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Algarve procura trabalhadores noutras regiões e no estrangeiro para combater falta de mão de obra

Crédito: Depositphotos

A taxa de desemprego baixou, as ofertas de emprego aumentaram e, principalmente, na época alta, as empresas têm dificuldades para encontrar mão de obra no Algarve. O Instituto de Emprego e Formação Profissional fica com poucos desempregados disponíveis para colocar e uma das soluções passa por procurar trabalhadores noutras regiões do país e até no estrangeiro.

Madalena Feu, delegada do IEFP no Algarve, em entrevista ao Sul Informação, adiantou que, em 2017, a falta de mão de obra levou a que «divulgássemos as ofertas que tínhamos nos serviços de emprego de outras regiões e também recorremos à rede europeia de emprego, o Eures, quer transfronteiriço, ao abrigo do acordo que temos com a Andaluzia, para mobilidade transfronteiriça, quer também a nível europeu».

Segundo a responsável do IEFP no Algarve, as áreas de emprego mais problemáticas são a «agricultura e a hotelaria/restauração, mas também começa a haver dificuldades para o comércio».

No caso específico do comércio, com a abertura do MAR Shopping Algarve, em Outubro do ano passado, o IEFP «reforçou a divulgação das ofertas para essa superfície na Andaluzia e houve alguns interessados com intenções de candidatura. Fizemos duas feiras de emprego, em parceria com os promotores do empreendimento, e vários espanhóis vieram, fazendo inscrições para se candidatarem às ofertas das empresas», adianta.

Madalena Feu

Madalena Feu admite que «podem não ser números muito elevados», até porque, acrescenta, «temos outros problemas, como a falta de alojamento na região e os transportes, que não ajudam à mobilidade dos trabalhadores».

Encontrar soluções para estas dificuldades está fora das competências do IEFP, mas a sua delegada diz que «há uma medida que vamos reforçar em 2018, que é o apoio à mobilidade geográfica. O Instituto pode facultar apoio financeiro aos trabalhadores que vivem a mais de 50 quilómetros do local da oferta de trabalho e que assinem um contrato com duração superior a seis meses, para que possam deslocar-se para a região. Este apoio também é válido para o Algarve, desde que o local de trabalho seja a mais de 50 quilómetros».

Esta medida permite, segundo Madalena Feu, que «empresas com sede fora da região, que conheçam pessoas e as queiram trazer para cá, possam recorrer ao apoio. Isto ajuda a colmatar alguma necessidade de mão de obra e algumas dificuldades financeiras dos trabalhadores para pagar alojamento e alimentação».

A divulgação de ofertas de emprego noutras regiões do país e no estrangeiro também vai ser reforçada em 2018, quer na Andaluzia, quer a nível europeu, neste caso, «mais para o setor da agricultura». «Temos conseguido trabalhar com as empresas e trazer, nomeadamente para a apanha frutos vermelhos e, este ano, também para a apanha de citrinos, alguns trabalhadores da Bulgária, Roménia ou Polónia».

Madalena Feu garante que o IEFP está a «tentar, de forma antecipada, contribuir para minimizar a falta de mão de obra, com o reforço muito grande da divulgação das ofertas, quer com a divulgação dos incentivos de mobilidade geográfica».

No entanto, também há trabalho para fazer com as empresas da região, tendo em conta a sazonalidade que caracteriza o emprego no Algarve. «Tentámos dinamizar de forma ativa o programa Formalgarve e um dos argumentos que dávamos é que este é um apoio que pode vir a minimizar o problema. Se as empresas “agarrassem” os trabalhadores que contrataram em 2017, em 2018, podiam ter esse problema minimizado», explica.

Apesar de a procura de trabalhadores ser grande, mesmo nos meses de Verão, há desempregados que continuam nos ficheiros do IEFP sem encontrar colocação, acima de tudo, trabalhadores de escalões etários mais elevados, com baixa escolaridade, mas também jovens licenciados.

Essa é «outra nossas preocupações: o desemprego que fica durante a época alta. Se alguém não encontra emprego numa região que precisa de mão de obra, há um problema que é preciso resolver», considera a delegada do IEFP.

Para este tipo de desempregados, que não se enquadra nos perfis procurados pelos empregadores, o IEFP quer reforçar as medidas de qualificação, requalificação e reforço de competências.

No caso dos licenciados, Madalena Feu defende uma «reconversão e requalificação dos licenciados. Temos que arranjar resposta para eles. O IEFP tem por tradição formar até ao nível 4, mas um licenciado pode frequentar uma ação nossa na vertente profissional e não escolar. Também convocamos muito estas pessoas para uma formação em línguas, como o francês, uma língua que começa a ser muito procurada», conclui.

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