Ciclo “Órgãos Antigos a Sul” leva música barroca francesa à Igreja do Carmo

O ciclo “Órgãos Antigos a Sul” vai ter mais uma sessão no sábado, dia 6 de Janeiro, às 21h30, na […]

O ciclo “Órgãos Antigos a Sul” vai ter mais uma sessão no sábado, dia 6 de Janeiro, às 21h30, na Igreja do Carmo, em Faro. O Ensemble L’Amour Théatral, composto por José Carlos Araújo (órgão), Margarida Marreiros (soprano), Daniela Tomaz (flautas & percussão), vai protagonizar este concerto.

O espetáculo vai centrar-se em obras do barroco francês, dos compositores François Couperin, Jean Baptiste Lully e Jean Phillipe Rameau.

«Seguindo a inspiração da obra homónima de François Couperin (1668-1733), “Huitième Concert dans le goût Théatral”, inserida em “Les Goûts-réünis ou Nouveaux concerts” (Paris, 1724), o concerto presta homenagem às óperas do período barroco do mestre Jean Baptiste Lully, com excertos de Armide, Cadmus Hermione e Thésée, assim como do mestre Jean Phillipe Rameau, e a célebre ária “Danse du grand calumet de la paix”, da opera ballet “Les Indes galantes”», segundo a Academia de Música de Lagos, que organiza o evento.

O ciclo “Órgãos Antigos a Sul” «pretende celebrar o património instrumental dos órgãos históricos da região algarvia e simultaneamente homenagear o distinto Bispo do Algarve D. Francisco Gomes de Avelar, percorrendo as quatro igrejas do Algarve com órgãos de reconstrução histórica fiel ao original, ainda em funcionamento, com um ciclo de música antiga».

A iniciativa começou na Igreja de Boliqueime de Loulé, a 1 de Dezembro, e continuou na Sé Catedral de Faro, a 16 de Dezembro. O último concerto do ciclo será na Igreja da Misericórdia de Tavira, a 26 de Janeiro, e terá Joana Godinho e Rafael Reis como protagonistas.

O 1º ciclo de órgãos históricos “Órgãos Antigos a Sul”, é um projeto cofinanciado pelo CRESC Algarve 2020 – Programa Operacional Regional do Algarve, e tem o apoio da Câmara Municipal de Loulé, da Câmara Municipal de Tavira, da Câmara Municipal de Faro e da Diocese do Algarve.

 

Sobre os protagonistas:

José Carlos Araújo – órgão

Apontado como «um dos mais importantes intérpretes portugueses da actualidade» (Jornal de Letras), o cravista tem desenvolvido o seu trabalho sobretudo em torno da música para tecla de autores ibéricos do período barroco e, muito particularmente, da obra de Carlos Seixas. Em Lisboa, estudou instrumentos históricos de tecla e interpretação de música antiga. Desde muito cedo influenciado pelas perspectivas interpretativas reveladas por Cremilde Rosado Fernandes e José Luis González Uriol, a oportunidade de trabalhar, mais tarde, com ambos estes mestres viria a informar de forma muito acentuada a sua concepção e abordagem aos repertórios para instrumentos de tecla do Sul da Europa.

A parte mais importante da actividade artística de José Carlos Araújo consiste em recitais a solo, quer em órgãos históricos, quer em cravo, clavicórdio e pianoforte, dedicando-se frequentemente a repertórios raramente explorados dos séculos XVII e XVIII. Consagrou ainda ciclos completos à música para cravo de J. S. Bach (Variações Goldberg, 2007 / Toccatas, 2010 / Partitas, 2013) e à integral de Seixas, assim como recitais em instrumentos históricos particularmente significativos, alguns dos quais veio a gravar também em CD.

Colaborou com o Teatro da Cornucópia para a produção de A Tempestade de Shakespeare assinada por Luís Miguel Cintra e Cristina Reis, em 2009. Apresentou-se com numerosos solistas vocais e instrumentais, orquestras e agrupamentos modernos, como Alma Mater, o Coro Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sendo, todavia, com a orquestra barroca Divino Sospiro que tem vindo a trabalhar mais intensamente. Com este agrupamento, sob a direcção de Massimo Mazzeo, gravou as Siete Palabras de Cristo en la Cruz de García Fajer e o Stabat Mater de José Joaquim dos Santos para a editora Glossa.

José Carlos Araújo dedicou-se ainda ocasionalmente à música para órgão e cravo de autores do séc. XX, em particular Luiz de Freitas Branco, Armando José Fernandes e Clotilde Rosa, que tocou com o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e o Ensemble MPMP. Gravou para a RTP e para a RDP – Antena 2. Em 2004, foram-lhe atribuídos o Primeiro Prémio e o Prémio do Público no concurso Carlos Seixas, pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Inaugurou o selo discográfico Melographia Portugueza (MPMP) em 2012, com os primeiros CDs da primeira gravação integral da obra para tecla de Carlos Seixas. Deste projecto estão já disponíveis 7 CDs, gravados em instrumentos históricos, alguns dos quais em estreia discográfica.

Licenciou-se pela Faculdade de Letras de Lisboa, onde estudou Filologia Clássica. É actualmente investigador do Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa, onde tem vindo a trabalhar na primeira tradução em português das Epistulae de Plínio e, em parceria, dos Facta et Dicta Memorabilia de Valério Máximo. Publicou estudos sobre Filologia Clássica e apresentou comunicações a congressos de Estudos Clássicos e Comparatistas. Colabora regularmente em Euphrosyne – Revista de Filologia Clássica.

Margarida Marreiros – soprano

Iniciou os estudos na Academia de Música de Lagos (1998) concluindo o 8º Grau de Piano e Canto. Enquanto aluna destaca a participação nas Jornadas Europeias do Património, comemorações do 25 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, bem como no projecto Suest’Art. Licenciada em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa, participou em diversas iniciativas, salientando as comemorações do Dia da Voz, o Festival da ESML e as Peças Frescas, no Teatro São Luís.

Tem-se apresentado com diferentes agrupamentos de música de câmara, interpretando repertório da música antiga à música contemporânea – Capella Sacra, na DEKL (2009), Musiberia, na MALA- Mostra de Artistas de Lagos (2009), concerto lírico, no Centro Nacional de Cultura (2012). Como solista interpretou o papel de Dorabella, na ópera Così fan tutte (2011), nos teatros de Estremoz, Portalegre e Évora, pelo Ensemble Contemporâneos (do qual é membro efetivo), participou nas estreias das peças Água – A Seiva da Terra, de Pedro Louzeiro (2010), gravada em CD, Ti’Anita (2012) e Gilda das Amendoeiras (2014), no papel de Rainha Gilda, ambas de Nuno Sequeira Rodrigues, com a Orquestra de Sopros do Algarve (OSA). Trabalhou com Ângela Silva, Liliane Bizineche, Silvia Ranalli e Jill Feldman, fez aperfeiçoamento técnico e artístico com Elena Nentwig e atualmente frequenta o Mestrado em Ensino da Música, na ESML; simultaneamente é docente nas escolas da Academia de Música de Lagos.

Daniela Tomaz – flautas e percussão

Daniela Tomaz inicia os seus estudos musicais em 1990 no Conservatório Regional de Gaia como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, estudando com Pedro Castro, Pedro Couto Soares e Pedro Sousa Silva. Em 2008 prossegue com os estudos musicais no Departamento de Música Antiga da Hogeschool voor de Kunsten Utrecht (HKU), Países Baixos, sob orientação de Heiko ter Schegget em Flauta de bisel e Wilbert Hazelzet em Traverso, graduando-se em Abril de 2012 Cum Laude. É diretora artística do Ensemble Med, Voce Humana e No Sopro do Vento, especializados em Música Antiga Medieval/Tradição Oral, Renascimento e Barroco, apresentando-se regularmente em França, Países Baixos e Portugal, destacando Utrecht Early Music Festival (Agosto 2011), De Open Blokfluit Dagen Amsterdam (Outubro 2012), the Kastelconcerten Series, Rasa Theatre, I/II/III Ciclo de Música Antiga [Early Music Festival] Sons Antigos a Sul , Catherijn Convent Music Series, (Agosto 2014), com Didier François; Eric Salhstrom Institute selected ensembles Womex Fair in Santiago de Compostela [ES] (Outubro 2014), Comemorações do Dia Internacional da Língua Portuguesa, em Ivane Javakhishvili, Tbilisi State University (Maio 2015) , Festival Med Classic, (Loulé, Junho 2015), Tharaux Festival (França, Julho 2015), Dia da Cultura Portuguesa (Tbilisi, Geórgia, Maio 2015), Semana da Cultura Europeia na Geórgia (Tbilisi e Poti, Novembro 2015) e Tournée Ensemble Ditirambo Mexico Dezembro 2016. Acompanhou como percussionista barroca a integral da Ópera Cadmus Hermione, de J. B. Lully, dirigida por Vincent de Kort, em Utrecht 2012, e extractos da ópera Armide e Bourgeois Gentilhomme, de J. B. Lully, com Leids Barok Ensemble, nos Países Baixos. É Directora Artística da Academia de Música de Lagos desde 2013. É também licenciada em Arquitectura pela Universidade do Porto desde 2005.

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