Tem saudades de um almoço de família?

Iniciativa online do Lavrar o Mar quer mostrar como a cultura – e os espetáculos culturais – estão vivos, em tempos de extremas dificuldades

O risotto tricolor

Os almoços de família têm uma grande importância em várias culturas – e Portugal não é exceção. É neles que, muitas vezes, nos confessamos e «abrimos a alma». Nestes tempos de confinamento, em que não nos devemos juntar à mesa, o Lavrar o Mar não «quis perder» o seu público e criou um laboratório de gastronomia online, com o título “Almoços de família cinematográficos”. A iniciativa decorre em dois fins de semana (27 e 28 de Março e 3 e 4 de Abril), vai juntar cinema e gastronomia e todos são convidados a meter as mãos na massa.

A ideia não é nova, mas Giacomo Scalisi e Madalena Victorino, programadores do Lavrar o Mar, sentiram mesmo que «era necessário fazer algo para quem nos segue».

«No primeiro confinamento, experimentámos fazer o Pasta e Basta, um espetáculo que já aconteceu fisicamente, mas em casa. Como correu bem, agora, com o regresso do confinamento, pensámos em continuar esta experiência», explica Giacomo, ao Sul Informação.

Assim nasceu o “Comer com os Olhos – O Cinema à Mesa”, uma iniciativa que liga a sétima arte à gastronomia.

O primeiro tema foi “Erotismo e comida cinematográfica”, com espetáculos a 12, 13, 19 e 20 de Março, seguindo-se, agora, os “Almoços de família cinematográficos”.

«Às vezes, é nos almoços de família, e falo de família no sentido lato, porque podem ser também amigos, que acontece tudo. São momentos importantes, fundamentais e explosivos», realça Giacomo Scalisi.

Neste laboratório online, foram escolhidos cinco filmes. «Vamos ver alguns excertos, intercalados com a preparação da comida, e escolhemos dois pratos, que são feitos em dois dos cinco filmes, para as pessoas cozinharem», explica.

Cada um estará na sua casa, mas o Zoom transformar-se-á numa verdadeira cozinha, supervisionada pela chef Rosário Pinheiro.

 

As trufas de chocolate

 

E que pratos serão feitos? Um risotto tricolor (que aparece no filme “Big Night”, de Campbell Scott e Stanley Tucci) e umas trufas de chocolate (do filme “Chocolat”, de Lasse Hallstrom).

As outras películas que também serão vistas – em pequenos excertos – são “Yin shi nan nu” (Eat, Drink, Man, Woman), de Ang Lee, “La Graine et Le Mulet (Couscous)”, de Abdel Kechiche, “The Hundred-Foot Journey, de Lasse Hallström, e “National Lampoon’s Animal House”, de John Landis.

Giacomo Scalisi salienta que a experiência nestas iniciativas tem sido muito positiva. «Notamos que o público se diverte bastante. Gosta de cozinhar, de ver filmes e de estar naquela ânsia de saber se o prato sai ou não sai», diz, entre risos.

No fundo, esta iniciativa quer mostrar como a cultura – e os espetáculos culturais – estão vivos, em tempos de extremas dificuldades. «Nós não queremos perder o nosso público. Não nos podemos encontrar, é certo, há dificuldades, mas pensámos mesmo numa maneira de nos vermos, apesar de tudo o que de mau vivemos», realça o programador do “Lavrar o Mar”.

É que as pessoas sentem realmente que «esta é uma maneira de nos reunirmos…nem que seja através da Internet», acrescenta.

Por enquanto ainda não é possível, mas Giacomo Scalisi deixa uma promessa: «mal possamos, queremos fazer o espetáculo ao vivo».

Até lá, se quiser participar na iniciativa online basta-lhe enviar um e-mail para info@lavraromar.pt ou ligar para 913 943 034 a manifestar o interesse.

Após esse contacto e o pagamento da entrada (3,5 euros), será enviada a lista de ingredientes para a ementa e o link de acesso para a sessão desejada, cujo início é sempre às 11h00.

 

 



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