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Cátedra da UNESCO põe Universidade do Algarve a liderar luta global para garantir a “saúde” da água

A base estará instalada na Universidade do Algarve, a equipa multidisciplinar que nela trabalhará será composta por elementos desta academia. Mas a Cátreda UNESCO em Ecohidrologia, oficialmente lançada no dia 24 de Novembro, na UAlg, terá uma dimensão internacional e permitirá que, a partir do Algarve, se pensem não só os problemas locais relacionados com a “saúde” da água e dos ecossistemas, mas também em soluções para questões globais.

Em poucas palavras, esta Cátreda UNESCO que está instalada em Faro desde sexta-feira, é «uma plataforma para o desenvolvimento do ensino e do conhecimento na área da ecohidrologia, que basicamente é a recuperação dos ecossistemas, e da água», segundo Luís Chícharo, coordenador desta estrutura. Já a sua importância, não é passível de ser descrita em apenas um parágrafo.

«A instalação desta cátedra resulta de uma candidatura da Universidade do Algarve, na sequência de um trabalho que vimos desenvolvendo há alguns anos nesta área, que se enquadra no programa de ecohidrologia da UNESCO, que é um dos pilares fundamentais do Programa Hidrológico Internacional», resumiu Luís Chícharo.

«A particularidade desta cátedra da UAlg é que responde a desafios locais – tem objetivos locais -, mas também associa universidades de todo o mundo. Isso permitir-nos-á fazer uma ponte entre as diferentes regiões do mundo e as suas necessidades e especificidades», acrescentou.

Assim, a equipa coordenada por Luís Chícharo procurará «tratar essa informação de forma global», para, «por exemplo, criar cursos que possam ser lecionados em todo o mundo».

É que as matérias que esta cátedra vai abordar não são de importância menor, muito pelo contrário. «Estamos a viver uma crise global em torno da água», nomeadamente no que toca à sua disponibilidade e qualidade, que poderá «despoletar conflitos armados, muito em breve, em diferentes regiões», ilustrou o professor da UAlg.

«Os problemas da água são globais, porque o ciclo hidrológico também é global, mesmo que chova mais num lado e menos no outro. E a perspetiva que cada região tem relativamente ao uso da água é diferente. E até há aspectos que são culturais e outros que têm a ver com a religião. E isso tudo tem de ser considerado quando se faz a gestão deste bem», acrescentou Luís Chícharo.

Por outro lado, o lançamento desta estrutura é de grande importância para a Universidade do Algarve, «que passa a estar associada a uma das maiores redes do mundo, o que é ótimo», tendo em conta que a UNESCO «é uma associação de 196 países».

Esta cátedra surge num processo à parte do do Centro Internacional de Ecohidrologia Costeira (CIEC), cuja instalação no nosso país foi garantida há quase dez anos pelo Governo. «Nesse caso, foi uma proposta de Portugal, do Estado, ao contrário desta estrutura, que resulta de uma candidatura da própria UAlg», revelou Luís Chícharo.

Apesar de ter um estatuto e valências diferentes, a instalação da Cátedra UNESCO em Ecohidrologia vem permitir que seja aproveitado um potencial humano e de conhecimento acumulado que existe na UAlg. É que o CIEC, apesar de ter dado os primeiros passos, acabou por não entrar em funcionamento efetivo, «por várias razões, entre as quais, provavelmente, a crise económica». «O Governo nunca chegou a financiar», resumiu.

«Há muito conhecimento acumulado na UAlg e também uma responsabilidade da nossa parte. Acho que as universidades têm de assumir cada vez mais o papel de transferência de conhecimento para as sociedades. E têm de estar abertas a receber informação da sociedade para aquilo que faz falta desenvolver.  Funciona, um bocado, como um intercâmbio», considerou.

É por esta razão que a Universidade do Algarve não avança sozinha para esta “luta”. Esta cátedra assenta  numa rede que junta «20 universidades, que abrem muito o leque do conhecimento a que nós podemos aceder e, também, transferir para os outros».

E há realidades para todos os gostos, desde universidades de locais onde a água abunda até outras de regiões onde a escassez deste bem é um problema grave. Austrália, Canadá, Tanzânia, Equador, Argentina, Brasil, Egito, Tunísia e Moçambique  são alguns dos países envolvidos.

O facto de a Universidade do Algarve ter a oportunidade de coordenar uma rede desta natureza e importância é, na visão do reitor da instituição António Branco, «uma enorme distinção, mas também uma enorme responsabilidade».

«Esta é uma oportunidade de afirmar uma das áreas de produção de conhecimento muito importante da universidade, que é aquela relacionada com a água e com os ecossistemas que dela dependem. Mas é também uma possibilidade de vir a trabalhar em redes internacionais, numa perspetiva multidisciplinar», realçou o reitor da UAlg.

Esta multidisciplinaridade está patente na composição da equipa liderada pelo professor Luís Chícharo, que integra elementos que «vão desde a área das humanidades ao design e às áreas da biologia e ecohidrologia».

«Na verdade, eu acho que os grandes problemas do nosso planeta têm de ter no núcleo da produção de conhecimento especialistas das áreas em questão. Mas a resposta mais eficaz, é uma resposta holística. E para esta haver, os grupos de trabalho têm de ser multidisciplinares», defendeu António Branco.

O lançamento da Cátedra UNESCO em Ecohidrologia foi feito durante uma iniciativa que juntou especialistas em diferentes áreas, nacionais e internacionais, onde além de apresentada a estrutura que ficará sediada na Universidade do Algarve, foram dadas a conhecer as várias Cátedras UNESCO que Portugal acolhe.

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