Escolas algarvias vão poder formar «cidadãos mais plenos»

A ideia é divulgar valores e matérias da segurança e da defesa junto de todos os estudantes, desde o ensino pré-escolar ao secundário

Tiago Brandão Rodrigues, Rogério Bacalhau e João Gomes Cravinho

As escolas dos 16 municípios do Algarve vão ter, à sua disposição, um Referencial de Educação para a Segurança, Defesa e Paz, para ajudar a formar «adultos mais capazes e cidadãos mais plenos». Os protocolos foram assinados esta terça-feira, 2 de Abril, na Escola Secundária João de Deus, em Faro, numa cerimónia que contou com as presenças de Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, e João Gomes Cravinho, ministro da Defesa. 

Ambos os governantes – e ainda Carlos Miguel, secretário de Estado das Autarquias Locais – entregaram a representantes de 14 dos 16 municípios (entre presidentes, vice-presidentes e vereadores) uma pen USB onde podem aceder ao Referencial e que os autarcas vão, agora, divulgar junto das comunidades escolares de cada concelho.

Loulé e Vila do Bispo não se fizeram representar, mas também vão ter o Referencial à sua disposição.

E o que prevê, em concreto, este documento, que também já foi entregue noutros sete distritos do país?

Ora, o grande objetivo passa por divulgar os valores e as matérias da segurança e da defesa junto de todos os estudantes, desde o ensino pré-escolar ao secundário.

As metas variam, ainda assim, tendo em conta o grau de escolaridade. Para o 1º ciclo, por exemplo, alguns objetivos são conhecer os símbolos nacionais e os seus significados (a Bandeira e o Hino) ou reconhecer a importância das Forças Armadas e das forças de segurança.

Para o ensino secundário, já se pretende um nível mais avançado, com os objetivos a passarem pelo conhecimento do que é a Organização das Nações Unidas (ONU) e os seus organismos especializados na segurança e na paz. Também se quer que os estudantes saibam analisar as causas e as consequências dos fenómenos de discriminação.

João Gomes Cravinho explicou que não haverá uma «disciplina própria» para trabalhar estas questões.

«Isto pode acontecer nas aulas de Português, de Física. Os professores podem utilizar este instrumento, que tem um conjunto de ideias de como fazer a articulação dos temas com os estudantes e de como os motivar a pensar sobre isto», acrescentou.

Ainda assim, nos currículos do 2º e 3º ciclos e ensino secundário, já há uma disciplina chamada Educação para a Cidadania, onde, teoricamente, estas questões poderão ser trabalhadas com maior afinco e dedicação.

 

João Gomes Cravinho

«Há consciência de que os alunos precisam de ir pensando sobre estas matérias, porque faz parte de serem cidadãos do futuro. Podemos, por exemplo, ensinar o que é o significado de paz. É só a ausência de violência? Como é que as nossas instituições contribuem para a paz? Quais são os desafios e as ameaças com que nos confrontamos hoje? No fundo, serão trabalhadas um conjunto de matérias centradas naquilo que são a paz e a segurança hoje», explicou o governante.

O Referencial vai chegar a «todas as escolas» dos 16 concelhos, mas a sua aplicação depende agora «dos agrupamentos e dos professores».

A implementação já este ano também está sujeita à decisão de cada escola, mas o ministro da Defesa explicou que tal «será difícil» por já nos encontrarmos a cerca de dois meses do fim do ano letivo. «Será mais fácil a partir de 2019/2020», considerou.

Quanto aos professores, terão ações de formação específicas sobre o Referencial. «Não basta distribuir um documento. É preciso que os professores também reflitam acerca dos valores que vão passar aos alunos», disse João Gomes Cravinho.

E foi, precisamente, aos alunos que encheram o auditório da Escola Secundária João de Deus, em Faro, que Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, se dirigiu na sua intervenção.

«Ainda que não entendam, por agora, a mais valia deste referencial, acreditem que ele vos vai acompanhar para a vida e fazer de vós adultos mais capazes e cidadãos mais plenos», disse.

Para o governante, «todas estas questões são fundamentais». «Através da educação para a cidadania, podemos cumprir o nosso Portugal democrático», considerou ainda.

 

Tiago Brandão Rodrigues e Rogério Bacalhau

«Façam do Algarve um Algarve pleno, para que o nosso povo se possa desenvolver com cidadania plena», atirou, sem rodeios.

Para Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, este também é um «documento da maior relevância, que nos faz pensar a todos em como podemos elevar o nível de conhecimento e de desenvolvimento de capacidades nestas áreas».

«Esperemos que se revele um referencial essencial para as crianças e jovens se constituírem como cidadãos ativos», disse o edil farense.

A cerimónia de assinatura dos protocolos, que foi antecedida por uma visita a duas salas de aula, teve ainda um momento embaraçoso: a apresentadora de serviço chamou o presidente da Câmara de Albufeira, mas usando o nome de Carlos Silva e Sousa, falecido inesperadamente no ano passado.

Houve um momento de espanto na sala, até que alguém alertou a apresentadora para a gaffe cometida, que chamou então a pessoa certa, o atual presidente José Carlos Rolo.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

 

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