As inqualificáveis podas municipais

As podas municipais são uma “instituição” que há muitas décadas se instalou nas Câmaras Municipais e nada consegue convencer os […]

As podas municipais são uma “instituição” que há muitas décadas se instalou nas Câmaras Municipais e nada consegue convencer os responsáveis autárquicos portugueses a pôr-lhes fim.

Possivelmente herdeiras das técnicas da horticultura francesa, que já remontam pelo menos ao século XIX , e em que se dava predominância às formas artificiais e à topiária, foi uma prática que, em Portugal, rapidamente ganhou o gosto dos responsáveis das autarquias e dos serviços de estradas, que assim mostravam “trabalho feito”.

A foto é de Estoi, mas podia ser de muitas outras povoações, em que a “arte” do responsáveis municipais pelo arvoredo viário se revela no seu melhor, criando aqueles abortos e apurando esse gosto, sobretudo nos pobres dos jacarandás.

Tanto faz as Câmara Municipais terem ou não terem arquitetos paisagistas, nada consegue acabar com esta triste prática.

Veja-se a outra foto (abaixo) de uma jovem mélia na mesma rua, que ainda não foi sacrificado à arte dos assassinos arborícolas, e que revela a beleza da sua copa bem lançada – talvez no próximo ano também já seja decapitado…

O gosto educa-se e as práticas pela manutenção da Natureza em todas as suas formas, mesmo dentro da cidade e sobretudo dentro dela, deviam fazer parte da educação cívica dos decisores municipais e dos executores das suas decisões.

 

 

 

 

Autor: Fernando Pessoa, arquiteto paisagista

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