Festival Termómetro adere à «descentralização» e vem a Faro

Russa, Maro e Jaguar Jaguar são as bandas que vão atuar em Faro

O Festival Termómetro, um concurso de revelação de novas bandas organizado pelo radialista e apresentador de televisão Fernando Alvim, vai passar pelo Teatro das Figuras, em Faro, esta sexta feira, 21 de Dezembro às 21h30.

A capital algarvia recebe a última sessão do festival que, este ano, percorreu o país, passando por Ponta Delgada, Porto, Cascais, Viseu, Lisboa, Aveiro, Funchal e Évora.

Esta mudança de filosofia acabou por beneficiar as bandas. «O facto de termos saído do circuito dos bares e termos ido para os teatros, melhorou a forma com as bandas soam e a atenção que o público lhes dedica. Estamos satisfeitos com o que estamos a construir. Não é algo para o imediato, mas vamos conseguir que as pessoas percebam que se trata de um festival de novas bandas, que vale a pena conhecer. Os espetadores até podem ter a oportunidade de assistir, pela primeira vez, à atuação de grupos que podem vir a ser icónicos», afirma Fernando Alvim ao Musicália|Sul Informação.

Fernando Alvim

Em Faro, dão-se a conhecer Russa e Maro, ambas bandas portuguesas, e os belgas Jaguar Jaguar.

Russa nasceu no Ribatejo e, desde que atingiu a maturidade, mudou de casa mais de 10 vezes tendo morado em cinco países diferentes, entre eles a Rússia. Abraça o rap aos 22 anos e, depois de alguns projetos amadores, lança, em Março de 2018, o seu primeiro álbum.

Maro é nome artístico de Mariana Secca, uma multi-instrumentista, cantora e autora. Estudou na Berklee College of Music, vivendo atualmente em Los Angeles. Lançou, este ano, o seu primeiro trabalho dividido em três capítulos.

Já de Antuérpia vêm os belgas Jaguar Jaguar, que se formaram numa viagem de duas semanas a Espanha e alguns dos membros já marcaram presença neste festival.

Ao longo dos anos, o Festival Termómetro tem passado por várias cidades, mas nunca tinha vindo até ao Algarve. Para Fernando Alvim, a descentralização é uma tendência.

«Eu acho que a palavra do ano é descentralização. Se queremos um país cada vez mais unido, não nos podemos centrar apenas numa cidade ou duas, temos de “distribuir jogo”. Com o festival penso do mesmo modo. Contámos com o apoio das Câmaras Municipais. De outra forma teria sido impossível. Assim, conseguimos ir a cidades onde nunca tínhamos ido, como é o caso de Faro», explica Fernando Alvim

O mentor do festival diz que todas as Câmaras Municipais perceberam o objetivo do Termómetro e não teve nenhum apoio recusado, apesar de ser um festival que nunca irá ter muito público «até porque são bandas que as pessoas não conhecem mesmo!».

Sendo um festival que procura dar a conhecer novos talentos nacionais, este não fecha a porta a quem vier de fora e, já por duas vezes, venceram bandas estrangeiras: os belgas Soldier’s Heart, em 2015, e os alemães Black Taxis, em 2011.

A abertura ao exterior aconteceu na 15º edição, com o intuito de alargar o festival e dar-lhe maior abrangência. O balanço da decisão revelou-se positivo. «Acho que não prejudicou, pelo contrário, tornou-o mais interessante, a nível de conteúdos e de troca de experiências. Ganham as bandas nacionais e as bandas que vêm de outros países» afirma Fernando Alvim.

Também a internacionalização física do festival para outro país está a ser ponderada: «É bem possível que o Festival se alargue, para o ano, para outro país», revela o radialista.

Ao longo dos 24 anos de existência do festival, foram muitas bandas nacionais que passaram pelo Termómetro e hoje são nomes conhecidos como Ornatos Violeta, B Fachada, Capicua, Dj Ride, Mazgani, Ana Bacalhau, David Fonseca, Noiserv, Richie Campbell, Salto, Tatanka, ou quartoquarto (vencedores da última edição).

A 12 de Janeiro, os cinco finalistas serão convidados a fazer uma apresentação final, na sala grande do Cinema São Jorge, em Lisboa. O prémio é uma “rampa para o estrelato”: os vencedores têm concertos garantidos nas próximas edições do NOS Alive, Bons Sons e Iberian Festival Awards, para além de gravarem um videoclip e terem acesso a 20 horas de gravação em estúdio.

O evento tem duas horas de duração e a entrada é livre, estando sujeita à lotação da sala. No entanto, o levantamento do bilhete é obrigatório e está limitado a quatro bilhetes por pessoa.

 

Veja e oiça o trabalho das bandas participantes:

Oiça aqui a entrevista na íntegra:

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