Cinco municípios algarvios unem-se para uma programação cultural «arrojada»

Projeto estende-se até 2021

É uma programação cultural «arrojada, agarrada ao território» e com propostas que passam pela música, teatro, dança e novo circo. O programa Central Artes vai ter, ao longo deste ano, seis espetáculos e 20 workshops, espalhados por cinco municípios: Loulé, Albufeira, Faro, Olhão e Tavira. 

Este é um projeto que surge no seguimento do “Movimenta-te”, ocorrido em 2011 e 2012 no Algarve, e que também juntava cinco municípios do dito “Algarve Central”.

Desta vez, mudou-se o nome, criando uma programação que tem a “Cultura da Sustentabilidade” como mote. Os eventos vão decorrer em 2020 e 2021, mas foquemo-nos apenas na programação deste ano. 

Tudo começa já no próximo dia 14 de Março, às 21h30, com um concerto de “The Vegetable Orchestra”, no Mercado da Ribeira, em Tavira. Este é um espetáculo com a particularidade de ter instrumentos musicais produzidos…com vegetais frescos.

No final, os membros da orquestra vão distribuir uma sopa de vegetais frescos.

O Central Artes tem o condão de, além dos espetáculos, promover workshops. Assim, dois artistas da orquestra vão ensinar a fazer instrumentos musicais com vegetais.

Será a 12 de Março, na Biblioteca Municipal Lídia Jorge, em Albufeira (10h00-12h00), no Palácio Gama Lobo, em Loulé (15h30-17h30), e a 13 de Março, nos Mercados Municipais de Olhão (10h00-12h00) e Faro (15h30-17h30).

O último local a receber o workshop será o Mercado Municipal de Tavira, no dia 14, das 10h00 às 12h00.

“A Presença das Formigas”, um concerto que aborda a música tradicional e popular, com influências do jazz e música erudita, vai animar o Cineteatro Louletano, no dia 12 de Maio, a partir das 21h30. Este será mais um dos pontos altos do Central Artes, com um oficina de canto tradicional português, no mesmo dia, das 17h00 às 19h00.

 

 

Na apresentação da programação, esta segunda-feira, 2 de Março, Dália Paulo, diretora municipal de Loulé e uma das coordenadoras desta rede, explicou que a ideia passa por ter «pluralidade nas artes. Quisemos ter um pouco de tudo e é isso que conseguimos».

Ainda assim, não foi fácil chegar a este ponto. «O programa foi aprovado em 2016, nós estamos em 2020 e só agora fazemos esta apresentação. E porquê? Porque foi um processo difícil, teve dois concursos públicos internacionais que ficaram desertos, em que não houve concorrentes», explicou Dália Paulo.

Mas à terceira foi de vez, como diz o ditado popular. As empresas Eventors’Lab e Spira – Revitalização Patrimonial fizeram um consórcio e ganharam o concurso, tendo, a seu cargo, a direção artística, conteúdos e produção. 

Continuando pela programação, em Faro, a 16 de Maio, a partir das 18h00, haverá “Percursos pela Arquitetura”, pela companhia Instável.

A ideia é construir pequenas peças coreográficas através da exploração de diversos locais e contextos não formais para a dança. Com base no tema geral da programação, os coreógrafos vão inspirar-se na sustentabilidade, comida e tradições locais.

No mesmo dia, das 10h30 às 12h30, decorre o workshop “Dança Contemporânea em Espaços Urbanos”.

Seguindo para Albufeira, Celina da Piedade dará um concerto a 23 de Maio, a partir das 21h30, no Auditório Municipal de Albufeira. E, atenção, a proposta não fica por aqui. Antes do concerto, das 17h00 às 19h00, a própria Celina da Piedade vai dar um workshop de cante alentejano.

Uma “Passagem” com quatro velhos viajantes que caminham por entre um universo de objetos suspensos, onde, através das memórias do passado, encontram o início de uma nova jornada. Este é o mote do espetáculo a 30 de Maio, às 18h00, no Jardim da Igreja S. Francisco, em Tavira.

No dia anterior, 29, haverá uma oficina de construção de máscaras por Pedro Leal (9h30 às 13h30).

A programação termina em Olhão, na Praceta de Agadir, com o concerto “Water Return”, dos Olivetreedance, às 18h30.

 

 

 

Como se vê, todas as iniciativas realizam-se em plena época baixa – nunca nas alturas de maior afluência de turistas do Algarve. «Esse foi um objetivo traçado desde o início», explicou Paulo Pires, diretor do Cineteatro Louletano.

Adriana Nogueira, diretora regional de Cultura do Algarve, confessou estar «expectante» pelo arranque do Central Artes, uma vez que a programação é «muito interessante».

Por seu lado, Ana Pífaro, vice-presidente da Câmara de Albufeira, aludiu ao facto de este ser um programa em rede e que, dessa forma, «defende e promove a região».

Em pleno período de preparação da candidatura de Faro a Capital Europeia da Cultura 2027, este é também um projeto importante para aquela cidade algarvia. Paulo Santos, vice-presidente da autarquia farense, falou, por isso, na necessidade de olhar para a cultura como aquilo que «mostra o que é nosso e o que de melhor temos».

É que, concluiu Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé, «juntos valemos muito mais do que isolados».

O projeto “Central Artes – Programação Cultural em Rede”, que tem um orçamento de perto de 400 mil euros, nasce no seguimento de uma candidatura realizada ao CRESC Algarve 2020 (Programa Operacional Regional do Algarve).

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