TASA: Técnicas Ancestrais algarvias ajudam a criar 12 novas Soluções Atuais

O projeto TASA – Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais aventurou-se em novos territórios do Algarve, acolheu mais artesãos e até descobriu […]

Sara Fernandes e João Ministro_TASA_2016_1O projeto TASA – Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais aventurou-se em novos territórios do Algarve, acolheu mais artesãos e até descobriu uma técnica «que será única no Algarve e, talvez no país».

16 artesãos de Alcoutim, Loulé e Silves passaram os últimos meses a trabalhar com as designers Alexandra Gonçalves e Ana Rita Aguiar e criaram 12 novos produtos artesanais para juntar ao catálogo deste projeto. Estes produtos vão ser apresentados no dia 22 de Setembro, quinta-feira, às 18h00, nas instalações do Clube Atlético, no centro histórico de Loulé.

Os responsáveis pelo TASA, projeto que une os saberes milenares dos algarvios às necessidades e gostos do mundo atual, desafiaram as autarquias da região para um trabalho conjunto de levantamento e inventariação dos artesãos e saberes existentes nos seus territórios, repto que foi aceite por Alcoutim e Silves.

Sara Fernandes e João Ministro_TASA_2016_2«A proposta que fizemos foi que as Câmaras dessem algum apoio à revitalização das artes tradicionais. Alcoutim e Silves deram-nos apoio financeiro, para perceber o que existe no território. Em Alcoutim, fizemos um levantamento exaustivo e encontrámos artesãos que não estavam sequer listados», segundo João Ministro, o responsável pela empresa ProActiveTur, que está a gerir este projeto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.

Entre os vários guardiães de técnicas antigas e quase em desuso, encontraram uma artesã que usa uma técnica de trabalhar palhinha bem original.

«Encontrámos uma técnica, a palhinha, em Fernandilho, uma aldeia de Alcoutim, que apenas esta artesã, a Dona Rita, trabalha. Ela aprendeu com o tio, mas não consegue explicar muito bem como é que esta técnica apareceu ou justificá-la aqui no Algarve. Mas são bastantes interessantes os trabalhos que se conseguem fazer. Assemelha-se um pouco ao que chamam de ouro vegetal, com capim, trabalhado em África e no Brasil. É uma grande inovação que aqui temos», segundo Sara Fernandes, responsável pelo marketing do TASA.

A Dona Rita Marta é um dos cinco artesãos de Alcoutim que passaram a estar ligados ao TASA, na sequência deste trabalho, e a técnica que domina está presente num dos produtos que vai ser apresentado, uma taça de fruta de cerâmica e palhinha, «uma novidade total no mercado».

Mas não foi a única, já que Alcoutim contribuiu com cinco artesãos, todos eles estreantes no TASA. Em Silves, foram quatro as novas “aquisições” do projeto, mas cinco os artesãos envolvidos, uma vez que um deles já fazia parte da equipa. A estes, juntaram-se detentores de saberes ancestrais de Loulé e Castro Marim, que já antes trabalhavam com a ProActiveTur (ver lista completa abaixo).

Nesta nova fase de lançamentos de produtos, a aposta foi «em produtos ligados à casa e à cozinha», aquilo que as pessoas mais procuram, e procurou-se aliar materiais de uma forma nunca antes tentada. «Fizemos algumas misturas de materiais que não tínhamos experimentado até hoje. Estamos a trabalhar com a faiança, em vez de apenas barro vermelho. E temos um produto muito especial, um amolador com a pedra grés de Silves», disse Sara Fernandes.

«Alguns dos novos produtos vêm complementar outros que já existiam. Outros são totalmente novos. Por exemplo, temos peças de pequeno imobiliário, nomeadamente um banco, que era algo em que ainda não havíamos apostado», exemplificou a responsável pelo marketing do TASA.

Designer Ana Rita Aguiar com o cesteiro António RamosO TASA já tem 15 pontos de revenda em todo o país, além da sua loja no Centro Histórico de Loulé, e também já está a exportar produtos para outros países, nomeadamente espaços de revenda na Europa, mas também no Japão Estados Unidos da América. «Nestas parcerias internacionais, trabalhamos muito com encomendas especiais [produtos à medida], às quais temos conseguido dar resposta, mas com alguma dificuldade, devido à escassez de artesãos», segundo Sara Fernandes.

Daí que a próxima fase do TASA, que já está a ser idealizada pela CCDR do Algarve, em parceria com as autarquias da região, com o IEFP e com a Direção Regional de Cultura, se vá focar intensamente na educação e na passagem destes conhecimentos para as gerações mais jovens.

«Uma das coisas que ficou evidente, depois deste trabalho, e que já sabíamos, é que as artes estão todas a desaparecer. Em Alcoutim, chegámos a falar com pessoas que foram sapateiros, albardeiros, latoeiros e ferreiros, mas já não há quase ninguém em atividade. No Pereiro, até há um Museu do Ferreiro, mas já não há ferreiros. Em Martim Longo, há uma olaria toda equipada, fechada há sete anos», ilustrou João Ministro.

«O nosso trabalho tem muito a ver com esta vertente de revitalização das artes, não nos limitamos a fazer produtos. Essa é uma das componentes, mas queremos arranjar forma de trabalhar com estes artesãos para que as artes não desapareçam, porque, de facto, estamos no limiar», avisou o responsável pela ProActiveTur.

 

Lista completa de artesãos:

Designer Alexandra Gonçalves com artesão Cremilde LourençoNovos no TASA

Rita Marta/ artesã de Palhinha/ Alcoutim

Isabel Ferreira/ Cerâmica/ Alcoutim

Maria Teixeira/ Tear/ Alcoutim

Maria Celeste/ Tear/ Alcoutim

Jorge Romeira/ Cestaria cana/ Alcoutim

José Teresa /Madeira/ Silves

Lília Lopes/ Cerâmica/ Silves

Noémia Martins/ Tear/ Silves

João Cabrita/ Pedra/ Silves

 

Que já estavam no TASA

Ana Silva/ Cana/ Silves

António Gomes/ Cestaria Cana/ Castro Marim

Francisco Eugénio/ Olaria/ Loulé

Cremilde Lourenço/ Empreita/ Loulé

Fernando Henriques/ Madeira/ Loulé

Pedro Piedade/ Olaria/ Loulé

Da Torre/ Madeira/ Loulé

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