Investigadores de universidade da Alemanha fazem prospeção geofísica no Castelo de Alferce

Castelo de Alferce é um povoado com origem na Idade do Bronze ou talvez mais antigo

Uma equipa de investigadores associados à Universidade de Marburgo, da Alemanha, está esta semana a fazer trabalhos de prospeção geofísica, no Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce, na serra de Monchique.

Rui André, presidente da Câmara de Monchique, entidade que apoia a realização destes trabalhos, que são acompanhados por Fábio Capela, arqueólogo municipal, explica que «estas prospeções geofísicas permitirão “radiografar” o terreno e, nesse âmbito, fornecer informação acerca do potencial estratigráfico e arqueológico do subsolo, possibilitando dessa forma planear com maior rigor a estratégia de escavações arqueológicas que iremos realizar».

«Nos últimos anos temos vindo a promover o estudo e a valorização deste local que corresponde a um povoado fortificado com uma área intramuros de aproximadamente 9,5 hectares», acrescentou o autarca.

A última escavação arqueológica teve lugar em 2017, tendo sido feita por uma equipa de seis arqueólogos liderada por Fábio Capela, com a supervisão científica de João Pedro Bernardes, arqueólogo e professor da Universidade do Algarve.

No ano passado, o grande incêndio de Monchique que tantos e tão profundos prejuízos provocou em todo o concelho, em especial na freguesia de Alferce, também destruiu a densa vegetação que, ao longo de décadas, foi tapando as estruturas visíveis da antiga fortificação. Uma oportunidade que a Câmara de Monchique quer agora aproveitar para aprofundar a investigação sobre aquele arqueossítio.

O Castelo de Alferce é um povoado com origem na Idade do Bronze, ou talvez mais antigo, do Calcolítico (3º e 2º milénio antes de Cristo, ou seja, entre 5000 e 4000 anos atrás), que terá foi depois ocupado na época islâmica, entre os séculos X-XI (período emiral), talvez funcionando como hisn (pequeno povoado fortificado), provavelmente de apoio ao Castelo de Silves.

O que resta da fortificação, situada num cerro com uma vista imensa sobre a Picota, a bacia hidrográfica da Ribeira de Odelouca, as vias entre Silves e Monchique, e o litoral, são troços das muralhas, a base de torreões e uma antiga cisterna.

Mas não se espere grande monumentalidade, porque a pedra aparelhada que os antigos usaram para construir as muralhas foi sendo, ao longo dos séculos, levada pela população para as suas próprias construções.

Tendo em conta a importância do sítio arqueológico, a Câmara de Monchique está agora a preparar uma candidatura ao CRESC Algarve 2020, de modo a poder prosseguir com uma vasta campanha de escavações.

Segundo Rui André, a candidatura inclui ainda a criação de um Centro Interpretativo em Alferce, bem como um percurso pedestre que ligue a aldeia ao arqueossítio, passando pelo vizinho Barranco do Demo,  dotado de formações geológicas de grande interesse.

A equipa da Universidade de Marburgo que começou hoje, dia 9, a fazer a prospeção geofísica no Castelo de Alferce, já tem colaborado com investigadores portugueses noutros sítios arqueológicos do Algarve. O mais recente foi a Boca do Rio (Vila do Bispo), no ano passado.

O chamado Castelo de Alferce foi classificado como Sítio de Interesse Público em 2013.

 

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Mistérios do Castelo de Alferce desvendados em campanha arqueológica

 

 

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