Orquestra Clássica do Sul, megalitismo e Tejo Internacional unem Alentejo e Extremadura

Março é um mês português na vizinha Extremadura, com atividades nas duas províncias, Cáceres e Badajoz

Foto: Martyna Mazurek | Sul Informação

O Terras sem Sombra, que já atingiu o estatuto de festival ibérico, estende-se, em 2019, a Espanha. Março é um mês português na vizinha Extremadura, com atividades nas duas províncias, Cáceres e Badajoz, desta comunidade irmã do Alentejo. E assim o festival ruma a Valência de Alcântara, nos dias 9 e 10 de Março.

Organizado a convite a Junta de Extremadura, o ciclo de iniciativas resulta da parceria do festival com a Direção-Geral de Turismo daquela comunidade autónoma e os municípios de Valência de Alcântara e Olivença.

Em foco, a música clássica e contemporânea, o património cultural e a biodiversidade – que proporcionam experiências únicas e ligam, de maneira indissociável, as duas regiões.

Valência de Alcântara, um tesouro a descobrir

Esta vila raiana encontra-se vinculada a Portugal por velhos laços. Aqui se celebrou, em 1497, o casamento da infanta D. Isabel de Aragão – filha primogénita dos Reis Católicos – e do rei português D. Manuel I.

Os esponsais são recriados, em cada Verão, pelos habitantes da localidade e da vizinha Marvão, na Boda Régia. Uma história inspiradora para quem se adentra num território cheio de surpresas, onde a fronteira pouco mais é do que uma convenção administrativa.

A tarde do dia 9, sábado, vai ser dedicada, a partir das 15h00, sob a orientação de Daniel Méndez, ao conjunto megalítico de Valência de Alcântara, um dos mais importantes (e em melhor estado de conservação) da Europa, configurando uma extensa paisagem sagrada.

Abrange inúmeros monumentos funerários, formados por blocos de granito e xisto: dólmenes – ou antas – e menires. Alguns chegaram até aos nossos dias com outras funções e servem como marcos de terras, pontos de encontro ou, até, locais de celebrações religiosas e festas civis.

 

Foto: Martyna Mazurek | Sul Informação

Charles Ives, Bruno Soeiro e Mozart

O casamento de D. Isabel e D. Manuel teve lugar na principal igreja da povoação, Santa Maria de Rocamador. Trata-se de um notável monumento da arte gótica, vinculado ao culto da imagem negra da Mãe de Deus, devoção característica dos finais da Idade Média e que irradiou, a partir de um famoso mosteiro do Sul de França, Notre-Dame de Rocamadour, ao longo do Caminho de Santiago.

Este templo, referência fundamental da rota jacobeia na Extremadura, acolhe, às 19h00 do mesmo dia, o concerto Navegar é Preciso, pela Orquestra Clássica da Sul, sob a direção de Rui Pinheiro.

Em palco, vai estar um programa de exceção: The Unanswered Question, de Charles Ives, um excecional autor norte-americano, mas pouco ouvido na Península Ibérica; Sillages, do português Bruno Soeiro; e a Sinfonia n.º 41 “Júpiter”, obra cimeira de Mozart.

A Orquestra Clássica do Sul, com sede em Faro, destaca-se no panorama da música portuguesa, oferecendo uma programação diversificada, inovadora e de elevada qualidade artística.

Rui Pinheiro, o seu maestro titular desde 2015, imprimiu-lhe uma marca muito particular, em que transparece o entusiasmo pela música contemporânea e o trabalho com Kenneth Hesketh, Alison Kay, Augusta Read Thomas, Stephen MacNeff, Pedro Faria Gomes, Luís Soldado e Luís Tinoco, entre outros importantes compositores.

Nas águas do Tejo Internacional: Avifauna e paisagem

A manhã de domingo tem por alvo o Tejo Internacional, que abrange o vale do troço fronteiriço do rio, de reconhecida importância do ponto de vista da conservação da biodiversidade, em que a perturbação humana é reduzida.

Este território sobressai pelo conjunto das suas arribas, albergando biótopos característicos, nomeadamente zonas de montado e matos onde predominam a esteva, o rosmaninho e a urze e estepes cerealíferas, bem como elementos da flora e da fauna de inegável interesse.

Ressaltam as linhas de água com comunidades vegetais ripícolas e, no domínio da avifauna, espécies preservadas por convenções internacionais. É uma importante área de nidificação em que se podem observar a águia-de-bonelli, a águia-real, o abutre-fouveiro e o abutre-do-egipto. Abriga também populações de cegonhas-pretas, muito raras.

O Parque Natural do Tejo Internacional designa dois espaços naturais protegidos, um na província de Cáceres, em Espanha, e outro no distrito de Castelo Branco, em Portugal.

Ambos vão ser percorridos pelo Terras sem Sombra, a bordo do navio Balcón del Tajo, com a capacidade de 80 passageiros, numa visita guiada por Roberto Ramallete, Dinis Cortes e João Carvalho. A saída far-se-á de Valência de Alcântara, às 9h30 (hora local).

Todas as atividades são de acesso livre e sem inscrição prévia, partindo o Terras sem Sombra a seguir para Olivença, Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines.

 

VALÊNCIA DE ALCÂNTARA

9 de Março
15h00 – Pedras que Falam: Paisagens Megalíticas da Região de Alcântara
Ayuntamiento, Plaza de la Constitución, 1, Valencia de Alcántara
19h00 – Igreja de Nossa Senhora de Rocamadour
Navegar é preciso: Três Sinfonias para Uma Orquestra
Orquestra Clássica do Sul
Direção Rui Pinheiro

10 de Março
09h30 – Em Águas do Tejo Internacional: Avifauna e Biodiversidade
Ponto de encontro: Plaza de la Constitución, 1, Valencia de Alcántara

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