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Diretora: Elisabete Rodrigues   •   18-04-2014   •   Semana 112

Cultura

Desenhos de Joaquim Bravo e trajes dos Descobrimentos mostram-se no Centro Cultural de Lagos no Dia do Município

 

Duas exposições abrem este sábado, 27 de setembro, Feriado Municipal, no Centro Cultural de Lagos – uma dedicada a trajes quinhentistas e outra que dá a conhecer diversos desenhos do pintor Joaquim Bravo.

Na sala 1, estarão patentes vários desenhos de Joaquim Bravo, cujo percurso tem “uma luz única, um ritmo obsessivo de vício de arte e, em simultâneo, uma cadência irónica de simplicidade clarividente”.

O artista estabeleceu-se em Lagos em 1966, local onde se tornou professor do ensino secundário, tendo lecionado na Escola Secundária Gil Eanes. Esta mostra está integrada no 4º ciclo de exposições da LoCAL – Coleção de Arte Contemporânea de Lagos.

A sala 2 do Centro Cultural traz ao público algumas das indumentárias de época produzidas para as Feiras dos Descobrimentos que ao longo dos últimos anos marcaram presença regular nos cortejos históricos, em Lagos.

O antigo porto de Lagos, situado na confluência das principais rotas marítimas europeias, protagonizou desde as primeiras décadas do século XV as grandes viagens de descobrimento e de exploração da costa africana e dos arquipélagos atlânticos, que enriqueceram burgueses e notabilizaram gente que se tornou importante através do capital financeiro.

O intenso movimento portuário, bem como o fluxo incessante de gentes e de mercadorias, transformaram Lagos numa urbe moderna e cosmopolita onde o poderio económico das suas gentes se espelhava nas ruas e nas casas através da sua indumentária. As elites lacobrigenses – membros dos diferentes escalões da nobreza, figuras relevantes do clero, burgueses endinheirados - tinham acesso facilitado a materiais exóticos e de luxo, que utilizavam na confecção de um vestuário que seguia os padrões da moda dos grandes centros urbanos portugueses e europeus.

A «Mostra de Trajes» que agora se apresenta, e que estará patente até ao final de Dezembro, recupera um pouco do passado da sociedade lacobrigense e dos diferentes grupos sociais que interagiam no antigo porto de «Lagos dos Descobrimentos», estabelecendo, através da arte das costureiras locais, uma dinâmica ligação com o presente.

O público terá assim oportunidade de revisitar um mundo fascinante, através de réplicas dos tecidos, dos materiais, das formas e dos adereços da época dos Descobrimentos.
 

♦ Exposição de DESENHOS de JOAQUIM BRAVO

 

Pintor português, nasceu em Évora a 7 de dezembro de 1935. Aqui privou com Álvaro Lapa, Apeles Espanca e António Gancho. Em 1957 muda-se para Lisboa e frequenta o curso de Filologia Germânica, que nunca viria a concluir.

No ano de 1962, no âmago das tertúlias do “Café do Gelo”, inicia o seu percurso na pintura, trilho que enfocará o resto da sua vida. Nesta fase embrionária, torna-se clara a inspiração no expressionismo abstrato, nomeadamente de Jackson Pollock.

Em 1964 parte para a Alemanha, onde permanece durante dois anos. Esta estadia foi de uma importância crucial, pois contacta com a vertente artística da abstração geométrica – que muito o entusiasma.

De regresso a Portugal, em 1966, estabelece-se em Lagos, tornando-se professor do Ensino Secundário, tendo lecionado na Escola Secundária Gil Eanes, escola onde também Zeca Afonso foi professor.

Em 1989, candidata-se a uma bolsa da Gulbenkian, tendo como objetivo poder dedicar-se exclusivamente à sua arte, mas a resposta tarda.

Joaquim Bravo morre no ano seguinte, em 1990, vítima de doença prolongada.

 

 

♦ MOSTRA de TRAJES da Época dos Descobrimentos

 

Estes trajes, baseados em modelos padrão e documentos históricos da época, foram integralmente produzidos por costureiras lacobrigenses. Estas verdadeiras artistas – nomes como Carmelita Reis, Cristalina Baptista, Corine Ferreira - dedicaram-se, ao longo de sucessivos eventos, e com o máximo profissionalismo, à reconstituição de um alargado conjunto de peças de vestuário alusivas aos diferentes grupos sociais que interagiam na antigo porto de «Lagos dos Descobrimentos».

Agora, a Câmara Municipal de Lagos relembra alguns dos momentos mais significativos desse passado recente, trazendo a público trajes e adereços que abrilhantaram uma das manifestações culturais com maior notoriedade, constituída por milhares de figurantes que desfilaram pelas artérias citadinas em momentos altos de animação cultural. Até ao final do ano estarão assim patentes ao público alguns dos trajes mais curiosos e elaborados, que representam uma verdadeira «janela histórica» sobre a época dos Descobrimentos. Com o suporte de manequins gentilmente cedidos pelas Lojas Borlinha, e graças à consumada arte das nossas costureiras, são agora expostas reconstituições de algumas das mais emblemáticas indumentárias utilizados pelos nossos antepassados nos séculos XV e XVI.

O antigo porto de Lagos, situado na confluência das principais rotas marítimas europeias, protagonizou desde as primeiras décadas do século XV as grandes viagens de descobrimento e de exploração da costa africana e dos arquipélagos atlânticos, que enriqueceram burgueses e notabilizaram gente que se tornou importante através do capital financeiro. O intenso movimento portuário, bem como o fluxo incessante de gentes e de mercadorias, transformaram Lagos numa urbe moderna e cosmopolita onde o poderio económico das suas gentes se espelhava nas ruas e nas casas através da sua indumentária. As elites lacobrigenses – membros dos diferentes escalões da nobreza, figuras relevantes do clero, burgueses endinheirados - tinham acesso facilitado a materiais exóticos e de luxo, que utilizavam na confecção de um vestuário que seguia os padrões da moda dos grandes centros urbanos portugueses e europeus.

Esta exposição procura reconstituir uma faceta menos conhecida do nosso passado, a história da moda, que também ao longo dos tempos foi conhecendo sucessivas alterações. A «Mostra de Trajes» que agora se apresenta, recupera um pouco do passado da «Lagos dos Descobrimentos», estabelecendo, através da arte das costureiras lacobrigenses, uma dinâmica ligação com o presente. O público interessado terá assim oportunidade de revisitar um mundo fascinante, através de réplicas dos tecidos, dos materiais, das formas, dos adereços da época dos Descobrimentos. 

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