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Associação Cumeadas diz que a Ribeira do Vascão pode estar contaminada e a matar animais

A morte de animais de criação nas freguesias de Martim Longo (Alcoutim) e Ameixial (Loulé) pode estar relacionada com uma eventual contaminação da Ribeira do Vascão, alertou a Cumeadas, associação de produtores do Nordeste algarvio. Caprinicultores e agricultores desta zona do interior da região denunciaram que a água apresenta «um cheiro esquisito e algumas charcas têm sedimentos negros».

Segundo a associação «parece existir uma correlação entre os animais beberem da ribeira e a sua morte». É que, «com o agravamento da seca, os animais em pastoreio extensivo procuram a água e, naturalmente, podem chegar a beber das pequenas charcas ainda existentes na Ribeira do Vascão».

A suspeita de que a fraca qualidade da água proveniente de fontes naturais pode estar na origem de uma mortandade invulgar de animais já havia sido avançada ao Sul Informação pelo caprinicultor André Palma Mateus, do Feital, Corte João Marques, na Freguesia do Ameixial (Loulé).

«Já me morreram cabeças de gado, devido às águas ruins. A comida também é fraca e, ao mínimo descuido, eles morrem. Tenho as vacinações todas em ordem, mas isso não chega», resumiu este criador de cabra algarvia.

A triste prova desta realidade era a cabra que havia morrido pouco antes desta conversa entre o nosso jornal e o caprinicultor, no caminho para o campo.

André Palma Mateus revelou que até já teve de vedar com rede uma charca que tem num terreno seu, para onde costuma levar o seu rebanho, para evitar que os animais bebam da pouca (e má) água que ainda ali resiste. Por outro lado, tem de ter um cuidado especial para não deixar os animais beber das charcas naturais, entre as quais as ainda existentes na Ribeira do Vascão, situada bem perto da sua propriedade.

Ribeira quase seca na zona do Ameixial

Contactada pelo Sul Informação, a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve, entidade tutelada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), confirmou que recebeu este alerta da parte da Cumeadas e que irá verificar a situação assim que possível.

«Esta foi a primeira indicação que recebemos de uma potencial contaminação da Ribeira do Vascão e iremos verificá-la em breve, dependendo também daquilo que são as saídas programadas», revelou Anabela Dores, da ARH-APA.

«Segundo os técnicos, as últimas análises, que foram feitas em Junho, indicavam que estava tudo normal e que não havia sinal de contaminação», acrescentou.

Mas, desde então, passou-se um Verão inteiro de altas temperaturas – no Nordeste algarvio, os termómetros andaram muitas vezes acima dos 40 graus -, que não acabou em Setembro, como é natural, prolongando-se Outubro adentro.

Aliado à seca que já se fazia sentir e à (muito) pouca chuva que caiu desde o início do ano, este Verão anormalmente quente e longo levou a que muitos cursos e fontes naturais de água e charcas do interior do Algarve e do Alentejo secassem quase completamente. E, apesar de a maioria das barragens da região ainda estarem com cotas elevadas, nomeadamente as existentes a Sotavento – Odeleite e Beliche -, a água que elas retêm não chega aos produtores do Nordeste algarvio.

No ofício que enviou à APA, mas também ao SEPNA da GNR e à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, a denunciar esta «possível situação de poluição ambiental», a Cumeadas pede «que se verifique a qualidade da água das charcas e que se verifique também a origem da contaminação, se houver».

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