Isolamento de trabalhadores agrícolas evitou «explosão de casos» de Covid-19 em Faro

Rápida atuação das autoridades de saúde evitou males maiores

As autoridades de saúde evitaram o que poderia ter sido «uma explosão de casos» de Covid-19 em Faro, ao isolar cerca de sete dezenas de trabalhadores agrícolas estrangeiros, que privaram de perto com o primeiro homem infetado com o novo coronavírus neste concelho, assegurou hoje Ana Cristina Guerreiro, delegada regional de Saúde.

«Se não tivéssemos tomado estas medidas, poderia ter havido uma explosão de casos em Faro», disse esta responsável, numa conferência de imprensa que teve lugar esta tarde, na sede da Administração Regional de Saúde, em Faro.

No mesmo dia em que foi identificado o primeiro caso de Covid-19 na capital algarvia, o de um nepalês que foi internado e está «na unidade de cuidados intensivos, mas não está em perigo», as autoridades de saúde foram para o terreno e descobriram «três casas perto umas das outras» com pessoas que tinham relações próximas com ele.

«Estas pessoas viviam lá e dormiam muitas no mesmo quarto. Se não tivessem sido tomadas estas medidas, o grupo estaria condenado a ter 100% de casos positivos», contou Ana Cristina Guerreiro.

Desta forma, as autoridades de saúde consideraram necessário garantir o isolamento, com as devidas condições, a estes trabalhadores estrangeiros, que «são na larga maioria indianos e muitos pouco são nepaleses».

Para isso, foi adaptado, em poucas horas, o pavilhão da Escola Básica 2,3 de Santo António, em Faro, para poder acolher estas pessoas.

«O isolamento foi necessário para sua proteção. Fez-se uma divisão dentro do pavilhão entre as pessoas sintomáticas e as que estavam sem queixas. Foram separados no espaço, com casas de banho para cada um dos grupos, bem como separados homens e mulheres», descreveu a delegada regional de Saúde.

Ana Cristina Guerreiro admitiu que estas «talvez não tenham sido as condições ideais», mas que «tudo foi feito com grande esforço» e com «respeito por aquelas pessoas».

Os catres foram, entretanto, substituídos por camas normais e «estão a ser servidas quatro refeições diárias, fornecidas pela Cruz Vermelha Portuguesa», entidade que «também forneceu roupa nova para as pessoas irem vestindo».

«No primeiro dia, foram servidas refeições ocidentais», mas agora «está uma pessoa a cozinhar para eles comida vegetariana e com os temperos indianos», acrescentou.

Neste momento, mantêm-se 59 pessoas no pavilhão.

Ana Cristina Guerreiro revelou, ainda, que os seus colegas estão no terreno «junto de outros aglomerados de imigrantes da região», muitos deles já conhecidos das autoridades sanitárias.

 

 

 

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