A Amazónia somos nós!

5 de setembro é Dia da Amazónia

Quando comecei a escrever este artigo de “Mãe preocupada com o Ambiente” fiquei indecisa sobre qual a tragédia natural a tratar, tal é o estado em que se encontra o nosso planeta Terra.

Aviso já que este texto é impróprio para o consumo de pessoas demasiado críticas, insensíveis, que culpam ora a Esquerda ora a Direita, ou que têm a mania de afirmar que as situações ambientais estão politizadas e, por isso, deverão ser relativizadas.

A questão política não deve ser retirada da equação, mas não pode ser usada para camuflar responsabilidades ou simplesmente, apontar culpados. Não pretendo ser profetiza da desgraça. As linhas que escrevo baseiam-se em factos.

Comecemos por recuar no tempo, porque a maioria tem memória curta, bastante seletiva até, e com uma forte apetência para esquecer aquilo que mais a incomoda, tentando, talvez, como se diz na gíria, tapar o sol com a peneira.

Em 2017, mais de 15 mil cientistas e investigadores de 184 países avisaram a Humanidade que estamos num caminho insustentável e, em breve, sem retorno, destacando as alterações climáticas, a desflorestação, a perda de acesso à água doce, a extinção de espécies e o excessivo crescimento da população humana como as principais ameaças ao planeta Terra.

Os “resultados” vão estando à vista de todos. Aqui fica uma “pequena lista” dos desastres naturais que ocorreram em diversos países, em 2018, provocando feridos ligeiros, danos materiais, devastação e, nalguns casos, mortes:

– Nevão em Barcelona (fevereiro 2018)
– Ondas de calor na Rússia, Suécia, Alemanha, Reino Unido (julho, agosto 2018)
– Chuvas torrenciais em Maiorca (outubro 2018)
– Chuvas fortes em Itália e França (outubro 2018)
– Tsunami e erupção de vulcão na Indonésia (outubro 2018)
– A passagem do Furação Leslie por Portugal (outubro 2018)

Em 2019, a lista não pára de aumentar:

– Os incêndios nas florestas do Ártico: mais de 100 incêndios florestais desde o Alasca, na América do Norte, à região russa da Sibéria, na Ásia, fogos que, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial, só em junho, emitiram 50 mega toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, o equivalente ao total anual de emissões da Suécia. (junho/julho 2019)

– Mais de 40% da área superficial da Gronelândia derreteu num só dia. A Gronelândia viu camadas de gelo a derreter a uma velocidade que não era esperada antes do ano de 2070 – um cenário, que seria o pior imaginável (Junho 2019)

– O mês de julho de 2019 foi o mais quente alguma vez registado no planeta Terra. A Europa foi invadida por uma onda de calor sem precedentes, com a Alemanha, a Holanda, a Bélgica, a Inglaterra e a França a baterem recordes, com muitas cidades a ultrapassar os 40º graus.

– A Islândia perde o seu primeiro glaciar devido ao aquecimento global (agosto 2019)

Qual o denominador comum a todos estes desastres naturais, cada vez mais frequentes e regulares em todo o Mundo? As alterações climáticas!

Em boa verdade, todos estes desastres naturais deveriam ser suficientes para nos convencer a todos, e aos governos mundiais em particular, a tomarmos medidas urgentes, deixando as palavras e passando imediatamente, aos atos. Mas não…

Estamos a assistir impávidos e serenos a um desastre à escala mundial. Responsabilidade de quem? De todos nós. Mas, principalmente, de escassas centenas de empresas que provocam quase todas as emissões nefastas, principalmente na produção agropecuária, responsáveis pelo desmatamento e pelas emissões de gases de efeito estufa. Poucos homens, muito ricos, que ganham milhares de milhões destruindo o planeta; o benefício de poucos para prejuízo de biliões.

As alterações climáticas são “a maior ameaça à Humanidade em milhares de anos”, mas a maioria de nós parece nem se preocupar. Às vezes penso que, entre a espécie humana, deverão existir realmente extraterrestres, oriundos de desconhecidos planetas, quiçá de Marte ou de outro sistema solar. Talvez assim se justifique a tão grande falta de interesse pela Terra, pois estes alienígenas entre nós terão outra casa comum onde morar, após a Terra deixar de ser habitável para os simples mortais que se preocupam verdadeiramente com o seu futuro.

Lamento o legado que deixaremos aos nossos filhos e netos. Lamento o destino de todas as outras espécies que coabitam connosco na Terra e que sofrem devido à nossa tão vil estupidez e falta de visão a longo prazo.

O planeta Terra está a gritar, a pedir que o escutemos, antes que seja demasiado tarde, mas parece que ainda precisamos de mais e maiores desgraças…

Agora, como se fosse uma espécie de cereja no topo do bolo do infortúnio que o nosso planeta está a sofrer, a Amazónia, a maior floresta tropical do mundo, que possui a maior biodiversidade registada numa só área do planeta, está a arder descontroladamente.

5 de setembro é Dia da Amazónia, data criada com o intuito de consciencializar as pessoas para a importância da maior floresta tropical do mundo e da sua biodiversidade para a Terra.

A Amazónia tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia (a Amazónia boliviana), Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

E sim, a Bolívia também está a arder (os incêndios destruíram 950 mil hectares). Felizmente e de acordo com um elemento da Guarda Florestal em Roboré, no sudeste do país, em conversa com a Agência France Presse, a 25 de agosto, dos 10 fogos contabilizados na região, apenas dois se mantinham ativos no sábado, mas estavam sob controlo.

Há quem afirme que as queimadas são normais no Brasil nesta altura do ano. Mas os números aumentaram 82% em relação ao ano de 2018. Se compararmos o mesmo período de janeiro a agosto, foram 71.497 focos neste ano, contra 39.194 em 2018. Este é o maior aumento e, também, o maior número de registos em 7 anos no Brasil.

Levantam-se vozes de uma cabala contra o Brasil de Bolsonaro, que os culpados são externos, que a Esquerda está a fazer o seu papel… Existem até artigos sobre o que é #fato (#facto, em português de Portugal) ou #fake nas queimadas do Brasil.

Infelizmente, têm surgido notícias com imagens de outros locais (até o Cristiano Ronaldo acabou usando a fotografia errada…), ou fora do contexto, entre informações verdadeiras, o que acaba por dispersar as atenções sobre o que realmente interessa: sejam quais forem os culpados, e mesmo que as imagens não sejam as corretas, a floresta amazónica continua a arder e está a ser destruído, em dias, o que a Natureza demorou séculos a construir.

A proteção da Amazónia não deve ser politizada, mas é importante destacar os factos que levaram a este descontrolo das queimadas a partir da nova gestão política no Brasil: enfraquecimento dos órgãos ambientais e da fiscalização e das políticas e programas de controlo e prevenção do desflorestação.

Mas porque é que a Amazónia é tão importante para o planeta Terra?

Além da sustentabilidade de várias formas de vida devido à sua biodiversidade única, da influência do regime de chuvas na América Latina (os chamados “rios voadores” que asseguram o regime de chuvas na região sudeste do Brasil e garantem a produção agrícola e a produção económica do país), a Amazónia, tal como as restantes florestas tropicais do planeta Terra, ajudam a estabilizar o clima e, desta forma, evitar o aquecimento global.

Em oposição, as florestas que foram alvo de desflorestação ou de qualquer outro processo de degradação não natural representam a maior fonte de emissão de gases que originam o efeito de estufa.

A ação do Homem, com os seus incêndios pecaminosos e a desflorestação sem lei, está a fazer com que a Amazónia contribua para a crise climática, em vez de a deixar exercer o seu verdadeiro papel.

E a catástrofe climática pode levar ao fim da vida na Terra como hoje a conhecemos – o famigerado Apocalipse – provocado, por uma única e simples espécie, para desgraça de todas as outras.

A Amazónia está em sofrimento e nós também!

 

Autora: Analita Alves dos Santos é uma Mãe preocupada com questões ambientais

 

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