Almargem faz candidatura ao Fundo Ambiental para proteger as zonas húmidas do Algarve

A Almargem apresentou uma candidatura ao Fundo Ambiental para aprofundar o conhecimento sobre as zonas húmidas do Algarve, de modo […]

Lagoa dos Salgados

A Almargem apresentou uma candidatura ao Fundo Ambiental para aprofundar o conhecimento sobre as zonas húmidas do Algarve, de modo «a fundamentar adequadamente a sua classificação como áreas protegidas». A associação ambientalista algarvia incluiu na sua proposta o Trafal e a Foz do Almargem, em Loulé, os sapais de Pêra e Lagoa dos Salgados, em Silves e em Albufeira, e as Alagoas Brancas, em Lagoa.

Em comum, estas três importantes zonas húmidas da região têm o facto de estarem a ser ameaçadas por projetos imobiliários. Já o mesmo não acontece, pelo menos ao que tudo indica, com o Paúl de Lagos, que a Almargem chegou a incluir na candidatura, para depois o retirar, tendo em conta a aprovação recente de um Plano de Pormenor que prevê a criação de «um local pedagógico de criação e de manutenção de habitats, de educação e de ecoturismo».

Já as perspetivas em relação às três zonas húmidas algarvias que foram incluídas no projeto são bem menos animadoras.

As ameaças urbanísticas ao Trafal e à Foz do Almargem, em Quarteira, motivaram uma tomada de posição recente da associação ambientalista algarvia, no seguimento do período de consulta pública ao empreendimento Quinta do Oceano, que irá ocupar os terrenos onde antes existia o Parque de Campismo desta cidade do concelho de Loulé.

Mas este não é, segundo a Almargem, o único projeto que põe em perigo a riqueza ecológica desta zona húmida, já que também está prevista a construção de um passadiço ciclável e pedonal entre a Quinta do Lago e Quarteira, que a atravessará.

«Apesar das diversas propostas apresentadas nos últimos anos para que o município de Loulé aceitasse iniciar um processo de classificação destas zonas húmidas como área protegida de âmbito local, nada de concreto ainda foi decidido nesse sentido», disse a associação ambientalista.

Alagoas Brancas

Os sapais de Pêra e a Lagoa dos Salgados também foram inseridos na candidatura, «uma vez que a ameaça de destruição maciça desta zona continua nas mãos do Millenium-BCP e, sobretudo, devido à sua inclusão na proposta de resolução apresentada em Janeiro à Assembleia da República pelos deputados algarvios do PS referente à preservação de zonas húmidas do Algarve».

«Na verdade, existem ainda algumas significativas lacunas de conhecimento a nível científico e socioeconómico, o que constitui um argumento credível para que o plano de urbanização previsto para esta zona não possa avançar de forma legítima», defendeu a Almargem.

A terceira área incluída na candidatura ao Fundo Ambiental é a zona húmida das Alagoas Brancas, «situada no perímetro urbano de Lagoa e que está inserida num processo de loteamento industrial aprovado pelo município».

Há mais de um ano, «a Almargem exigiu das autoridades competentes que fossem executados estudos acerca da importância conservacionista deste local, algo que a APA e o ICNF nunca chegaram a concretizar de forma convincente, o que poderá ser feito agora se a candidatura for aprovada».

A associação ambientalista também alega existir «falta de vontade por parte do município para chegar a um acordo com os promotores do loteamento, de forma a salvaguardar esta zona, ainda para mais caraterizada por ser uma área com risco máximo de inundação».

«Até agora, a única solução alternativa apresentada foi a construção de uma pequena lagoa artificial ao lado do complexo desportivo de Lagoa, o que não é, de todo, a melhor opção», considerou a Almargem.

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