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Construtor de guitarras recordista do Guinness “reforça” Loulé Criativo

O projeto Loulé Criativo vai contar, a partir deste mês, com mais um artesão e logo um recordista do Guinness: Manuel Amorim, o construtor de cordofones que criou a maior guitarra portuguesa do Mundo, que esteve instalada no Largo da Sé, no Porto, em 2001, quando a Invicta foi Capital Europeia da Cultura, vai agora abrir uma oficina no centro da cidade algarvia.

O artesão, que tirou o curso de construção de instrumentos tradicionais na Universidade de Coimbra, mudou-se para Faro em 2002, onde abriu uma oficina para continuar a construir guitarras, mas «era muito difícil sobreviver da atividade e comecei a dar também aulas. Trabalhava e dava aulas de música», conta ao Sul Informação.

A guitarra gigante no largo da Sé do Porto

A construção de cordofones acabou por ficar para segundo plano e a oficina fechou. Manuel Amorim deu aulas de música ao longo de nove anos letivos, mas o “bichinho” por um ofício que, no Algarve, é feito por poucos, manteve-se.

Depois de uma «volta de 180 graus» na sua vida, mudou novamente de cidade e escolheu Loulé, que lhe abriu as portas de um novo espaço para continuar o seu trabalho.

«Tinha esta ideia de abrir uma nova oficina de construção de cordofones e fui à Câmara de Loulé. A ideia foi muito acarinhada pela coordenadora do projeto Loulé Criativo, Teresa Mascarenhas. Apresentei um esboço e ela ficou muito interessada e surgiu a possibilidade de ter um espaço partilhado, lado a lado, com um ourives», adianta Manuel Amorim.

A ideia é que «ainda este mês possamos abrir a oficina», para que o mestre luthier possa prosseguir com uma «profissão muito difícil». Manuel Amorim compara mesmo a construção de uma guitarra à educação de um filho. «Quando começamos, porque todo o meu processo de construção é manual, não sabemos como vai acabar. Um pequeno erro, no princípio, pode revelar-se um grande erro, no final. Nunca temos a certeza se será um bom instrumento, até lhe colocarmos as cordas. Por isso, costumo dizer que é como educar um filho».

Também por isso, conta o artesão, «quando vendia um instrumento, era como uma dor. Uma peça com a qual eu passava vários meses, de um momento para outro, vai embora».

Manuel Amorim constrói guitarras há mais de 20 anos e tem «instrumentos espalhados por todo o mundo». Já em termos de variedade, «construí quase todos os instrumentos de cordas de Portugal continental, desde guitarras portuguesas, guitarras clássicas, violas campaniças… Ainda não construí violas de arame dos Açores, ainda não senti esse desafio».

Apesar de construir instrumentos e de ter sido professor de música, Manuel Amorim não se considera um músico. «Deixo essa capacidade para quem o é de facto. Por isso, os músicos serão sempre bem-vindos na oficina. São eles que me ajudam a melhorar sempre. Apresentam novas ideias e soluções para novas sonoridades».

Manuel Amorim

Quem também pode dar novas ideias e soluções são os designers, com quem o mestre luthier quer estabelecer parcerias, no âmbito do Loulé Criativo. «Os designers podem, quem sabe, ajudar a criar um novo instrumento. Gostava que, por este novo espaço, passassem pessoas de outras áreas. Seria fantástico, podemos sempre transformar ou recriar algo que já existe».

O estabelecimento de parcerias com as escolas é outra das apostas de Manuel Amorim, até pela ligação que tem com a educação. «Gostava de ir às escolas e mostrar o que faço. Falar sobre a história, levar instrumentos, levar ferramentas, levar a madeira e colocar os miúdos a mexer nela, a dobrá-la. No fundo, mostrar como podemos dar forma a uma tábua e transformá-la num instrumento musical», revela.

O artesão deixa mesmo um desafio: «gostava de ter três ou quatro jovens que quisessem passar manhãs e tardes na oficina para começar a ensinar a trabalhar a sério com cordofones. Jovens que fossem para lá aprender as dinâmicas da construção e, depois, dar-lhes continuidade».

Manuel Amorim diz que, depois de ter tido a oportunidade dada pelo projeto Loulé Criativo de «voltar a trabalhar a sério», gostava de transmitir o que aprendeu, «era fantástico. E é de louvar que a Câmara de Loulé apoie estas atividades que podem ser vistas com outros olhos pelos jovens. É uma forma de valorizar o passado, perspetivando o futuro», conclui.

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