Morreu o escritor monchiquense António da Silva Carriço

Funeral realiza-se esta sexta-feira, em Monchique

O escritor monchiquense António da Silva Carriço morreu, esta noite, aos 89 anos, em Lisboa.

O velório decorre a partir da tarde de hoje, na Igreja da Misericórdia de Monchique, e as cerimónias fúnebres realizam-se amanhã, dia 22 de Novembro, às 15h30, na Igreja Matriz.

António da Silva Carriço nasceu em Monchique, em 1930. Como trabalhador estudante (desenhador num gabinete de arquitetura) completou o Curso Geral dos Liceus em Lisboa onde, seguidamente, trabalhou dois anos nos Serviços de Estudo do Instituto Nacional de Estatística.

Regressou a Monchique como funcionário da Câmara Municipal e, em 1961, ficou responsável pela Biblioteca Fixa da Fundação Calouste Gulbenkian, lugar que ocupou durante trinta e dois anos. Nos dez anos seguintes, até 2003, passou a ter a seu cargo a Biblioteca Municipal de Monchique.

Foi correspondente do Jornal Novidades e também do «O Século» e do «Diário de Lisboa».

Em 1982 e 1990 recebeu menções honrosas, nos Jogos Florais do Algarve, promovidos pelo Racal Clube de Silves, nas modalidades de Poesia Lírica e Conto.

Desde 1985, era cronista e redator do Jornal de Monchique.

Em 1995, publicou o seu primeiro livro de crónicas, intitulado Memória das Coisas, cujos «objetos das crónicas e os temas que versam constituem, pelas vivências que retratam e pelos episódios que relatam, um registo patrimonial e cultural que, sem saudosismos», preserva tradições, memórias e identidade de «um Algarve, em Portugal».

Esta obra teve a sua segunda edição em 2008. Em 1996, é-lhe atribuído o 2.º Prémio de Comunicação Social, a nível nacional, da Região de Turismo do Algarve, pelo artigo «O Prazer da Diferença».

Em 1997, o Clube de Jornalistas de Braga distingue-o com o Prémio Especial Verde Minho (prémio único) patrocinado por aquela Região de Turismo, com o trabalho «O Irresistível Fascínio do Verde», publicado no Jornal de Monchique.

No mesmo ano, editou O Sabor da Vida, o seu segundo livro de crónicas.

Em 1998, a convite da Associação de Professores de Português, participa no 1.º Encontro Regional de Professores de Português com Escritores Algarvios e publica o trabalho «Sabina na Casa de Espelhos» no n.º 1 da Revista Stilus.

Em 2002, ganha o 1.º Prémio Manuel Teixeira Gomes, instituído pela Câmara Municipal de Portimão, com o patrocínio da Delegação Regional da Cultura do Algarve, atribuído ao conto Entre o Corpo e a Rosa, seu primeiro trabalho de ficção.

A Câmara Municipal de Monchique, em 2004, deu o seu nome à Biblioteca Municipal, que passou a ser denominada Biblioteca Municipal António da Silva Carriço, atendendo ao seu contributo e ao facto de ser uma «figura proeminente na vida cultural do concelho de Monchique».

Em 2005, publicou o seu terceiro livro de crónicas: Retrato da Paisagem Enquanto Gente.

Foi Comissário das exposições de artes plásticas da pintora Zé Ventura, apoiadas por “Faro Capital Nacional da Cultura” e pelo Município de Monchique, e é autor do texto do livro Zé Ventura – As Cores do Tempo, premiado em 2007 no London Book Festival.

Em 2006, oito crónicas suas foram incluídas na antologia Escritores Portugueses do Algarve, organizada por Ilena Gonçalves.

Em 2008, escreveu Uma Abertura de Alma para a obra António Maria Callapez – um olhar a Sul, livro-catálogo da exposição de fotografia comemorativa do centenário do seu nascimento.

Em 2014, publicou o livro Reflexos, com 13 contos de Natal, editado pelas Paulinas.

Silva Carriço está ainda referenciado no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses e um trabalho seu vem incluído num manual escolar.

Foi ainda dirigente no Agrupamento de Monchique do Corpo Nacional de Escutas e teve uma breve passagem pelo teatro como encenador. Foi membro diretivo e fundador da Academia de Heráldica do Algarve. Participou em jornadas, encontros e debates e tem colaboração dispersa em revistas e jornais, sendo membro da Associação de Jornalistas e Escritores do Algarve.

Atualizado às 14h26, com a alteração da hora do funeral das 11h00, para as 15h30.

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