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«Missa dos Peregrinos» coloca Santiago do Cacém na vanguarda do Caminho de Compostela

A igreja matriz de Santiago do Cacém esteve lotada para assistir à primeira execução, em Portugal, da Missa Sancti Jacobi, de Guillaume Dufay, com interpretação do ensemble laReverdie, no sábado, no âmbito do 9º Festival Terras Sem Sombra.

O virtuosismo e unicidade do grupo italiano, tido como o mais importante, em termos internacionais, dentro do seu género de early music, arrancou fortes aplausos a um público emocionado pela beleza da música e pela espiritualidade de um monumento, excecional do ponto de vista acústico, que é tradicional ponto de passagem dos peregrinos de Compostela.

As vias jacobeias ganham novo vigor não só nos itinerários “clássicos”, mas também em muitos outros que estavam adormecidos, como os do Sul de Portugal.

Segundo referiu o diretor do Departamento do Património da Diocese de Beja, José António Falcão, na abertura do concerto, “o Caminho de Santiago tem vindo a assumir grande protagonismo um pouco por todo o Alentejo, e atualmente cruzam já a região, todos os anos, milhares de peregrinos, com Santiago do Cacém – e a sua igreja gótica dedicada ao apóstolo, – a ocupar lugar de destaque neste processo. É um eixo fundamental de peregrinação a Compostela”.

Compreende-se, assim, a escolha de tão simbólico lugar para a apresentação de um marco da herança cultural jacobeia.

Em termos cronológicos, a Missa Sancti Jacobi é a segunda das missas de Dufay e foi composta entre 1426 e 1428. A única fonte que contém a obra completa é o Códice Q15 do Museu Bibliográfico, de Bolonha, do qual Claudia Caffagni – maestrina do LaReverdie – realizou uma nova transcrição.

Esta redescoberta faz justiça ao talento de Dufay, considerado o principal compositor da primeira metade do século XV.

Para o Festival Terras Sem Sombra, como explicou o diretor artístico Paolo Pinamonti, o concerto de Santiago do Cacém representa outro passo de relevo para a internacionalização, com a particularidade de confirmar uma estreita associação ao Caminho Compostelano, a primeira rota cultural europeia, que a Diocese de Beja tem vindo a valorizar. “A iniciativa é um passo decisivo no percurso que trilhamos, muito ligado à herança das peregrinações”, salientou.

 

Libertar aves na Lagoa de Santo André

Na manhã do dia seguinte, músicos, espetadores, especialistas em conservação e crianças das escolas de Santo André (acompanhadas pelas famílias) levaram a cabo uma atividade de valorização da biodiversidade do Terras Sem Sombra, tendo por alvo a lagoa de Santo André, paragem privilegiada para muitas espécies de aves na rota migratória entre a Europa e a África.

Para além de um percurso de observação, trabalhou-se afincadamente na recuperação de estruturas de visitação da Reserva Natural, degradadas pelo vandalismo, e procedeu-se à anilhagem e monitorização de aves em risco.

Esta atividade, organizada em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, desenvolveu-se na Estação Ornitológica Nacional de Santo André.

Pelas mãos dos voluntários, diversas aves foram devolvidas à liberdade. Foram seus padrinhos Elisabetta de Mircovich, em nome de laReverdie, o maestro Giovani Andreoli, do Teatro Nacional de São Carlos, e duas crianças das escolas locais, simbolizando o futuro que estas ações proporcionam.

 

Festival continua dia 4 de maio em Grândola

A 9ª edição do Festival Terras Sem Sombra continua até ao dia 13 de Julho, com passagem marcada por Beja, Vila de Frades, Castro Verde, Carvalhal, Comporta, e Sines.

Até lá, os concertos continuam já no próximo dia 4 de Maio, em Grândola, com um espetáculo dedicado à poesia musicada e à música poética, pelo grupo La Poème Harmonique, com Marc Mauillon, Vivabiancaluna Biffi, Michaël Grébil e Pierre Hamon.

A atividade de biodiversidade, na manhã seguinte, incidirá sobre a gestão sustentável do montado, paisagem dominante nesta região.

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