«Houve aqui uma falha de comunicação», diz Rosa Palma

A presidente da Câmara de Silves espera que a frente ainda ativa seja efetivamente controlada e que as coisas não voltem a descontrolar-se, como ontem

«Houve aqui uma falha de comunicação», disse Rosa Palma ao Sul Informação, sobre o que se passou ontem com o incêndio no concelho de Silves.

«É necessário haver um elo de ligação para que, quem está a tomar decisões no posto de comando, consiga tomá-las, quer de prevenção, quer de decisão, em situações que requerem já atuação», defendeu a presidente da Câmara de Silves.

Ontem, com o fogo a evoluir de forma descontrolada numa vasta linha ao longo da EN124, entre Silves e São Bartolomeu de Messines, afetando as localidades de Enxerim, Pinheiro e Garrado, Pedreira, Barragem, Cumeada, Canhestros, Corgo, Amorosa e Vale Fuzeiros, a autarca considera que «essa ligação não se fez sentir».

Rosa Palma dá o exemplo dos meios que viu «estacionados em determinados locais, oito horas seguidas, sem fazer nada e não saíram dali». Esses meios, sublinha, «eram necessários noutros locais, mas tinham de ser encaminhados. Só que não o foram!».

«Não tenho que opinar sobre quem coordena a nível nacional ou não. Mas tenho o dever de dizer que, neste caso concreto, há coisas que não foram previstas e que quem estava a coordenar desconhecia. Não se muniram da informação necessária, não a procuraram, apesar de nós termos uma equipa formada, de nós termos essa informação», lamenta.

Quanto à acusação de falta de meios, que chegou a ser feita por alguns moradores das zonas mais afetadas, a presidente da Câmara de Silves diz: «não considero nem poucos, nem muitos. Considero é que os meios têm de ser eficazes, têm de ser direcionados para. Às vezes, como se viu aqui, não é a quantidade de meios que se torna mais eficaz. É precisamente o planeamento de precaução que se possa fazer».

Pelo lado da autarquia, explica, «tivemos toda a precaução. Temos faixas de gestão de combustível como não haverá, se calhar em todo o Algarve, em tanta quantidade. Fizemos um levantamento exaustivo, casa a casa, das pessoas que vivem nas zonas mais isoladas do concelho. E aqui quero agradecer à GNR e ao Capitão Fernandes, que foram, e continuam a ser, incansáveis. Fizemos o contacto com todas essas pessoas, fizemos o levantamento para saber se as casas eram habitadas, se tinham crianças ou pessoas acamadas, para, se houvesse necessidade de atuação – como houve! – já sabermos como e onde».

«Quem vem para cá coordenar podia ter ouvido o que a nossa equipa tinha a dizer…», lamentou Rosa Palma.

E o que se segue, agora que as pessoas acolhidas durante a noite no pavilhão da Escola EB 2,3 de São Bartolomeu de Messines já voltaram para as suas casas?

A autarca de Silves é cautelosa: «ainda temos uma frente ativa de fogo, na zona do Talurdo e na Mata Nacion al da Herdade da Parra, interior da freguesia de Messines. Espero que seja controlada, de forma eficaz, que enviem e usem os meios necessários».

Mas Rosa Palma espera, sobretudo, que «não volte a acontecer o que aconteceu ontem, quando, depois de parecer que as coisas tinham acalmado, tudo ficou desgovernado. Espero não viver nunca mais nenhuma situação como esta!».

A verdade é que, a partir do meio dia, o céu por cima de Silves limpou completamente e a intensidade do vento aumentou…

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