Pessoa e Aleixo em «desgarrada (im)provável» musicada por Afonso Dias

Um é considerado por muitos como o maior poeta português, o outro notabilizou-se como “o” poeta popular do Algarve e […]

Um é considerado por muitos como o maior poeta português, o outro notabilizou-se como “o” poeta popular do Algarve e a sua obra é agora um dos elementos culturais identitários da região.

Fernando Pessoa e António Aleixo  vão encontrar-se entre junho e outubro, na iniciativa «Os Modos e os Olhares – Aleixo e Pessoa em desgarrada (im)provável».

A ponte entre os dois poetas será feita através da música de Afonso Dias, que também será o apresentador deste original espetáculo que irá aos 16 municípios do Algarve. A primeira sessão acontece já na quinta-feira, na Casa Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, às 19 horas.

O projeto da associação cultural «Bons Ofícios» liga o CD – Fado Aleixo de Afonso Dias à poesia de Fernando Pessoa nos 125 anos do seu nascimento e «é quase todo cantado», revelou a associação. «Trata-se de uma iniciativa que conta com o apoio da Direção Regional de Cultura do Algarve e que consta de um conjunto de espetáculos, a apresentar em todos Municípios algarvios», acrescentou a «Bons Ofícios».

«O que aproxima dois dos mais expressivos e tão, aparentemente, diferentes poetas? Por que diversos ou semelhantes modos se exprimem? Que visões e convicções os iluminam? Que musicalidade os aproxima?

Para este encontro convocámos a redondilha maior (verso de 7 sílabas métricas) que ambos cultivaram: Aleixo na generalidade da sua obra; Pessoa no seu “Cancioneiro”. Também os heterónimos maiores – Caeiro, Campos e Reis –, ainda que fugazmente, marcarão presença nesta desgarrada. Esses que habitavam outros universos metafísicos…», descreveu.

«Será encenado e cantado este encontro. Pessoa terá o seu espelho de observação interior e provocará Aleixo com motes, para que o algarvio leia a vida dos homens com os seus olhos de ver este mundo. Aleixo exortará Pessoa a viajar pelos labirintos da interioridade e pala graça popular da quadra lisboeta que o poeta tão esmeradamente cultivou», acrescentou a associação «Bons Ofícios».

E, para aguçar o apetite, ficam versos de ambos os protagonistas:

Toda a poesia – e a canção é uma poesia ajudada – reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa (…)

F. Pessoa

(…..)

só quando o coração canta

a minha pobre garganta

faz o que nem sempre faz.
A. Aleixo

 

Datas já acertadas:

6 de junho (19 horas) – Casa Manuel Teixeira Gomes, Portimão

13 de junho (21h30) – Biblioteca Álvaro de Campos, Tavira

20 de junho (21h30) – Junta Freguesia de Odeceixe, Aljezur

21 de junho (21h30) – Biblioteca Vicente Campinas, Vila Real de Santo António

3 de julho (21h30) – Biblioteca Municipal de Monchique

5 de julho (22 horas) – Biblioteca António Ramos Rosa, Faro

19 de julho (21h30) – Polo de Quarteira da Biblioteca Municipal, Loulé

24 de agosto (22 horas) – Feira do Livro de Lagos

21 de setembro (21h30) – Polo de Salir da Biblioteca Municipal, Loulé

4 de outubro (21h30) – Biblioteca Municipal de Albufeira

30 de outubro (11 e 15 horas) – Biblioteca Municipal / Secundária José Belchior Viegas, São Brás de Alportel

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