«Faro tem de acompanhar o “fenómeno hostel” na cidade»

A cidade de Faro tem dez hostels abertos, tendo a maior parte deles iniciado a atividade nos últimos dois anos. […]

Hostel casa d'alagoaA cidade de Faro tem dez hostels abertos, tendo a maior parte deles iniciado a atividade nos últimos dois anos. Mas também na capital algarvia se coloca o problema da sazonalidade e grande parte dos hostels farenses, mesmo os que só começaram a trabalhar este ano, vão fechar portas durante o Inverno. Já há mesmo quem tenha parado.

Por causa deste e de outros problemas, empresários do setor criaram o Grupo Informal de Hostels de Faro, que se reuniu esta quarta-feira, pela primeira vez, com o presidente da Câmara de Faro, para debater com o autarca as potencialidades e os problemas do setor.

Segundo Diogo Perry, do Hostel Casa d’Alagoa, o problema é que «já temos as camas, continua é a haver poucas iniciativas empreendedoras para ocupar as pessoas que aqui ficam. Não há negócios nem animação para este público. É preciso que a cidade ganhe mais dinâmica».

Jorge Guiomar, do Faroway Hostel, partilha desta ideia, em conversa com o Sul Informação. «Por vezes, os nossos hóspedes deparam-se com o problema de não encontrar algo para fazer aqui em Faro». E não é só no Inverno que há falta de oferta. «Por exemplo, no Verão, grande parte dos bares e estabelecimentos de animação noturna encerram [porque não há universitários na cidade]. Ainda não se adaptaram a esta nova realidade trazida pelos hostels».

Le Penguin HostelA reunião com o presidente da Câmara farense, realizada na Casa d’Alagoa, foi solicitada pelo autarca e, segundo o Grupo Informal de Hostels, foi «muito produtiva». Foram debatidas soluções para os problemas que assolam o setor, em especial para a já referida sazonalidade, que «pode ser atenuada com a promoção da cidade e dos eventos na época baixa».

Os habitantes da cidade também ainda não se envolveram com quem chega para visitar Faro. Diego Castro, proprietário do Le Penguin Hostel, tem essa ideia. «A população não apoia o turismo. Os taxistas e motoristas de autocarros dizem que este não é o local ideal para passar férias, não entendem que estes turistas querem uma experiência diferente da que teriam em Albufeira ou Lagos. A população não acredita na cidade como destino, isso não é valorizado, diz-se que se vem aqui perder tempo».

Apesar destes problemas, no Verão, há mercado para estes dez hostels da cidade, mas, com estas condições, «Faro estará no limite», segundo Diogo Perry.

«Continuam a aparecer mais hostels, mas isso só fará sentido se houver mais oferta de atividades para as pessoas. Criar mais camas por camas não traz vantagens» afirma o empresário.

Diogo Perry reforça isso mesmo com a experiência de quem abriu o primeiro hostel da cidade e, este ano, já teve mais nove a trabalhar em simultâneo. «Sentimos a entrada destes novos hostels e, para que todos possam trabalhar bem, é necessário trabalhar em conjunto, para que as condições sejam boas para todos».

Aliado à sazonalidade, a cidade de Faro tem outro problema: o facto de ser uma cidade de passagem, algo que, para os empresários dos hostels, é necessário mudar. E essa foi uma preocupação transmitida a Rogério Bacalhau.

«Faro tem um potencial enorme! Por enquanto é muito um destino de passagem, de alguém que vem aqui para apanhar um voo ou para apanhar um autocarro para seguir para Espanha. É preciso mudar isso para que as pessoas venham a Faro, porque querem vir conhecer Faro».

Este potencial é realçado por Jorge Guiomar que considera que, quem fica em Faro, sai da cidade a gostar dela. «As pessoas que aqui vêm gostam, por exemplo, do facto de não haver aqui quem os convide a entrar para os restaurantes, aquelas situações que acontecem em cidades mais turísticas. Além disso há a Ria, bom peixe… Os meus hóspedes perguntam muitas vezes: onde é que tu vais comer? E não qual o restaurante mais conhecido da cidade».

Faroway HostelA qualidade do alojamento é uma preocupação deste grupo, uma vez que até há bem pouco tempo o hostel não era sequer um tipo de alojamento previsto na lei.

«A qualidade dos espaços de alojamento é importante, porque quem fica num espaço que não é bom ainda fica menos tempo na cidade. Não se sente tentado a ficar mais tempo. É necessário potenciar Faro como destino para deixar de ser apenas de passagem, e a qualidade do hostel também faz parte disso. Há espaços que se intitulam como hostel e não o são», comenta Diogo Perry.

O acesso ao que a cidade tem de melhor, como a Ria Formosa, também precisa de mudar, segundo o Grupo Informal de Hostels. «A Ria funciona quase como um feudo, o acesso a ela é muito condicionado. E voltamos à questão da sazonalidade, uma vez que, por exemplo, os transportes para as ilhas a partir de Faro diminuem drasticamente no fim de Agosto, quando nós ainda temos muita gente a ficar aqui até Outubro. São dois meses com hóspedes, mas sem acesso à Ria», lamenta Jorge Guiomar.

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