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Pão de Mértola vence ouro e prata em concurso nacional

Duas padarias do concelho de Mértola foram premiadas no 6º Concurso Nacional de Pães, Broas e Empadas Tradicionais Portugueses, na Categoria Pão de trigo alentejano, promovido pela Associação Qualifica.

A empresa Costa, Esperança, Dias e João Lda, sediada em São Pedro de Sólis, venceu a medalha de ouro, enquanto a empresa Seara de Pão de São Miguel, em S. Miguel do Pinheiro, ganhou a medalha de prata.

O pão alentejano é caracterizado por ter uma côdea rija e miolo compacto, de cor branca, que se mantém bom para consumo, isto é, com miolo firme e sem desenvolvimento de bolores, durante vários dias.

No Baixo Alentejo, e em particular no concelho de Mértola, o pão sempre desempenhou um papel fundamental, não só na alimentação das populações, como também, como atividade ligada à cultura do trigo e posterior transformação no produto final.

A importância desta atividade ao longo do tempo é ainda hoje visível através dos vários moinhos de vento ou de água existentes no concelho, alguns deles a funcionar como ponto de atração turística, nas aldeias do concelho de Mértola, como é o caso do Moinho de S. Miguel.

Os antigos fornos e as eiras, comunitários ou privados, existentes em quase todas as povoações do concelho, são também o espelho da importância desta atividade para as comunidades locais.

Com a evolução da sociedade, surgiram pequenas unidades de produção do pão, que passaram a fornecer esse alimento indispensável na alimentação alentejana às comunidades locais, de porta a porta e nalguns casos, mais tarde, ao Algarve e à Grande Lisboa.

Atualmente, estão em atividade 13 padarias no concelho de Mértola, revela a Câmara local.

«Apesar da descaracterização a que o pão de trigo tem sido sujeito, devido à intensificação agroindustrial derivada da necessidade de fornecer grandes quantidades de pão às zonas urbanas a preços acessíveis e concorrenciais, o fabrico de pão alentejano de Mértola tem mantido a sua genuinidade e especificidade», garante a autarquia.

Ao contrário da maior parte dos pães fabricados de forma industrial, o pão alentejano fabricado em Mértola é «caracterizando por fermentações prolongadas, realizadas por fermentos naturais resultantes de pedaços de massa do dia anterior e por cozeduras prolongadas e lentas, em fornos de lenha».

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