Osvaldo Gonçalves: Interioridade de Alcoutim não se combate «com analgésicos»

Não se combate a interioridade de Alcoutim «com medidas que são como analgésicos», mas sim com intervenções de fundo, cirúrgicas, […]

Não se combate a interioridade de Alcoutim «com medidas que são como analgésicos», mas sim com intervenções de fundo, cirúrgicas, que permitam aumentar os níveis de emprego no concelho e, com isso, a fixação de mais famílias.

Esta é a filosofia por detrás da estratégia que o novo executivo camarário alcoutenejo, liderado pelo socialista Osvaldo Gonçalves, quer implantar nos próximos quatro anos.

Como combater a interioridade e desertificação nos concelhos do interior «é a resposta do milhão de euros (risos)», mas passa, na visão de Osvaldo Gonçalves, por uma ação determinada e contínua de promoção do emprego, incentivando a fixação de novos negócios.

Neste campo, o novo autarca elege «o turismo de nichos», projetos agrícolas diferenciadores e o setor energético como áreas em que Alcoutim pode ser atrativo para os investidores e empreendedores. «Temos que pegar nos nossos recursos naturais e acrescentar-lhes valor», resumiu o edil, numa entrevista ao Sul Informação e à Rádio Universitária do Algarve RUA FM (102.7 FM).

O processo «será lento», mas o edil alcoutenejo acredita que irá trazer frutos, ao longo do tempo. Até porque, admitiu, não são fundamentais iniciativas empresariais que criem centenas ou milhares de postos de trabalho. Em Alcoutim, a criação de 20 postos de trabalho «já é significativa», principalmente se se conseguir que estes investimentos se multipliquem.

A Câmara de Alcoutim já aprovou, por maioria, o Orçamento para 2014, de cerca de 13,2 milhões de euros, proposta que será votada na semana que vem em Assembleia Municipal. Deste valor, mais de metade, cerca de 7,1 milhões de euros, é para despesas de capital, ou seja, investimentos e pagamento de juros e amortização de empréstimos.

Um documento que não deve ser visto de forma isolada, mas como um primeiro passo para um plano mais alargado. Neste caso, os quatro anos de mandato para os quais Osvaldo Gonçalves e a sua equipa foram eleitos em setembro passado.

No próximo ano, o maior esforço será colocado «na Ação Social e na Saúde», bem como na continuidade de projetos que vinham de trás. A construção de um novo lar de idosos no Martim Longo, obra para a qual serão orientados cerca de um milhão de euros, será a intervenção de maior dimensão e deverá estar concluído em 2014. Educação, cultura, desporto, indústria e turismo são os outros eixos estratégicos do Orçamento para 2014.

Este documento prevê, igualmente, o reforço das transferências de verbas da Câmara para as Juntas de Freguesia, já que «uma das grandes queixas em relação ao anterior executivo ia nesse sentido». «Para terem uma ideia, no ano passado, as cinco freguesias receberam 69 mil euros, no seu conjunto», disse Osvaldo Gonçalves.

Em 2014, há já «cerca de 200 mil euros» destinados às Juntas, valor de referência e que «não é um teto». «Caso se venha a mostrar necessário, poderá haver um reforço, nomeadamente para garantir a comparticipação local em candidaturas a fundos nacionais ou europeus», disse.

Este reforço também está ligado às novas competências das Juntas de Freguesia, decretadas pela nova Lei. «Mas era já nossa intenção aumentar a dotação às freguesias, que se vinham debatendo com dificuldades para cumprir os seus compromissos», disse.

O bancário, natural e residente em Martim Longo, quer envolver mais a comunidade e instituições locais no processo de decisão e gestão da autarquia.

Para isso, está já a ser preparado o terreno para lançar um orçamento participativo em Alcoutim. «Fiquei a conhecer este instrumento numa sessão em Tavira, há uns anos e, confesso, fiquei logo apaixonado pela ideia», revelou Osvaldo Gonçalves.

 

 

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