Farol da ilha da Culatra é «um monumento vivo» e quer que toda a gente o saiba

Os 220 degraus que é necessário vencer para chegar ao cimo do Farol do Cabo de Santa Maria, na Ilha […]

Os 220 degraus que é necessário vencer para chegar ao cimo do Farol do Cabo de Santa Maria, na Ilha da Culatra, em Faro, podem ser desafiantes para muitos. Ainda assim, os que se propuserem a fazer o esforço de os subir certamente se considerarão recompensados a partir do momento em que saírem para o varandim, situado a cerca de 45 metros de altura, e desfrutarem da vista desafogada e única sobre o mar, a Ria Formosa, mas também sobre Faro, Olhão, o Cerro de São Miguel e até São Brás de Alportel.

Ter esta experiência, bem como a de conhecer este interessante edifício, repleto de história, é, durante o Verão de 2017, apenas uma questão de vontade. O farol que há cerca 160 anos serve de referência aos marítimos que entram na barra de Faro-Olhão ou que navegam ao largo da Culatra e da Barreta (vulgo Deserta), vai estar aberto a todos os que o queiram visitar de terça-feira a sexta-feira, entre as 15h30 e as 19h15, até ao dia final de Agosto, numa iniciativa inédita que resulta da conjugação de vontades de diversas entidades, desde logo a Autoridade Marítima Nacional, que tutela os faróis, mas também do IPDJ, da Câmara de Faro e da associação «Igualmente Diferentes».

«O objetivo deste projeto é dar oportunidade a mais pessoas de visitarem este património, que faz parte da nossa herança cultural. Os faróis, hoje em dia, têm valor cultural e são uma herança que devemos preservar, não só pela sua arquitetura, mas por serem monumentos vivos. Os faroleiros continuam a residir nos faróis e a cumprir as tarefas da sua profissão e estas infraestruturas mantêm toda a sua atividade operacional», disse ao Sul Informação o diretor de Faróis, capitão José Guerreiro Cardoso, à margem da sessão da assinatura do protocolo que deu corpo a este projeto.

Outra meta é «contribuir para a preservação da cultura marítima» e dar a perceber «a importância dos faróis para quem anda no mar».

Este é, de resto, um trabalho que tem vindo a ser feito pela Autoridade Marítima, tendo em conta que há 28 faróis portugueses abertos à visitação do público em geral todas as quartas-feiras do ano, entre as 15h00 e as 18h00. Uma pequena janela de oportunidade para conhecer melhor estas infraestruturas que é aproveitada por muitos. «No ano passado, houve 65 mil pessoas a visitar estes faróis, às quartas-feiras, e o número tem vindo a crescer», revelou José Guerreiro Cardoso.

E se, nessas ocasiões, os faroleiros procuram fazer o enquadramento histórico do local, enriquecendo a experiência de quem visita o farol, neste caso não poderão estar sempre presentes, tendo em conta as muitas horas de abertura à visitação.

É aqui que entram os dois voluntários que estão ligados a este projeto-piloto, o Daniel e a Ana. Os dois jovens farenses são, desde há cerca de semana e meia, os anfitriões de quem visita o Farol do Cabo de Santa Maria, dando a conhecer as suas caraterísticas.

«O farol tem 46 metros de altura, 50 de altitude. Esta diferença decorre deste se encontrar instalado num terreno quatro metros acima do nível do mar. Foi construído em 1851. No século passado, fez-se um acrescento superior, que permitiu aumentar o seu tamanho em 12 metros. Antes tinha 34 metros», explica Daniel Jesus, de 16 anos, à medida que a impressionante paisagem entra pelos olhos dos visitantes.

«Daqui de cima, temos uma vista espetacular e conseguimos ver as ilhas Deserta, da Culatra, da Armona. Olhão, Faro, Pechão e o Cerro de São Miguel», continua o jovem farense.

Desta vez, coube a Daniel subir até até ao topo do farol, para aí receber os visitantes. Ana Raquel, natural de Faro e estudante da Universidade do Algarve, de 21 anos, ficou ao nível do chão, onde mostra algumas peças antigas que, em tempos, ajudaram esta infraestrutura a salvar vidas e evitar acidentes e orienta as pessoas para a escadaria que dá acesso à torre onde se encontram os espelhos e a iluminação.

Apesar de nenhum dos dois guias ter estado neste farol antes de se aliar ao projeto, em regime de voluntariado, depressa aprenderam a informação mais importante, como «as datas de construção, alguns pormenores técnicos e aquilo que se consegue avistar daqui».

«Para mim, além de ser muito engraçada, esta experiência é também muito desafiante, tendo em conta que eu tenho vertigens e tive de ultrapassar o receio das alturas. Mas está a valer a pena», garantiu Daniel Jesus, que se juntou ao projeto através de uma «associação de Olhão, que me informou da oportunidade, sabendo que eu estava à procura de fazer voluntariado».

Ana, que não revelou se tinha ou não medo de alturas, já tinha tido experiências anteriores de trabalho voluntário e associou-se a este projeto através da Universidade do Algarve.

O protocolo assinado entre a AMN, a Direção Regional de Faro do IPDJ, a Câmara de Faro e a associação «Igualmente Diferentes» é, para já, único no país. «Vamos ver se este protocolo funciona, para eventualmente aplicarmos o mesmo modelo noutros faróis», disse o diretor de Faróis José Guerreiro Cardoso.

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