Castelão Rodrigues: «Concelhia do PS de Portimão não pode confundir-se com a Câmara»

Fazer com que a Concelhia do PS de Portimão passe a ter uma opinião sobre o que se passa na […]

Fazer com que a Concelhia do PS de Portimão passe a ter uma opinião sobre o que se passa na cidade e no concelho é um dos principais objetivos da candidatura de Joaquim Castelão Rodrigues à presidência da Comissão Política daquele órgão partidário.

«Neste momento, a Concelhia confunde-se com a Câmara», sublinhou Castelão Rodrigues em entrevista ao Sul Informação. «Mas é preciso criar autonomia ao nível do partido, para discutir assuntos de interesse do concelho e da cidade, de modo até a servir de almofada à Câmara, que é alvo de várias calúnias, contra as quais o PS de Portimão não se tem assumido».

Por outro lado, salientou, «fecha-se uma agência dos CTT em Portimão e o PS não comenta, acaba-se com a linha do ferry para a Madeira e o PS não comenta. O PS tem que ter uma opinião própria!».

Castelão Rodrigues, ex-diretor regional de Agricultura e Pesca, de 53 anos, membro da Assembleia Municipal de Portimão pelo PS, foi o primeiro a apresentar a sua candidatura à Comissão Política Concelhia dos socialistas. O outro candidato é Luís Carito, atual dirigente deste órgão e também vice-presidente da Câmara.

Castelão Rodrigues assume, desde logo, as suas dúvidas em relação a alguns dos projetos que a Câmara de Portimão tem vindo a apresentar nos últimos anos, muito deles precisamente liderados por Luís Carito. «Há que construir projetos de futuro para Portimão, mas não apostar quase exclusivamente na importação de projetos e ideias do exterior, projetos esses que, por não serem debatidos, não sabemos até que ponto são importantes», explica Castelão. E a que projetos se refere? «A Cidade do Cinema, o teleférico na zona ribeirinha», por exemplo.

«São projetos que até podem ser interessantes, mas só se forem assumidos inteiramente pela iniciativa privada», defendeu.

Castelão Rodrigues diz que a «falta de diálogo interno» no PS de Portimão tem sido a regra nos últimos anos, ao contrário do que se passava antes. E recorda o caso do Aterro Sanitário do Barlavento, em 1996, «que era uma questão polémica a nível interno e deixou de o ser a partir do momento em que os militantes analisaram e debateram o projeto». «Nos últimos anos não tem havido esse debate interno, esse colher de opiniões» e isso é mau para a saúde do próprio PS, salienta.

 

«Isilda Gomes tem o meu total apoio»

 

Joaquim Castelão Rodrigues, ao contrário de Luís Carito, apenas se assume como candidato à Concelhia e não à Câmara de Portimão.

Castelão Rodrigues, que já esteve à frente de uma direção regional, entre outros cargos e funções,  até considera que «formação, experiência e conhecimento dos assuntos» não lhe falta para poder candidatar-se à Câmara. Mas considera que, «depois de 16 anos afastado da cidade e a trabalhar em Faro», não tem «base forte de apoio».

Por isso, e porque considera que o PS é «rico em quadros que vivem o dia a dia da cidade e do concelho», defende que há «outras pessoas com capacidade para serem candidatas à Câmara Municipal de Portimão».

E garante que Isilda Gomes, que já foi vereadora da Cultura da autarquia e foi a penúltima governadora civil de Faro, tem «todo o perfil para manter a Câmara nas mãos do PS e fazer um bom trabalho», contando, por isso, com o seu «total apoio».

«As próximas eleições autárquicas em Portimão não vão ser fáceis para o PS, como o foram as anteriores. Antes havia obra para mostrar, agora não. O número de obras diminuiu, fruto da menor capacidade da autarquia de arrecadar receitas», admite.

Sobre a sua candidatura à Concelhia, Castelão frisa que se trata «de uma candidatura que quer trazer novas práticas para o partido. Desde logo porque sou candidato à Concelhia e não obrigatoriamente candidato à Câmara. Depois porque quero procurar os melhores quadros do PS para poder governar a autarquia».

Castelão Rodrigues sublinha que, para lá das questões partidárias, Portimão também perdeu a voz a nível regional. «Portimão teve dois diretores regionais em Faro, mais um em Portimão e uma governadora civil. Neste momento, não há nenhum militante do PSD de Portimão que integre a administração pública regional, o que traduz uma clara perda de influência da cidade e do concelho ao nível da região».

Se ganhar estas eleições, Castelão Rodrigues pretende abrir a Concelhia do PS não só ao diálogo interno, como à sociedade civil, nomeadamente através de encontros com as universidades ou do convite a personalidades externas para as iniciativas do partido, ao nível do ensino, da segurança, do emprego, por exemplo.

Para já, Castelão Rodrigues está ainda a fazer contactos para a formação das suas listas para a Concelhia. As eleições só vão ter lugar no dia 1 ou 2 de junho, pelo que há ainda muito tempo para trabalhar.

O PS de Portimão tem cerca de 380 militantes inscritos, sendo esse o universo de eleitores para esta disputa interna, que Castelão Rodrigues faz questão de sublinhar não ser «uma disputa pessoal».

Esta é a primeira vez que se candidatam duas listas à presidência da Comissão Política do PS de Portimão, partido que detém a Câmara desde as primeiras eleições autárquicas.

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