Está suspensa avaliação ambiental da Cidade Lacustre de Vilamoura

Projeto merece duras críticas

Está suspenso o procedimento de avaliação de impacte ambiental da Cidade Lacustre, em Vilamoura, acaba de anunciar a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve. A suspensão durará no máximo seis meses e o objetivo é que o projeto seja alterado, devido aos impactos negativos para o ambiente.

Na base da decisão, suportada no parecer da Comissão de Avaliação do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), «encontram-se importantes lacunas de fundamentação e impactes negativos identificados em diferentes fatores ambientais tais como o património cultural arqueológico, a paisagem, a biodiversidade, o território, a socioeconomia, a geotecnia ou as alterações climáticas», explica a CCDR.

Segundo esta entidade, o projeto, que foi alvo de um estudo promovido pela Câmara de Loulé, não demonstra a sua «adequação» face a questões como a subida do nível médio do mar ou a fenómenos como as cheias.

É que a área onde se pretende construir esta mega empreendimento, de 57,4 hectares, é mesmo apontada «como uma das mais vulneráveis do litoral do concelho de Loulé face à previsível subida do nível médio das águas do mar e probabilidade de exposição a futuras inundações costeiras».

Para esta decisão foram tidas em conta as posições de grupos de cidadãos e organizações ligadas ao ambiente. No total, durante a consulta pública, foram recebidas 95 participações. A Associação Almargem e o movimento de cidadãos “Pela Ribeira de Quarteira contra a Cidade Lacustre” encabeçaram a luta.

Segundo a CCDR, no futuro poderá haver «uma nova consulta pública e a uma nova avaliação por parte da Comissão de Avaliação do Estudo de Impacte Ambiental», antes de ser emitida a Declaração de Impacte Ambiental.

A Cidade Lacustre é um projeto antigo e que mereceu duras críticas por parte dos ambientalistas que o apelidaram de «atentado».

A ideia dos promotores – a empresa Vilamoura Lusotor – é construir um mega empreendimento, de 57,4 hectares, com residências, camas turísticas, restaurantes e até quatro zonas de lagos que ligarão as várias zonas do resort.

Tudo isto numa zona sensível do ponto de vista ambiental, tal como mostra este estudo que suporta a decisão da CCDR Algarve.

O investimento previsto é de 640 milhões de euros.

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