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Projeto TASA aposta em contratar artesãos para manter viva a arte dos entrelaçados

São cada vez menos, e mais idosos, aqueles que guardam os saberes ancestrais dos entrelaçados. Um sinal de alarme que já soa há muito e que levou a ProActive Tur, empresa que gere o projeto TASA – Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais, a decidir avançar sem a rede do financiamento público para a formação de artesãos em artes como a cana, o vime, a empreita de palma e a palhinha, com o objetivo de contratar dois deles.

Além de garantir que há uma passagem de testemunho dos mestres que ainda existem, todos eles «com idades acima dos 70 anos», a ProActive Tur também dá um contributo para a viabilidade do próprio TASA, já que as solicitações de peças feitas com recurso a entrelaçados são muitas e a capacidade de as produzir é muito pouca.

«O ensino e a transmissão de conhecimentos é a nossa grande causa, atualmente – embora haja coisas que, na verdade, não deveriam ser da nossa competência. Fazer com que este património não desapareça é uma missão que não deveria ser deixada a uma empresa. Mas nós sentimos que, se não fizermos nada, muitas das artes com que trabalhamos vão desaparecer», revelou João Ministro, da ProActive Tur, ao Sul Informação.

Esta é a mais sonante entre as muitas novidades do TASA para 2018, que foram reveladas numa sessão que decorreu no Hotel Anantara de Vilamoura, unidade hoteleira que integra uma loja do projeto. Este hotel, o único na Europa desta cadeia internacional de unidades de luxo, é, de resto, um dos financiadores da formação na arte dos entrelaçados que a ProActive Tur vai lançar.

Este arregaçar de mangas, por parte da empresa que gere o TASA, não é novo. «Este ano, já promovemos o curso da arte do latoeiro, mas porque tivemos apoio, pois suportar as despesas todas sozinhos é complicado», lembrou. Os resultados já podem ser observados no novo catálogo do TASA, apresentado pouco antes do nosso jornal falar com João Ministro.

Em 2018, o TASA «vai juntar um grupo de parceiros privados à sua volta», para lançar a formação em entrelaçados e «financiar aprendizes». As inscrições para o curso serão abertas «a 15 de Dezembro, para que o curso comece em Fevereiro». Serão selecionados seis aprendizes.

No final, será dado «um passo que totalmente novo, para o TASA, que é o de contratar dois artesãos para trabalhar connosco em full time».

«Queremos ter capacidade de resposta e a possibilidade de inovar mais. Os artesãos com quem trabalhamos atualmente são impecáveis, mas também têm algumas limitações. Por exemplo, na época do Verão é difícil encontrar alguém disponível, pois estão a circular por feiras. E há outros que, além de serem artesãos, são agricultores, apicultores, têm de cuidar do cônjuge e só conseguem dedicar uma ou duas horas por semana», ilustrou.

«Ainda há cerca de duas semanas tivemos uma encomenda de 40 candeeiros em cana, para um hotel, e tivemos de recusar, por incapacidade de dar resposta. Não há um mês que passe em que não tenhamos de recusar pedidos e isso está muito relacionado com a área dos entrelaçados», contou.

Além deste projeto, ao qual o Hotel Anantara já se associou, enquanto financiador, e deverá ter mais parceiros, o TASA também se prepara para lançar a primeira edição de um prémio de criatividade na área das artes tradicionais, com um montante associado que «ainda não está definido, mas que queremos que seja generoso».

«Este prémio visa levar mais longe o nome do TASA. Iremos galardoar jovens criativos que trabalhem com as artes tradicionais do Algarve. Uma das questões é que terão de trabalhar com os nossos artesãos. Podem ser designers da China ou do Porto, mas os artesãos têm de ser algarvios. A peça premiada, entrará, posteriormente, no nosso catálogo», explicou João Ministro.

 

Em 2018, o projeto originalmente lançado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)do Algarve, que entretanto ganhou asas e voa por si, também irá continuar a aposta em residências criativas.

«Estamos a trabalhar com uma organização nova em Portugal chamada “Passa ao Futuro”, que tem a sua génese nos Estados Unidos e criou uma sede em Lisboa. Eles estão a criar uma base de dados nacional de artes e ofícios e estão a organizar residências criativas», disse o responsável máximo pela ProActive Tur.

O TASA é o parceiro no Algarve deste projeto internacional. Os responsáveis pela «Passa ao Futuro» já estiveram no Algarve e «já montámos duas residências, que vão acontecer no próximo ano».

Numa primeira fase, estas ações estarão apenas abertas aos contactos internos da organização que colabora com o TASA, mas, «mais tarde, serão abertas aos designers e criativos interessados». O modelo também é diferente das outras residências em que a ProActive Tur esteve envolvida.

«Nestas residências, os criativos adquirem uma espécie de um pacote. Imaginem que são um designer japonês que quer fazer uma peça com cortiça. Respondo ao anúncio, compro o pacote, que me dá direito a alojamento e transporte, e benefício de apoio de pessoas de cá, que me levam a trabalhar com o artesão e me ajudam», descreveu.

No final, o designer tem a opção de levar a peça consigo e ficar com ela ou pode chegar a acordo, de modo a que a peça fique cá.

Muitas ideias que, espera João Ministro, ajudem a que o projeto TASA seja, cada vez mais viável, seja financeiramente, seja ao nível do seu principal objetivo: a preservação dos saberes ancestrais do Algarve.

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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