir? Esta pergunta foi o ponto de partida para a criação do Festival Entre Mares, que vai acontecer no TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, entre 3 de Maio e 7 de Junho. Haverá espectáculos de novo circo, dança, world music, teatro e cinema vindos do outro lado do Mediterrâneo, mas também há espaço para a criação made in Portimão.

«Imaginemos um Teixeira Gomes contemporâneo, um amante da música, da arte, o que é que ele procuraria ver se continuasse a viajar pelo Mediterrâneo Sul? É a partir daí que nasce esta ideia de tornar a cidade de Portimão um palco para apresentar a criação artística contemporânea de alguns países magrebinos», explica João Ventura, diretor artístico do TEMPO, ao Sul Informação.

Marrocos será um dos países representados no palco do TEMPO. «Halka, do Grupo Acrobático de Tânger, vai abrir o festival [dias 4 e 5 de Maio, às 21h30]. É um espetáculo de novo circo de um grupo que é uma referência internacional e que costuma atuar muito em França, mas também no resto da Europa, Estados Unidos e Canadá», adianta João Ventura.

De acordo com a Câmara de Portimão, «em “Halka”, a arte acrobática marroquina ancestral vê-se a braços com um grupo de 14 acrobatasque derruba as fronteiras geográficas culturais, de género e de classe, oferecendo-nos uma hora intensa de circo contemporâneo popular e democrático, cheio de proezas acrobáticas singulares ao ritmo dos tambores, do tar, do banjo e do ribab, misturando em palco poesia, humor e melancolia».

Oum

Também de Marrocos, vai viajar até Portimão, Oum, «uma cantora de Marraquexe, que vai trazer a World Music ao festival e que faz uma fusão entre a música tradicional marroquina e a música contemporânea», revela o diretor artístico do TEMPO. Este espetáculo está agendado para o dia 19 de Maio.

O Entre Mares terá ainda uma «estreia mundial». Ziya Azazi, que atuou no TEMPO em 2010, é um bailarino que «faz fusão entre a dança dervish e contemporânea. Será um solo, com dois músicos ao vivo, mas é mais do que isso. Ziya Azazi vem acabar de preparar este espetáculo aqui em Portimão. Vai estar em residência a partir do dia 3 e apresenta-se no dia 12. Será um espetáculo também com uma componente tecnológica bastante interessante. É imperdível», garante João Ventura.

Ziya Azazi vai ainda ministrar um workshop de dança dervish, destinado a pessoas com mais de 18 anos, com ou sem formação em dança. Esta iniciativa acontece nos dias 3 e 4 de Maio, entre as 18h30 e as 21h30 e, no dia 5 de Maio, das 15h30 às 18h30, custando 30 euros.

Para 26 de Maio, está agendada a peça “Dois Séculos”, pela companhia Quorum Ballet, coreografada por Daniel Cardoso. Este espetáculo, que será «uma performance evocativa de Manuel Teixeira Gomes, alia as linguagens da dança, do teatro, da poesia, da música, das artes plásticas e das técnicas multimédia».

Além dos artistas internacionais, o Entre Mares também é feito por «gente da terra». Para João Ventura, este encontro entre artistas internacionais e artistas locais no mesmo festival «é fundamental para nós». «O TEMPO pertence à cidade, pertence à comunidade e pretende ser uma alavanca para criação local emergente. Nada melhor do que aproveitar a vinda de artistas de referência a Portimão para criar um efeito de “arrastamento” na produção local, que é amadora, mas que faz um trabalho sério e estruturado. É com essa articulação entre o que vem de fora e o que cá se faz, que se constrói a identidade de um teatro municipal».

A associação cultural Dancenema é uma dos conjuntos locais que vai atuar no Entre Mares. O grupo vai apresentar a peça “Sem Retorno”, «uma reflexão sobre o estado de espírito, personalidade e introspeção acerca dos mundos vivenciados por Manuel Teixeira Gomes, desenvolvida sob o olhar contemporâneo das autoras Ana Alberto e Thora Jorge», explica a Câmara de Portimão.

O cinema ficará a cargo da associação cultural Contramaré, que vai apresentar, no Auditório do Museu de Portimão, uma maratona de cinema do Mediterrâneo. Nesta iniciativa chamada “Mar à Tona”, «o público poderá conhecer um pouco do cinema do Mediterrâneo, fortemente marcado pela presença do mar, através de dois filmes de ficção e um documentário, onde este elemento toma claramente um lugar de destaque», adianta a organização.

Ziya Azazi

Serão apresentados nesta mostra “Balaou” de Gonçalo Tocha, a 3 de Maio, “Novo Cinema Paraíso”, de Giuseppe Tornatore, a 10, e “Na Síria” de Philippe Van Leeuw, no dia 24.

O festival Entre Mares termina com a mostra de teatro escolar “Em cena no Mediterrâneo”, que leva ao palco do TEMPO, nos dias 1 e 2 de Junho, a peça “Um mar de gente” apresentada pelo Teatro da Caverna, da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, e, no dia 7 de Junho, a peça “(Des)Humanidade”, de Marta Freitas, apresentada pelo grupo de teatro do curso profissional de artes do espetáculo da Escola da Bemposta.

Os espetáculos do festival Entre Mares, que integra a programação do 365 Algarve, começam às 21h30. Decorrem todos no Grande Auditório do TEMPO, com exceção do espetáculo de dia 23 de Maio, que acontece na Black Box, e da mostra de cinema, que será apresentada no Auditório do Museu de Portimão.

Os espetáculos “Halka”, “Kismet”, “Zarabi” e “Dois Séculos” realizam-se no Grande Auditório e têm bilhetes a 10 euros, havendo, no entanto, entradas a 7,50 euros para menores de 25 anos, maiores de 65 e grupos de 10 ou mais pessoas. Poderá ainda ser adquirido o Passe Festival para estes quatro espetáculos, pelo valor de 30 euros.

Os bilhetes para o evento na Black Box custam cinco euros. A Maratona de Cinema e a Mostra de Teatro Escolar têm entrada gratuita.

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteira do TEMPO, de terça-feira a sábado, entre as 13h30 e as 18h00, e em dias de espetáculo, até às 22h00 ou na bilheteira online.

A programação completa do festival está disponível aqui.

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