Da esquerda à direita, o mesmo apelo: votar nas Europeias é «fundamental»

O Sul Informação viajou até Bruxelas, a convite do Parlamento Europeu

Há partidos, por tradição, mais críticos da União Europeia (UE) e outros que são europeístas convictos, mas, da esquerda à direita e convicções à parte, o apelo de todos é o mesmo: votar nas Eleições Europeias, a 26 de Maio, é «fundamental». 

Ainda faltam cerca de quatro meses para a ida as urnas, mas, um pouco por toda a Europa, a preparação das eleições já está em marcha. E estas são umas Europeias especiais.

A incerteza do Brexit, com as possíveis implicações da saída do Reino Unido da UE, continua a pairar por todo o Velho Continente, bem como o fortalecimento de partidos com um discurso eurocético. Tudo questões que estão em cima da mesa e que preocupam a União Europeia.

Ora, com estes temas em agenda, o Sul Informação viajou até Bruxelas, a convite do Parlamento Europeu, onde teve oportunidade de participar num seminário de preparação para as Eleições Europeias e de entrevistar eurodeputados portugueses.

Carlos Zorrinho

Apesar das ideologias e ideias díspares quanto à União Europeia e ao seu próprio funcionamento, todos, do CDS ao PCP, foram unânimes na importância de ir às urnas.

«É na União Europeia que resta a esperança de termos um mundo mais regulado, mais justo, equilibrado e menos desigual. A resposta a alguma insatisfação tem de ser o voto. A Europa está em nós em cada momento e muitas vezes nem o notamos», disse Carlos Zorrinho, do PS, partido mais votado em Portugal nas últimas Europeias.

Para o eurodeputado, há mesmo quem esteja interessado «em destruir a União Europeia que é um modelo de paz, de justiça e de equilíbrio».

Quanto a José Manuel Fernandes, eurodeputado do PSD, o partido que, então em coligação com o CDS, ficou em segundo lugar nas últimas eleições, espera que a abstenção «diminua». Nas Europeias de 2014, a taxa foi de 66% em Portugal.

José Manuel Fernandes

«O nosso país é dos Estados Membros que mais beneficia com a UE. Recebemos 12 milhões de euros por dia, essenciais para o nosso crescimento. Participamos num mercado interno de 500 milhões de habitantes e temos um espaço onde há liberdade, paz e onde os valores fundamentais têm um papel essencial», disse ainda o eurodeputado aos jornalistas.

Quanto à futura composição do Parlamento, José Manuel Fernandes deseja que «os extremos não tenham maioria: quer a extrema direita, quer a extrema esquerda», esperando uma «maioria dos moderados».

Nuno Melo, eurodeputado do CDS/PP, mas eleito, em 2014, nas listas da coligação Portugal à Frente, que juntou os centristas e o PSD, também espera que «as pessoas vão às urnas».

Nuno Melo

«A história eleitoral mostra que, quanto mais próximo, geograficamente, o desafio eleitoral, menor a abstenção. Daí ela ser menor nas Autárquicas. Isto é até estranho e paradoxal, porque sabemos que cerca de 70% das leis que nos afetam emanam do Parlamento Europeu», referiu.

O parlamentar estranha, ainda mais, os números altos de abstenção jovem. «São eles os maiores beneficiários de oportunidades que a minha geração não teve», disse, em conversas com os jornalistas, em Bruxelas.

«2019 será um ano paradigmático que justifica que a abstenção seja reduzida. O Brexit é um sinal. Pela primeira vez, este espaço, que sempre foi de alargamento, pode perder um membro. Se os portugueses perceberem que Portugal, sem União Europeia, viverá muito pior, talvez as eleições tenham uma maior afluência às urnas», acrescentou.

Miguel Viegas

Mais à esquerda, há, como se sabe, uma maior crítica ao projeto da UE. O PCP foi, nas Eleições de 2014, a terceira força política mais votada, elegendo três eurodeputados. Um deles foi Miguel Viegas, que considera que o novo ato eleitoral é «extremamente importante».

«Grande parte do que é legislação na Assembleia da República decorre da União Europeia. A verdade é que, infelizmente, o debate sobre a UE e as políticas que cá se fazem não tem o destaque suficiente e isso não ajuda à mobilização dos eleitores», considerou o eurodeputado comunista.

«Quando temos 500 mil jovens que saíram do país durante a Troika, isso também foi consequência das políticas da União Europeia. Nós, PCP, não somos contra a UE: somos contra este modelo de integração e as políticas desta União Europeia, em concreto», disse.

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, também fez questão de realçar a interferência das decisões de Bruxelas em Portugal.

Marisa Matias

«Sobretudo já depois da intervenção da troika, as pessoas tiveram maior perceção do quanto a União Europeia interfere na sua vida. Nós damos muita atenção ao que é decidido na Assembleia da Republica, mas mais de 80% da legislação que tem impacto das nossas vidas é decidida aqui em Bruxelas, não em Portugal», explicou.

Para a eurodeputada, os níveis de abstenção das últimas Eleições (66%, em Portugal) são, por isso, «incompreensíveis».

«Há responsabilidades de todas as partes, sem exceção. Seria fundamental que o nível de participação nas eleições aumentasse», concluiu, num desejo que, como se vê, é transversal às forças políticas portuguesas com assento no Parlamento Europeu.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação (em Bruxelas)

 

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