Greve dos enfermeiros tem adesão de 100% em alguns centros de saúde

Paralisação dura até amanhã

Nuno Manjua – Foto: Pedro Lemos | Sul Informação

A greve dos enfermeiros arrancou esta quinta-feira, 22 de Agosto, nos centros de saúde do Algarve, e já há unidades, em Faro, Albufeira, Tavira, Lagos e Vila do Bispo com adesões de 100%. 

Nuno Manjua, coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), fez, ao fim da manhã, um ponto de situação desta paralisação.

Às 11h00, segundo dados do sindicato, havia adesões de 100% nas Unidades de Saúde Familiar de Albufeira e Faro, na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Lagos, nos Centros de Saúde de Vila do Bispo e Alcoutim, bem como na Unidade de Cuidados Paliativos de Tavira.

Nos Centros de Saúde de Boliqueime e Almancil, a adesão é de 67%, ao passo que em Monchique se cifra nos 50%, em São Brás (71%) e em Silves (60%).

Por fim, a Unidade de Cuidados na Comunidade de Tavira está com uma adesão de 60% a esta paralisação.

 

Centro de saúde de Vila do Bispo

 

Para Nuno Manjua, os números estão, até agora, a «corresponder às expetativas».

«Esperamos que, ao longo do dia, a adesão à greve vá aumentando. É esperado, também, que, nestes dois dias, haja limitações naquilo que são os cuidados de enfermagem, domiciliários, tratamentos, consultas e vacinação», referiu.

Ainda assim, o Sindicato responsabiliza a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve «por todo e qualquer constrangimento».

«A ARS podia ter evitado esta greve e não o fez. Nós tentámos o diálogo por várias vezes. Receberam-nos, é certo, mas não analisaram sequer os pareceres jurídicos que enviámos para sustentar aquilo que são as nossas reivindicações. Não avançaram um milímetro», acusou Nuno Manjua.

Algumas das reivindicações do SEP passam pela contratação, imediata, de 150 enfermeiros, a contabilização «correta de pontos para a progressão», o pagamento, em atraso, de «mais de 1000 horas e mais de 10 mil euros de trabalho extraordinário», bem como o descongelamento das carreiras.

«Em Janeiro de 2018,  o Governo procedeu ao descongelamento das carreiras e a ARS não está a agir de forma correcta, prejudicando os enfermeiros. Desde 2005, ou, em alguns casos, desde 2002, que há enfermeiros que não têm o aumento de um cêntimo no seu salário. É chegada a altura do descongelamento e a ARS não está a fazer isso, descriminando os enfermeiros relativamente a outras instituições», acusou Nuno Manjua.

Da parte da Administração Regional de Saúde, esta greve também já mereceu uma tomada de posição. Em comunicado, o Conselho Diretivo da ARS quis deixar uma «mensagem de tranquilidade» a todos os enfermeiros.

 

 

 

«O Conselho Diretivo encontra-se disponível, como sempre, para continuar a dialogar com o sindicato e chegar a um entendimento sobre as reivindicações do SEP, tendo como objetivo encontrar as melhores soluções, sem prejudicar os enfermeiros do Algarve em relação as outras regiões», dizem.

A ARS vai mais longe e garante que «a evolução do número de enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde na região do Algarve tem vindo a aumentar de forma consistente nos últimos quatro anos nos cuidados de saúde primários (394 em 2015 para 443 em Junho de 2019), estando ainda em fase de conclusão um concurso para o ingresso de mais enfermeiros».

Confrontado com esta questão, o coordenador regional do SEP reconheceu que a ARS tem vindo «a admitir enfermeiros», mas não em número suficiente.

«Continuam a faltar profissionais e esta região tem uma carência crónica. O número de enfermeiros admitidos não tem sido suficiente para aquilo que são as necessidades. O último concurso que agora termina, para 10 enfermeiros, é para quem já tinha um vínculo com a função pública. Uma das exigências que temos estado a fazer é para abertura de concurso externo para que enfermeiros que estejam no desemprego possam trabalhar no Algarve, sem serem retirados de outras instituições», disse.

A greve dos enfermeiros, nos centros de saúde da região, dura até esta sexta-feira, dia 23. Para amanhã, está marcada uma concentração à porta da ARS Algarve, em Faro, a partir das 11h00.

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