Em 2020, um quarto dos alunos da Universidade do Algarve serão estrangeiros

Universidade do Algarve celebrou ontem os 40 anos

Em 2020, um quarto dos alunos da Universidade da Algarve serão de nacionalidade estrangeira, revelou ontem, dia 11, Paulo Águas, reitor da instituição, na cerimónia solene de comemoração dos 40 anos da UAlg.

«Em 2019/20 poderão ser mais de 2 mil os alunos de nacionalidade estrangeira, passando a representar, aproximadamente, 25% da comunidade estudantil», acrescentou.

Na sessão de comemoração do 40º aniversário, o reitor falou de uma universidade que está a crescer e que tem cada vez mais alunos internacionais, mas também dos problemas com que a instituição se debate, que diz estar a tentar resolver, ainda que «nem sempre com a celeridade desejável».

Segundo Paulo Águas, uma das grandes apostas da universidade algarvia, a internacionalização, está a dar cada vez mais frutos. Afinal, o número de alunos estrangeiros, incluindo os da mobilidade, representam já 21% do total de estudantes da instituição e, como se percebe, estão a aumentar.

«Em 2019/20, poderão ser mais de 2 mil os alunos de nacionalidade estrangeira, passando a representar, aproximadamente, 25% da comunidade estudantil», acrescentou.

Em termos gerais, em 2018/19 o número de inscritos aumentou 4,3%. «Foi o terceiro ano de consecutivo de crescimento. Os indicadores disponíveis apontam para novo crescimento em 2019/20. Deveremos voltar a ultrapassar os 8000 estudantes de grau – ou seja, sem mobilidade -, o que não acontece desde 2011/12», enquadrou o reitor da UAlg.

 

 

Há mais estudantes, mas nem por isso há mais alojamento. As questões relacionadas com a habitação estão na ordem do dia, principalmente em Faro, onde há concorrência entre o mercado de arrendamento das famílias, dos estudantes deslocados e do turismo.

Uma das soluções que tem sido apontada é a criação de mais residências universitárias, para juntar mais camas às 500 que os Serviços de Ação Social gerem atualmente.

«A reorganização dos espaços letivos em 2018/19 permitiu libertar o edifício da Escola Superior de Saúde, o qual foi sinalizado pelo Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior. Contrariamente às nossas expetativas, em 2019 os progressos foram lentos. São aguardados novos desenvolvimentos, que poderão possibilitar termos uma nova residência em 2021», disse Paulo Águas.

2019 também foi marcado pelos protestos de funcionários em situação precária, que exigiram regularização dos seus vínculos, ao abrigo de diferentes programas lançados pelo Governo.

«Neste capítulo, referir que, em Fevereiro de 2019, conforme anunciado há um ano, e dando cumprimento à norma transitória do emprego científico, foram contratados 20 bolseiros doutorados. No total, em 2018 e em 2019, ao abrigo da norma transitória, foram contratados 41 investigadores. Ao longo do ano foram abertos outros concursos ao abrigo de outras linhas do emprego científico. Tudo somado, temos hoje mais de 80 Investigadores contratados, valor que continuará a aumentar em 2020», assegurou.

Já no que toca aos trabalhadores não docentes, que constituíram a prioridade no início do mandato, a regularização de vínculos precários foi iniciada em 2019 e está a decorrer, «infelizmente, a um ritmo mais lento do que o desejado».

«Até à data temos aprovados 27 concursos. Há um ano manifestei a intenção de concluir a regularização em 2019. Tal não foi possível. Não se tratou de má vontade. O PREVPAP resulta de uma alteração legislativa. Tem um forte impacto financeiro, que o governo continua a não reconhecer. Não obstante considerarmos que não temos capacidade para acomodar o seu impacto, decidimos orçamentar para 2020, o que não aconteceu em 2019», justificou o reitor da UAlg.

 

 

Este esforço não impediu que a Universidade do Algarve perdesse «112 trabalhadores em nove anos», segundo revelou Cândida Barroso, que representou o pessoal não docente na cerimónia solene do 40º aniversário da UAlg.

Segundo esta funcionária da universidade, que está na casa há 37 anos, o número de trabalhadores desceu dos 452 para os 340, desde 2010.

«Mas o mais grave é que a média de idades situa-se nos 51,2 anos, 40 trabalhadores encontram-se no escalão 60-64 anos e 80 estão no escalão 55-59 anos. A este ritmo, quantos seremos dentro em breve? Que impacto tem esta diminuição de trabalhadores no desenvolvimento da Universidade?», questionou.

Já Vítor Neto, presidente do Conselho Geral da UAlg, disse que testemunhou «o enorme trabalho que tem sido realizado e sobretudo os progressos alcançados, apesar das condicionantes estruturais e dos constrangimentos financeiros e legais. Não é fácil levar por diante esta missão».

«Mas é justo salientar que os resultados se devem também, para além dos esforços do sr. reitor, Professor Doutor Paulo Águas, ao elevado espírito de responsabilidade de todos os parceiros, independentemente de opiniões diferentes que possam existir em várias matérias», acrescentou.

A cerimónia de ontem também serviu para entregar, pela primeira vez, o prémio Manuel Gomes Guerreiro. O vencedor da 1ª edição deste concurso foi Paulo Henrique Faria Nunes, um investigador brasileiro e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, galardoado pelo trabalho «A Institucionalização da Pan-Amazônia», que fala sobre as relações geo-políticas entre os oito países que partilham esta grande floresta tropical e a necessidade de um novo modelo económico transnacional, que garanta a sustentabilidade deste valioso território.

Por outro lado, foram entregues as tradicionais distinções aos funcionários, aos alunos que mais se destacaram e a doutorandos da instituição

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

 

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