Sementeiras aéreas e agentes da proteção civil ajudam a estabilizar solos no pós-incêndio

Governo quer realizar, «até meados de Outubro», as ações mais urgentes para proteger o solo da erosão, nas zonas de Silves e Monchique que foram afetadas pelo incêndio

Sementeiras aéreas, que serão feitas logo após as primeiras chuvas, e mobilização dos agentes de Proteção Civil para garantir a rápida realização das ações mais urgentes de estabilização do solo, após o incêndio que causou grande destruição nos concelhos de Monchique e Silves, em Agosto.

Estes são os dois principais pilares do plano que o Governo e entidades locais vão pôr em marcha, para garantir que os solos das zonas afetadas pelo fogo fiquem, tanto quanto possível, protegidos da erosão, quando a chuva chegar.

A estas ações juntam-se outras que servirão para evitar que as linhas de água e as albufeiras das barragens de Odelouca e do Arade sejam contaminadas.

O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural esteve esta terça-feira em Silves, para ver in loco os estragos causados pela chamas em duas propriedades estatais, as Herdades da Parra e das Santinhas, e falar com autarcas, produtores florestais e representantes de várias entidades públicas com competências na área da floresta e do ambiente.

«Começámos por visitar a Serra de Silves, porque tem dois espaços públicos emblemáticos: a Herdade da Parra, que ardeu em cerca de 50%, e a Herdade das Santinhas, onde está instalado o Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico. E o que decidimos foi que, sendo estas duas áreas não arborizadas, é necessário fazer, logo após as primeiras chuvas, uma operação rápida de sementeira aérea», enquadrou Miguel Freitas aos jornalistas, depois do périplo que fez pelo terreno.

O membro do Governo explicou que esta solução será aplicada nas zonas «onde não há arborização, que é o caso da maior parte da Serra de Silves». Aqui, irá fazer-se «a sementeira de gramíneas e leguminosas, ou seja, de arvenses, para proteção do solo logo a seguir às primeiras chuvas». A área a semear deverá ter «uma extensão de 300 hectares».

«O voo para as sementeiras terá de esperar pelas primeiras chuvas, mas está já organizado e programado. Agora, é preciso que chova primeiro, para que haja humidade no solo, para que as sementes possam germinar com as chuvas seguintes», reforçou Miguel Freitas.

Nas zonas arborizadas, «aquilo que é preconizado é o corte da madeira queimada e o seu destroçamento e espalhamento, em forma de estilha, no solo, para fazer a conservação. Nas zonas onde há maior declive e houve grande severidade do fogo – ou seja, onde ele queimou tudo -, é muito importante fazer paliçadas, para suster a erosão do solo», acrescentou.

As «primeiras grandes ações prioritárias» serão realizadas «até meados de Outubro». Daí que Miguel Freitas se tenha deslocado ontem ao seu Algarve, para «estudar aquilo que são as medidas mais apropriadas e, acima de tudo, com os Municípios, as Juntas de Freguesias e as associações de produtores florestais, equacionar quais as candidaturas que iremos fazer».

Para isso, há, à partida, 4,5 milhões de euros, a verba disponibilizada pelo Governo para «fazer a chamada estabilização de emergência, ou seja, aquilo que é preciso para preservar o solo contra a erosão».

«Há um período de candidaturas a decorrer, que termina no final do mês. Temos ainda dez dias para as concretizar. Hoje está aqui connosco a autoridade de gestão do PDR 2020, que veio cá para tirar dúvidas e procurar adaptar as exigências destas candidaturas às medidas deste Programa Operacional», disse.

O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural conversou «com as duas organizações de produtores desta região, a Aspaflobal e a Viver Serra, e com as autarquias, para saber como nos iremos coordenar e articular para que estas ações sejam eficazes. Elas são urgentes e algumas são mais urgentes ainda. Para estas, nós estamos disponíveis para trabalhar com todos os operadores da Proteção Civil, à semelhança do que já aconteceu no ano passado».

«Vamos fazer uma ação no concelho de Silves e outra no de Monchique, com todos os agentes da Proteção Civil, para que, no sítio onde exista maior prioridade, possamos agir com urgência. Hoje vamos programar as ações e o calendário», revelou.

«No ano passado, envolvemos a Força Especial de Bombeiros, o GIPS da GNR, Corpo Nacional de Agentes Florestais do ICNF e os sapadores das organizações de produtores florestais. É um esforço conjunto que fazemos, em zonas localizadas, nas áreas de maior urgência de intervenção», acrescentou Miguel Freitas.

Na reunião de ontem em Silves, também participaram o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a empresa Águas do Algarve instituições públicas que estão «a trabalhar entre si, no sentido de fazerem uma ação de preservação e conservação, não só do solo, mas também das linhas de água e das duas grandes albufeiras que existem nesta área. É importante não olharmos apenas para o solo, mas também para a poluição da água».

A contaminação de linhas de água e da própria albufeira das duas barragens existentes na zona afetada pelo fogo é, admite Miguel Freitas, uma possibilidade.

«Se houver uma grande enxurrada, é possível que as barragens sejam contaminadas. Recordo que, no ano passado, o trabalho que fizemos de estabilização de emergência evitou, e muito, que acontecesse esse tipo de fenómenos, mas houve aqui e ali alguns casos em que isso aconteceu. Esta estabilização de emergência não impedirá, a 100%, que isso possa acontecer, mas é uma forma de mitigar a erosão dos solos e a contaminação das águas decorrentes da chuva», concluiu o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

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