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Portimão “estreia” adesão à Rede Eunice do Teatro Nacional D. Maria II com «Lear»

Casa cheia marcou, ontem à noite, a estreia em Portimão da peça «Lear», o primeiro espetáculo trazido ao TEMPO pela Rede Eunice, no âmbito do protocolo celebrado entre o Teatro Nacional D. Maria II e estrutura algarvia.

João Ventura, diretor do Teatro Municipal de Portimão, anunciou, antes da apresentação, que esta era «a primeira de oito peças que o Teatro Nacional D. Maria II trará a Portimão, ao longo do triénio 2017/2020».

Manifestando-se contente pelo facto de a candidatura do TEMPO para integrar a Rede Eunice ter sido aprovada, o responsável pela sala portimonense acrescentou que isso permite «uma programação que articule o que se cria localmente com o que vem de fora».

Por seu lado, Tiago Rodrigues, diretor artístico do D. Maria II, sublinhou ser «uma honra assumir este compromisso com Portimão», até porque, sendo o Teatro Nacional «pago pelos impostos de todos os portugueses», é sua obrigação apresentar o trabalho «junto de todos os portugueses», que «não podem deslocar-se todas as semanas a Lisboa para verem o que lá fazemos».

Tiago Rodrigues salientou a importância de «selecionar o TEMPO e Portimão para ser o quarto parceiro da Rede Eunice», uma vez que foi escolhida «uma cidade com grande tradição cultural e onde os decisores políticos dão valor à cultura». O TEMPO, disse o diretor do D.Maria II, é «um teatro que, em 2018, faz dez anos, e são dez anos de muita resiliência».

Rui Catarino, administrador do Teatro Nacional, sublinhou a importância da integração de Portimão «na rede que leva o nome de uma grande senhora do teatro português», Eunice Muñoz. A cidade algarvia passa agora a fazer parte da rede, após «um processo de candidatura e seleção», juntando-se a Vila Real (Trás-os-Montes), Sardoal e Funchal.

Na primeira temporada desta parceria, que começou com «Lear», vão ainda subir ao palco do TEMPO, durante o primeiro semestre de 2018, as peças «Montanha-Russa», a 21 de Abril, um espetáculo da dupla Miguel Fragata e Inês Barahona, à qual se juntam Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo, dirigida ao público juvenil e familiar, e que Rui Catarino descreveu como «um musical juvenil», e, a 30 de Junho, «Sweet home Europa», com encenação de João Pedro Mamede.

Ainda antes de a tragédia do Rei Lear subir ao palco, Isilda Gomes, presidente da Câmara, manifestou o seu grande contentamento com «esta parceria que elevará os padrões da cultura em Portimão».

Quanto à peça em si, «Lear» é uma nova adaptação da tragédia de William Shakespeare, numa encenação de Bruno Bravo/Primeiros Sintomas, e que foi estreada na abertura da temporada do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

O velho rei é aqui interpretado por uma mulher. Chegou a falar-se que o papel seria desempenhado por Eunice Muñoz, na estreia em Lisboa, mas tal acabou por não acontecer. E é a atriz Paula Só a dar corpo e voz a este rei. É que Lear é o pai, a mãe, o rei, a rainha. O velho Ocidente e a velha Europa.

Decide, ainda vivo, dividir pelas filhas o seu legado e o trono que lhe pesa na idade. Em troca, pede-lhes boas falas sobre o amor e a devoção que lhe devem. Cordélia, a mais nova, não encontra palavras que iluminem o que sente – talvez não as haja – e acaba por dizer: nada. “Nada” assombrará para sempre o longo poema Rei Lear de Shakespeare. Os filhos matam os pais, que matam os filhos. Anuncia-se o princípio e o fim das coisas – com coros e tempestades.

Com música de Sérgio Delgado e cenários de Stéphane Alberto, Bruno Bravo quis evidenciar o despojamento do palco, com uma presença parca de elementos, como um trono de pedra ou um cavalo.

Do elenco fazem ainda parte Ana Brandão, António Mortágua, Carla Galvão, Carolina Salles, Joana Campos, João Pedro Dantas, José Redondo e Miguel Sopas.

A sala do Teatro Municipal de Portimão esgotou, para receber esta estreia da peça em terras algarvias e da própria Rede Eunice. E foi uma forma auspiciosa de começar a parceria, com uma produção de grande qualidade, que colocou o público portimonense em contacto com Shakespeare.

«Lear» – Foto de Filipe Ferreira

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