Depois das denúncias, chega o reforço aos hospitais do Algarve

Novos enfermeiros, e não apenas os que vêm substituir os que sairão para outras unidades de saúde, e a disponibilização […]

Novos enfermeiros, e não apenas os que vêm substituir os que sairão para outras unidades de saúde, e a disponibilização de mais camas para internamento. O Centro Hospitalar e Universitário do Algarve esteve debaixo de fogo, após uma denúncia feita por enfermeiros da dificuldade do Serviço de Urgência em responder às solicitações, mas Ana Paula Gonçalves, presidente do Conselho de Administração do CHUA, garante que os hospitais algarvios se têm vindo a preparar para responder ao aumento de utentes que se espera, com o atingir do pico do surto da gripe.

O Sul Informação falou com a responsável máxima pela equipa que gere os hospitais algarvios, que revelou que o CHUA lançou há semanas um procedimento de recrutamento de novos enfermeiros, que «só espera pela autorização da tutela». Nesta “leva”, disse a presidente do Conselho de Administração dos hospitais algarvios, «serão contratados 42 novos enfermeiros, para suprir as lacunas».

Entretanto, o CHUA já pediu ao Governo «autorização para contratar mais 54 enfermeiros, para substituir aqueles que vão transitar para unidades de saúde primárias», no seguimento do concurso que foi lançado a nível nacional. Ou seja, serão contratados, ao todo, «96 novos enfermeiros», que se espera que entrem ao serviço «até final de Janeiro, início de Fevereiro».

A presidente do CA do CHUA garante que «já está a ser feito recrutamento. O nosso jornal confirmou junto do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que já havia alertado para a necessidade de contratar mais profissionais de saúde para os hospitais, para fazer face ao surto da gripe, que há enfermeiros a ser contactados pelos hospitais algarvios, no sentido de celebrar contratos e entrar ao serviço nos próximos dias.

Ana Paula Gonçalves voltou a negar que houvesse pessoas «a passar fome, debaixo de vãos de escada e a morrer» nas urgências, por falta de cuidados e de pessoal, como foi tornado público num comunicado alegadamente emitido pela equipa de enfermeiros das urgências do Hospital de Faro.

«Estamos na fase de execução de um plano de contingência contra a gripe. Tivemos de aumentar a nossa capacidade de internamento e um dos locais que utilizámos foi aquela sala», onde a denúncia que foi feita através de email para alguns jornais e nas redes sociais diz que se chegaram a amontoar 80 utentes, apesar de ter capacidade máxima para 24.

Ana Paula Gonçalves não confirma que se tenham atingido estes números, mas admite que, em certas alturas, «há um afluxo anormal de doentes», o que pode levar a que «momentaneamente, se cruzem ali pessoas a internar, com outras, enquanto se decide o que se vai fazer».

O que é certo é que «houve um pico de afluência entre o Natal e o Ano Novo», em que os serviços de urgência dos hospitais receberam, em média, «mais de mil utentes por dia», mas que esses números caíram para «cerca de 700 por dia» no início do ano, fixando-se «nos 800 nos últimos dias».

Esta segunda-feira, como o nosso jornal pôde verificar, apesar de se ver um número considerável de doentes em maca na sala de decisão clínica, não havia macas amontoadas nos corredores e a calma reinava. Mas tudo poderá mudar, em breve, já que se prevê que a afluência volte a aumentar, tendo em conta que o pico do surto da gripe só deverá ser atingido «na próxima semana».

 

Este previsível aumento da afluência está a ser acautelado, disse Ana Paula Gonçalves, nomeadamente com a preparação de uma ala do Centro de Reabilitação e Medicina Física do Sul – que com a criação do CHUA passou a ser tutelado pelo seu Conselho de Administração -, «que vai ser transitoriamente, e muito em breve, usada como espaço para acolher estes doentes» e retirar pressão das urgências de Faro.

Segundo a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, vão abrir, naquela unidade de saúde situada em São Brás de Alportel, 27 novas camas de internamento, que se juntarão «às 22 já ativadas nas unidades de Faro e Portimão» do CHUA.

A mesma entidade anunciou que «está prevista durante o mês de Janeiro a ampliação e a reconversão de mais 20 camas de Cuidados Continuados Integrados na região do Algarve nas tipologias de Convalescença e de Média e Longa duração, sendo que serão ativadas dez camas em Portimão e mais dez no Azinhal (Castro Marim), que permitirão alargar a capacidade assistencial da RNCCI e simultaneamente reforçar as respostas ao nível de internamento, aliviando desta forma a pressão nos serviços hospitalares algarvios».

 

Veja como estavam as urgências de Faro na segunda-feira:

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

E recorde as imagens associadas à denúncia dos enfermeiros:

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