Diálogo entre a música e o ambiente entoado na Vila Morena

Grândola abriu, no sábado, dia 5, portas à música no ambiente intimista da igreja matriz de Nossa Senhora da Assunção. […]

Grândola abriu, no sábado, dia 5, portas à música no ambiente intimista da igreja matriz de Nossa Senhora da Assunção. O clima introspetivo, desenhado pela batuta do maestro Paolo da Col, ganhou corpo através das vozes do Ensemble Odhecaton.

“Do instante ao Infinito”, o título do concerto, transmite bem o modo como as obras dos compositores Arvo Pärt, Wolfang Rihm, Salvatore Sciarrino e Gesualdo da Venosa foram recebidas, no terceiro concerto da 8.ª edição do Festival Terras Sem Sombra, por mais de quatro centenas de espectadores.

As dissonâncias e a tensão expressiva e emocional ressoaram, com intensidade vibrante e hipnótica, nas paredes do monumento, perante a assembleia que o encheu totalmente e ouviu, em maravilhado silêncio, um ciclo de profunda dimensão antropológica, tendo por fio condutor o ciclo da Paixão e Morte de Cristo.

O reportório, selecionado pelo diretor artístico do Festival Paolo Pinamonti, convidou os espetadores a uma viagem por entre as páginas da história da música, desde a polifonia renascentista a temas candentes da contemporaneidade.

No dia seguinte, as vozes do famoso agrupamento italiano voltaram a ser ouvidas, tomando desta vez como cenário o montado de sobro, sob o escutar atento das crianças da Eco-Escola das Ameiras.

A Herdade das Barradas da Serra, uma exploração agrícola exemplar do ponto de vista da conservação da biodiversidade, recebeu de braços abertos a ação de sensibilização para a defesa do sobreiro como Árvore-Símbolo Nacional, promovida pelo Terras Sem Sombra e que contou com a presença da ministra da Agricultura Assunção Cristas.

Participaram na iniciativa, além das principais instituições locais, as associações Transumância e Natureza e Árvores de Portugal, a CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal e o WWF.

Segundo Luís Silva, representante desta instituição – a ONG mais influente, em termos globais, na proteção da natureza –, o apadrinhamento simbólico de um sobreiro por Assunção Cristas constitui um alerta para o peso muito significativo, em termos ambientais e socioeconómicos do montado de sobro.

Das palavras pronunciadas na ocasião por Assunção Cristas retira-se o seu enorme apreço pelo Alentejo que, segundo a ministra, é uma região “com um forte e crescente dinamismo, onde se criaram oportunidades e pontes entre as várias estruturas, num casamento perfeito entre a agricultura, o ambiente, a preservação e a dimensão económico-social”.

Cristas salientou também a importância do Terras sem Sombra como iniciativa emanada da sociedade civil e que aposta no triângulo estratégico música, património e cultura para promover um território com projetos muito concretos para o futuro.

A simbiose perfeita e o diálogo entre o canto e o ambiente foram, pois, evidentes nesta presença do Festival Terras sem Sombra na Vila Morena, que se afirma “não só pelo valor do território, mas também pela vontade dos seus agentes”, segundo rematou o presidente da Câmara Municipal, Carlos Beato.

Para as mais de setenta crianças que participaram na jornada, distribuídas por atividades tão diversas como a observação de aves, a organização de um herbário ou a observação dos parâmetros biofísicos de rãs e peixes, este terá sido, decerto, um dia inesquecível, dedicado à mãe natureza.

 

 

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